Uma Quase “Desomenagem”

Autor Por Fernando Belucci em 13/05/2009

Depois de tempos, consegui voltar do mundo dos colunistas mortos…  e não trouxe nenhuma mulher centenária para roubar minha coluna.

Hoje resolvi “homenagear” minha coluna falando de uma banda só em especial. Não, não é o Blink, pois se fosse eu tiraria as aspas irônicas no “homenagear”. Outrora loucos punks’s sensação nos anos 90 para figurinhas vendidas com falsa imagem de “mudaremos o mundo”, isso tudo no topo das paradas da MTV… Sim, estamos falando de Greenday.

Lembro em meados de 1994, assistindo clipes de um trio californiano cantando NUM HOSPÍCIO (porque será), e em um outro clipe ao vivo, o vocalista falando asneiras durante a música “She” com cabelos a dar inveja ao “traficante pagodeiro” do Belo. Billie Joe era um cara tão louco que, segundo repórteres, em suas entrevistas batia com as mãos em tudo em sua volta: copos, pratos, etc. enquanto se expressava. Na época, lançavam o álbum Dookie. Punk Rock dos bons: rápidas e fortes canções e calmas e ainda fortes canções. When i come around, Longview,  a já citada She eu o grande clássico: Basketcase (que não sei como ainda não lançaram versão forró de tanto sucesso, pois tudo no Brasil vira forró ou funk). Sim, Dookie é um clássico.  E claro que o mundo da música é como o mundo dos filmes, o que fez sucesso, tem continuação!

Em 1998, foi lançado o também bom Nimrod, álbum ainda bem rock, mas já com algumas pegadas pops e diferentes… Já existem duas músicas ligadas por algo semelhante a uma história. Após isso o “Dia Verde” perdeu bem sua força. Não estamos seguindo a discografia completa (já que de novos só tem a cara do Billie Joe) e vamos direto ao começo do abismo: Warning é na verdade um álbum de outra banda, mais pop, batidinhas alegres, até bobinha. É claro que não colou. Depois disso só foi desastre… Até a coletânea International Superhits não foi falada com o valor que existia no começo da banda. Estava o Greenday fadado à morte. E por coincidência uma outra banda pop-punk estava no auge nessa época (se acertar eu dou um doce).

Após mais um álbum e mais um fracasso, alguns anos depois vi um comercial sobre uma banda, um tanto hipócrita a propaganda: “Don’t wanna be an American idiot. Don’t wanna a nation that under the new midia” era cantada no intervalo da MALHAÇÃO! sim sim, não é mentira… Logo da novela mais enlatada e mais pinel que caminhos do coração (que tem a desculpa de ter monstros pra ter um roteiro tão tosco). Vindo disso, já se notava onde o outrora maravilhoso Greenday ia chegar: no estilo criado por Bono Vox de “bandas politicamente corretas (e hipócritas)”. Ok, antes das ofensas tenho que falar, vieram sim bons hit’s, ótimas músicas… Mas sejamos sinceros: se Warning estava longe de Dookie, American Idiot estava anos-luz! A mudança era visível e proposital, uma onda de shows extravagantes e colossais, efeitos visuais, banda de apoio… Cadê aqueles caras do começo num manicômio?

Atualmente pude ouvir a música-tema do novo álbum: 21th Century Breakdown. Primeiro pensamento ao ouvir? American Idiot encontrou Warning. Pelo menos “AI” era “auditível” (se é que essa palavra exista!). Depois pensei melhor… E ouvi Know your enemy, era um pouco melhor que “21th Century…”, mas o perigo de caírem nas trevas  que tiveram na virada do milênio é gigantesca. É preferível os ver voltando às origens, e se importando mais em fazer músicas de qualidade do que comentarem que são céticos a Obama e a gente falar “nossa, eles são diferentes”. Nós queremos música boa, de imagem já viveram e morreram muitas pessoas e bandas, e continuaram no nada. Existem milhões de bandas explodindo por aí, no auge da criatividade. É só saber procurar.

Atualmente não é difícil ver o Greenday no topo do Lab Disk, na MTV, mas me falem a verdade. Quando, daqui a 40 anos, a banda Greenday for lembrada, você acha mesmo que o cover das bandas futuras será de Know Your Enemy ou BasketCase?

Vamos ouvir música, não estilos enlatados.

 

Fernando Belucci tem 24 anos, estuda Jornalismo, é escritor e roteirista de quadrinhos alternativos, tem um blog de contos… Espera não ofender ofender muito, pois ele mesmo tem o Nimrod do Greenday. Aliás, depois de procurar palavras inexistentes no aurélio, decidiu ele mesmo criar seu próprio dicionário.