Mark Hoppus e as redes sociais

Autor Por Mona em 29/01/2013

Durante essa semana, aconteceu em Cannes, a MIDEM (Marché International du Disque et de l’Edition Musicale), basicamente um evento onde pessoas se reúnem para falar sobre música.

Mark Hoppus foi entrevistado por Glenn Miller, e as perguntas foram feitos pelo mesmo, por fãs da platéia e pelas redes sociais. O baixista contou sobre seu frenético uso de diversas redes sociais. A outra parte da entrevista, onde Mark conta mais sobre o blink-182 e sua opinião sobre o atual cenário da música, você confere aqui.

A tradução da entrevista você confere abaixo, assim como o vídeo do evento.

mark hoppus - midem - tradução - vídeo

 

Você tem 2,5 milhões de seguidores no Twitter, mais de 1 milhão no Google+, mais milhares no Facebook, Instagram, Tumblr, Foursquare, e agora o usa o Backspace. Como você gerencia isso?

Eu cuido disso tudo sozinho, e passo o tempo que deveria prestar atenção em minha esposa e meu filho, olhando para meu celular. Acho que todas essas ferramentas são ótimas maneiras para bandas, gravadoras e pessoas na indústria da música se comunicarem. Para mim é um jeito de informar as pessoas sobre o que está acontecendo com nossa banda, quais são nossos planos, e fazer piadas sobre pinto. Ser eu mesmo, no geral.

Você acha que isso invade sua vida pessoal?

Na verdade, não. O que eu amo nesses programas é como permitem cada pessoa a se comunicar de sua maneira, você abre o seu mundo no nível que deseja. O Tom, da minha banda, não gosta necessariamente que as pessoas saibam sobre sua vida pessoal, seus filhos, por exemplo; Travis gosta de manter as pessoas por dentro de tudo, assim como eu. (…)”

Qual desses aplicativos tem sido seu preferido ultimamente?

Twitter, de longe. As pessoas geralmente preferem outros, mas para o mim o Twitter é o tipo perfeito de mídia. É como um quebra-cabeça. Para mim é sobre como vou contar uma história engraçada em apenas 140 caracteres. Eu sou tão idiota que nem uso tudo isso, para que as pessoas possam retweetar sem abreviar nada do que escrevi, então uso apenas 120.

Você acha que todas essas redes sociais adicionaram um novo nível de trabalho no fato de ser um músico?

Eu não vejo isso como trabalho, para mim trata-se de diversñao. Posso falar com todo mundo. Quando o Blink começou, tínhamos uma caixa postal onde as pessoas escreviam cartas e mandávamos adesivos, e toda semana recolhíamos a correspondência, líamos e respondíamos, se possível. E agora, sou capaz de me comunicar com 2,5 milhões de pessoas em segundos, é uma experiência maravilhosa. Nós somos a primeira geração a poder fazer isso.

Como você consome a música atualmente?

Compro tudo basicamente pelo pelo iTunes. Mas me sinto um idiota por não passar mais pela experiência de entrar em uma loja de CD’s e procurar o que eu quero, encontrar raridades e descobrir coisas novas. Ao mesmo tempo, posso comprar música 2 da manhã, de cueca.

Qual a sua opinião sobre os direitos autorais dos artistas e a era digital atual? Você pode conseguir qualquer coisa de graça.

Esse é o problema mais difícil de nossa carreira. Eu acredito que artistas devem ser pagos por sua criatividade, não existe outra indústria onde as pessoas podem simplesmente pegar o que você produziu gratuitamente e distribuir. As pessoas pensam que isso é aceitável. (…) No fim das contas, é uma balança delicada entre as pessoas que tem acesso à sua música, e nós queremos que as pessoas ouçam nossas músicas, queremos nossas músicas nos rádios; mas ao mesmo tempo é tão difícil (nós somos sortudos, atingimos um sucesso que nunca achamos que fosse possível), as novas bandas passam por muitas dificuldades por conta disso, vejo acontecer o tempo inteiro.

Bandas já não conseguem dinheiro gravando músicas, e sim fazendo turnês e lançando seus álbuns. Atualmente, a arte de gravar um álbum perde para o ato de vender camisetas e fazer shows. Você basicamente disponibiliza sua música gratuitamente, esperando que as pessoas comprem suas camisetas e frequentam seus shows. É uma coisa difícil para novas bandas, você dá corpo e alma para um projeto, e outras pessoas acham que podem simplesmente pegá-lo. Eu vou ao shows de bandas novas, e vejo pessoas admirando seus trabalhos e pedindo que assinem um CD gravado, e você não pode dizer ‘isso é ótimo, você acabou de me roubar 4 dólares’. É muito difícil, a grande dúvida da indústria da música é como fazer pessoas descobrirem coisas novas, de maneira rápida e fácil, e conseguir pagar os artistas por isso. Se você não recompensa a arte, as pessoas vão parar de criá-la, porque assim terão de trabalhar em um cubículo, pois existem grandes artistas que já não conseguem sustentar a si mesmos.

Como você acha que as redes sociais ajudaram a descobrir músicas novas?

Acho que ajudou imensamente, não há dúvida que esse fácil acesso também criou muitas oportunidades, você pode simplesmente enviar uma música por e-mail (…).

Você usa bastante o Foursquare. Como é usar o aplicativo sabendo que a sua privacidade está exposta, com a possibilidade de fãs surgindo onde você está?

90% dos lugares que dou check-in no Foursquare são privados, para ganhar os badges do aplicativo, não sei porque faço isso. Mas uso mais o aplicativo para promover eventos nos quais estarei, ou onde as pessoas já sabem que estou.

Você tem alguma preocupação com privacidade? Pensa se deveria ou não postar algo?

Ah, sim. Não tanto privacidade, porque sempre me preocupo se algo que postarei pode afetar a privacidade da minha família, ou nossa segurança. Eu me questiono mais se estou indo longe demais com algum tweet ou se fui além do limite.

Hoje em dia, as pessoas vão aos shows e todos tem um celular, ou até mesmo um iPad em mãos para gravar o momento. O que você acha disso?

No começo isso me incomodava, eu queria que parassem de gravar e aproveitassem o momento. Mas por outro lado, gosto de fazer isso quando vou em algum show. Agora isso faz parte da experiência, eu queria lutar contra isso no início, mas agora é o modo como as coisas são.

Vocês já se preocuparam com a divulgação dos vídeos? Alguns artistas não gostam de ter seus shows no YouTube.

Isso me lembra de algo: quando as pessoas começaram a gravar nossos shows, ficamos incomodados e colocávamos avisos sobre como não eram permitidos câmeras e etc, mas é algo que você não pudemos evitar. Travis foi muito inteligente e disse ‘cara, tudo que temos que fazer é um ótimo show, e se fizermos um show para 10 mil pessoas, todas elas estarão divulgando nossa banda quando postarem vídeos ou fotos, então tudo que temos que fazer é um show maravilhoso e teremos propaganda gratuita.’ (…) Sempre que vejo uma pessoa tirando fotos, penso que estão contando para seus amigos sobre quão legal é nossa banda, e nós nos esforçamos muito.

 

A tradução foi feita baseada no vídeo abaixo, e em algumas perguntas foram traduzidos apenas os trechos relevantes.