Mark Hoppus diz que Tom DeLonge não quer mais fazer parte do blink-182

Autor Por brunobld em 27/01/2015

Em uma nova entrevista, desta vez para a Alternative Press, Mark Hoppus falou mais um pouco sobre os últimos acontecimentos no mundo do blink-182. Com a intenção de explicar melhor aos fãs a situação, Mark disse que os atos de Tom DeLonge falam mais que suas palavras: ele ama o blink-182, mas não quer mais fazer parte da banda.

A tradução da entrevista completa está logo abaixo:

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Deveríamos deixar claro que o Matt Skiiba tocará com você e o Travis apenas no show do Musink Festival, dia 22 de março. Tudo depois disso é uma incógnita.
Mark Hoppus: Depois disso, não sabemos. Não tocamos em um show com o Matt ainda, então é muito cedo para dizer o que será além disso. Estamos muito otimistas e excitados sobre as possibilidades de continuar com o Matt de alguma forma. Ele é um bom amigo, um ótimo guitarrista, um ótimo cantor. Ele tem uma atitude positiva. Acho que somos amigos por volta de 15 anos. Não temos nada marcado além disso, mas estamos esperançosos e empolgados.
Houve um post do Tom no Twitter que dizia que você e ele falaram sobre substituir o Travis.
Na turnê australiana em janeiro de 2013, Travis não foi porque ainda não sentia-se confortável em voar, o que era uma possibilidade que nós consideramos desde o primeiro dia. Quando concordamos em fazer a turnê na Austrália, Travis disse, “farei tudo o que for possível para voltar a estar em um avião, mas se chegar o dia e eu não estiver preparado para ir, precisamos de um plano reserva.” Quando a turnê se aproximou, Travis nos ligou e disse, “eu ainda não estou pronto, eu acho que não terei condições para conseguir voar. Deveríamos achar um baterista substituto.” Com a benção de Travis, nós escalamos Brooks Wackerman e fizemos a turnê.
No entanto, durante o andamento da turnê, Travis e o promotor entraram em uma discussão no Twitter e foi tudo muito controverso e foi muito estressante. Tom estava chateado, eu estava chateado porque isso estava acontecendo durante a turnê, e tudo estava indo muito bem. Tudo deveria ter sido legal. O promotor pensou que Travis nunca teve a intenção de ir para Austrália, e sentiu-se enganado. Claro, este não era o caso.
Depois da turnê, Tom estava muito chateado por ter passado por essa situação, onde pessoas estavam ameaçando processos, o promotor estava muito bravo e tudo o mais. Nós voltamos da turnê e o Tom estava recebendo ligações onde ele falava sobre “podemos substituir o Travis, podemos fazer qualquer coisa,” mas isso era apenas o calor do momento. Houveram alguns telefonemas onde eu escutei Tom desabafar, e imediatamente depois liguei para o meu empresário e falei, “Tom está chateado agora, ele está falando sobre tentar substituir o Travis, mas eu não estou nessa. Isso não vai acontecer.” E com certeza, depois de um mês, Tom me ligou e disse, “hey, sabe aquela história? Estava apenas bravo com a situação. Foi muito ruim, mas é claro que não quero chutar o Travis da banda.” Eu não acho ele tenha levado isso a sério em algum momento. Mesmo na época, eu senti que ele estava apenas zangado e ele apenas precisava respirar.

Vocês deixaram claro que farão o show no Musink Festival pelos fãs. Eu não consigo entender porque o Tom não apoiaria isso.
Eu realmente não entendo também. Eu não poderia falar pelo Tom – eu não falo com o Tom há meses. É exatamente a mesma coisa que aconteceu há 10 anos, quando ele decidiu por um hiato indefinido, quando nós tinhamos um show marcado e outras coisas por fora. Nós recebemos um e-mail do seu empresário dizendo que ele estava fora e que não estaria disponível para fazer as coisas que ele disse que faria. Eu não sei por que ele simplesmente não toca esse único show e encerra de vez tudo isso.

Travis é um dos sócios do Musink, e parece estranho para mim que alguém não queira ajudar os empreendimentos de um amigo que esteve ao seu lado por tanto tempo.
É estranho para mim, é estranho para o Travis. Acho que honestamente, depois de tudo o que já ouvimos do empresário do Tom, e depois de todas as atitudes do próprio Tom, ele não quer mais estar com o Blink. É óbvio. Está tudo bem. Mas é confuso receber e-mails que dizem que o “Tom está fora por tempo indeterminado, ele não fará isso, ele não fará aquilo, ele não gravará o novo álbum, não sairá em turnê com vocês”, e ao mesmo tempo ele fala (incorpora voz de chocado) “eu nunca saí da banda, eu só disse que nunca faria mais nada relacionado à ela”.

Sobre uma situação ideal: como você queria que as coisas estivessem agora? Você gostaria que o Tom entrasse na programação, tocasse para os fãs e participasse do novo álbum do Blink? Ou você já superou isso?
O negócio é que nós tentamos fazer o Tom se comprometer com o Blink e foi tudo muito difícil, era sempre uma luta para conseguir algo para o Blink nos últimos dois anos. Tudo, desde conseguir um acordo com a gravadora, e até mesmo para tocar em shows, ou tentar fazer com que o Tom fosse ao estúdio. Estamos tentando isso nos últimos dois anos. O momento ideal aconteceu há dois anos atrás quando concordamos que iríamos gravar e começaríamos a trabalhar, e isso nunca aconteceu. Eu acho que esses dias e o desejo desses pensamentos se foram.

 
Se você recebesse uma ligação dele daqui duas horas dizendo, “você está certo, vamos fazer isso”, você diria “legal” ou diria “tenho que ir, tenho outra ligação na espera”? Ele acabou com toda sua boa vontade?
Para mim, pessoalmente, seria muito difícil acreditar nessa situação, porque já tivemos essa conversa muitas, muitas vezes. Todos nós tivemos conversas onde todos concordavam que “isso é o que nós vamos fazer”, e “vamos entrar no estúdio esse dia, e fazer essa turnê”, ou qualquer outra coisa. E as coisas não aconteciam como deveriam. Não sei se acreditaria nisso.
Travis e eu estávamos prontos para anos de turnês, prontos para gravar esse próximo álbum. Tom até deu uma entrevista com vocês sobre os álbuns mais esperados de 2015, e disse “Claro, nós vamos entrar em estúdio. Claro, achamos uma gravadora para fazer parceria”. Disse tudo isso, e quando se trata de colocar a mão na massa e estar de fato em estúdio ou um ônibus de turnê, recebemos um e-mail do seu empresário dizendo que ele está fora por tempo indeterminado. Eu sei que é confuso para os fãs, mas também é confuso para nós, porque o Tom insiste que ama o Blink-182, mas suas ações falam mais alto do que o que ele posta online.
A propósito, está tudo bem. Travis e eu não estamos bravos, irados ou qualquer coisa do tipo. Quando recebemos o e-mail do empresário dele dizendo que ele não queria gravar, pelo menos achamos que ele foi honesto. Estávamos adiando isso por tanto tempo. Quando ele finalmente disse “não vou fazer isso”, nos sentimos como “okay, você finalmente disse isso, vamos seguir em frente agora: você faz o que quiser fazer e nós continuamos fazendo o que amamos. Que é o Blink.

Ele se empolga, e depois recua. Por quê?
Não faço ideia. Honestamente, eu não sei. Acho que o Tom não quer fazer parte do Blink. Não acho que ele se diverte mais. Acho que ele tem bons momentos quando está no palco, mas além disso, ele não gosta mais. Esse é apenas o meu palpite, baseado no que pude observar nos últimos três anos.

Por que vocês escolheram Matt Skiba?
Começamos a conversar sobre como faríamos o show (The Musink Tattoo Convention and Music Festival). Travis e eu nos sentamos e não conseguíamos pensar em mais ninguém. Não consideramos convidar outra pessoa, ele encaixava perfeitamente. E Matt tem seu próprio estilo, ele não tentará ser o Tom. Ele será ele mesmo, como um membro do Blink-182, entende?

Vocês vão tocar músicas novas?
Não. Não finalizamos o setlist ainda. Eu gostaria de tocar muitas músicas antigas, algumas mais novas, e me divertir. Parece que tenho uma licença para me divertir com isso. Eu amo o Blink, quero continuar tocando na banda, quero continuar tocando as músicas da banda. Amo nosso legado. Amo como começamos, amo para onde estamos indo. Sinto-me aliviado, de certa forma. Tudo está esclarecido e cada um pode fazer o que quiser.