Entrevista com o Tom (TRADUZIDA!)

Autor Por Danilo Guarniero em 25/08/2009

O Tom é capa da edição da revista Aquarian dessa semana, que trás uma excelente entrevista, onde ele fala sobre a reunião e a turnê do Blink-182, Modlife, sobre o próximo álbum e filme do AVA, entre várias outras coisas.

Abaixo você confere a tradução da entrevista. Boa leitura!

Quatro anos se passaram desde que Tom DeLonge, Mark Hoppus e Travis Barker dividiam um palco juntos, mas no Grammy Awards desse ano, os membros do Blink-182 estiveram juntos e anunciaram que iriam voltar a tocar juntos. O trio, que tinha desavenças depois da repentina saída de Delonge, voltaram a se comunicar após o acidente de avião envolvendo Barker. Uma separação se transformou em reunião.

Claro, os três foram para projetos diferentes. Os mais notáveis foram o Angels & Airwaves, liderado por DeLonge, e o +44 de Hoppus e Barker. Mas Hoppus produziu inúmeras bandas, Barker esteve trabalhando em projetos de hip-hop com o DJ-AM, e DeLonge é o dono da companhia de calçados Macbeth e do site Modlife.

Agora, com todos os compromissos de lado, a banda se concentra na turnê pelos EUA com Weezer e Taking Back Sunday, no que rapidamente se tornou uma das turnês de maior sucesso em décadas. DeLonge explica.

Como a turnê está sendo? Como está a energia?

Essa turnê está insana. É de alguma forma a maior turnê desse verão. Esta noite mesmo (Pittsburgh), são umas 20.000 pessoas, esgotado. Na noite passada, foram umas 23.000 também. É louco pra caralho. Ninguém entende porque as piadas sobre pintos ficaram tão populares. Eles estão enviando cientistas da NASA para descobrirem o porquê de serem tão populares. Mas a turnê está incrível e a energia está demais. Nós estamos tocando melhor que nunca e estamos nos divertindo muito. Nós nem nos lembramos as merdas que nós dizemos.

É um sentimento válido? Eu sei que várias turnês não estão indo muito bem. É tipo, “Merda, eu deveria ter feito isso há dois anos”?

Eu sei, vocês poderiam pensar assim. Para te dar uma idéia, os promotores montaram os shows pensando que iriam umas 8.000 pessoas por noite. A média dos shows é 20.000 pessoas por noite. Ninguém pensou nisso, então não ficamos pensando “Porra, nós deveríamos ter feito isso antes”. Nós voltamos porque o Travis sofreu aquele acidente e nós pensamos que seria bom tocar música juntos novamente. Mas demos um passo de cada vez e nós estamos nos divertindo bastante. É ótimo. Eu sou humilde em relação a isso, sério, porque nós ainda somos apenas uma banda punk no coração. A banda existe por quase 20 anos agora eu acho, bem, nós nos separamos, mas nós estivemos por aí por quase 20 anos. É incrível ver tudo isso agora. Nós estamos muito, mas muito felizes que isso está dando tão certo. Está deixando a reunião muito elétrica.

Você mencionou o acidente. Foi um momento que vocês perceberam que deixar o Blink em um hiato indefinido não foi a melhor coisa?

Não, não foi assim. Sinceramente, eu acho que há alguns anos atrás nenhum de nós esperava que tocaríamos juntos novamente. Eu ainda tenho o Angels & Airwaves e nós lançaremos um álbum e um filme em fevereiro. Mark continua produzindo todas essas bandas diferentes. Travis tem um grande projeto de hip-hop que ele esteve trabalhando no ano passado – e ainda tem o TRVSDJAM. Todos nós temos essas coisas que amamos e vieram para fazer parte de nossas vidas. Não é como se nós quiséssemos que isso acontecesse. Agora eu acho que todos nós vamos tentar resolver – como vamos encaixar isso tudo? É o maior problema (risos). Eu estou fazendo malabarismo porque o Angels & Airwaves é uma coisa de tempo integral para mim.

Vocês já finalizaram o filme e o album?

O filme está sendo editado agora. Esperamos entregá-lo para a Sundance em setembro, então o plano é que a estréia seja em janeiro e nós esperamos que ele saia nos cinemas IMAX em fevereiro. Mas não sabemos. Nós temos um longo caminho para planejar e deixar tudo pronto. Vamos ver o que acontece.

Pelo que eu me lembro, era originalmente “I-Empire” e agora será o filme “Love”.

Isso aconteceu três vezes. Nós queríamos fazer algo que envolvesse um documentário e o cinema, mas o documentário ganhou vida sozinho, porque era uma grande história. Eu estava enfrentando muitas coisas naquele momento – a separação do blink e o uso de drogas. E acabou sendo esse grande projeto. O documentário chamado “Stat The Machine” saiu e nós começamos o filme atual. Estávamos pensando em “I-Empire” e esse era o objetivo. O filme estava muito bom. Melhor do que todos nós imaginamos, sério. E nós continuamos trabalhando nele. Agora, no meio do caminho do “I-Empire” nós pensamos, “não podemos deixar ele sair com esse álbum porque temos muitas coisas para fazer nesse filme”, e aí nós começamos a negociar para fazer tudo ser de graça, para podermos lançar o álbum e o filme gratuitamente. Nós estamos em um momento perfeito da nossa carreira com a banda para fazermos algo tão ambicioso como isso, então estamos muito animados.

Era originalmente uma espécie de coleção de vinhetas conectadas ao tema “I-Empire”. Ainda são vinhetas?

É difícil descrever. A história é sobre um cara que é enviado à uma estação espacial internacional e ele é deixado lá como uma cápsula do tempo humana. Ele encontra arquivos digitais da vida das pessoas na nave. É assim que essas vinhetas são. Há um diálogo. Começa na guerra civil. Tem muita ficção científica. Nós amamos filmes como “2010” e “Solaris” e esse tipo de filmes que você senta e eles te levam para algum lugar. É uma obra de arte, e eu não pensaria necessariamente em um monte de crianças populares da escola indo assistir o filme. Acho que poderia haver adultos, jovens e pessoas que realmente estão interessadas em cinema. Eu não sei como descrever porque isso não foi feito por nenhuma banda há um bom tempo porque é muito difícil de lançar. Estamos usando os mesmos designers que Darren Aronofsky, nós estamos usando editores Oliver Stone. É um bom negócio.

O orçamento está saindo do controle?

Eu acho que o que aconteceu foi que depois de três anos filmando todas essas coisas nós conhecemos várias pessoas incríveis, nós mostramos as cenas e contamos a história, daí eles assinaram embaixo e começamos na semana seguinte. É uma daquelas coisas raras quando todos querem trabalhar com ela, não por causa do orçamento, mas sim pela filosofia da coisa toda. “Love” vai sair no dia dos namorados, e não é aquela coisa de namorado/namorada. É mais como uma coisa da humanidade. É o que o AVA representa. Angels & Airwaves é uma banda construída a partir desse componente espiritual que eu acho que os jovens e as sociedades mais jovens estão começando a entender. Angels & Airwaves é uma banda interessante, e as pessoas irão descobrir mais sobre isso ano que vem. Nós estivemos envolvidos em várias coisas bem interessantes e eu acho que as pessoas irão descobrir em breve.

Tem um escritor da faculdade que fica me enchendo para ver os Flaming Lips e Animal Collective e essas bandas indies, e a última coisa que eu imaginaria que ele me pedisse era pra assistir um show do blink-182, mas ele pediu. Seus fãs cresceram junto com vocês em algum aspecto?

É uma pergunta estranha. Todo dia eu tento descobir, quem são todas essas pessoas aqui? Eu tinha 16 anos quando o blink começou, então eu estou pensando nos nossos fãs no momento em que nós realmente ficamos populares. Eu tinha 22 ou 23 anos e um monte de fãs tinham uns 16 anos, então eu poderia presumir que agora, em 2009, a maior parte dos nossos fãs devem ter mais de 20 anos. Mas não (risos). Eu não sei cara, é estranho. É difícil analisar um público quando você está olhando para 20.000 pessoas. Parece que as pessoas tem entre 17 e 25 anos, o que significa que as pessoas que eram mais novas quando o Blink estourou, estão agora levando seus irmãos mais novos aos shows. Blink é um fenômeno que se misturou com o estilo de vida do subúrbio de um modo que nenhuma banda fez. Poderia ser o novo Grateful Dead mas para um público diferente. Nós poderíamos viajar por aí e tocar para esses adultos jovens pelo resto das nossas vidas (risos) Eu não sei.

Eu não sei se esses fãs de 17-20 anos estão seguindo o ônibus de vocês por aí, mas eles estão acompanhando os passos pelo modlife. Você começou com ele há um ano, certo?

Nós estivemos construíndo ele por três ou quarto anos. É a simplesmente uma das coisas que eu mais tenho orgulho na minha vida, pois é realmente revolucionário. Nós temos várias maneiras de ajudar as bandas a, não só crescerem e ajudar no financeiro, mas também fazer o trabalho deles ficar mais interessante. E estamos seguindo em frente. Nós ainda temos umas 20 bandas pequenas na nossa lista, mas nós acabamos de lançar o Korn e o White Stripes. Temos alguns grandes artistas com a negociação em estágio avançado e estão na lista, mas não posso falar sobre isso. Claro que o AVA está nessa. O Blink não está lá, mas nós acabamos de voltar e não vamos forçar nada goela abaixo das pessoas, sabe. Nós criamos uma plataforma livre para os artistas e protege tudo que eles têm, mas os dá a chance de receberem inscrições, ganhar dinheiro com publicidade, pay-per-view, vendendo músicas, filmes, fazerem transmissões ao vivo, salas de chat interativas, festas e encontros VIP, vendas de ingressos. É louco. 8 em cada 10 fãs sempre continuam voltando. O nível de satisfação é enorme. Porque pela primeira vez, um artista pode pegar uma câmera de Idaho e falar para 10.000 outros fãs. Nós estamos muito contentes. Estamos conversando com a NASCAR, artistas de música country, poetas, autores e universidades que estão fazendo expedições. Acho que o Modlife tem uma grande chance de ser algo revolucionário. O artista acaba aproveitando 75% de cada dólar que ele ganha e eles não têm despesas, eles têm direito sobre tudo. Com certeza isso está irritando as gravadoras.

Falando no Blink, “Up All Night” está quase pronta, mas vocês não tem controle, se tocarem ela ao vivo, cairia no YouTube. Esse tipo de problema acontece com o modlife?

Quando você leva em consideração como um artista ganha dinheiro, percebe que são de várias formas. E uma dessas formas do artista ganhar dinheiro é quando seu material é reproduzido no YouTube, mas tentar juntar todo esse material é muito difícil. Modlife mantém tudo centralizado. Tudo está em sua própria página no site. Quando nós fizemos a música do Blink, estava quase finalizada, nós ficamos preocupados pois seria reproduzida em vários lugares e não teríamos controle sobre isso. E nós ficamos preocupados também, pois a primeira impressão não seria de que tivemos um trabalho duro para gravá-la. No estúdio você pode fazer algo realmente especial. Dois meio-termos: um é criar a arte, e o outro é divulgá-la. Eu sempre sinto que você deve anunciá-la depois que você a criou.

Você sente que escrever a música contribuiu para vocês, criativamente falando?

Acho que sim. A melhor parte foi cair na estrada e experimentar o que uma banda faz com as outras pessoas. A música está incrível, por falar nisso. Está provavelmente no entre as 3 melhores músicas que nós já escrevemos. Demais. Mas nós primeiro voltamos juntos e mostramos uns aos outros o que nós aprendemos e nos envolvemos e chegamos em um acordo, com certeza.

Você precisa dividir sua cabeça entre o Angels e o Blink? São duas metades agora?

É o que eu tento explicar para as pessoas. Eu estou inteiramente nas duas bandas, mas as pessoas acham que eu penso com duas personalidades. Eu leio livros sobre política, leio livros sobre história alternativa, eu estudo. São coisas que eu faço para me educar sobre o mundo a minha volta. Mas no meio disso eu conto piadas idiotas, fico maluco e ajo como um imbecil com os meus amigos. Não é como se eu estivesse com um cachimbo e usando uma gravata. Eu ainda gosto de piadas de pinto. É muito engraçado como as duas bandas são. Antes de um show com o Angels & Airwaves é muito diferente. Pessoas contam piadas como se estivéssemos em uma igreja com pessoas chorando, têm lasers e é super épico. Já com o Blink eu detono o Van Halen e fico muito bêbado e vemos o que acontece.

Há preocupação pelo fato de você estar envolvido em tantos projetos? Você se sente mais como um cara de negócios do que um artista às vezes?

Não, porque o legal é que eu tenho muitas pessoas comigo. O Modlife é operado por um dos caras que começou o “Guitar Hero” e o “Rock Band”. Tem várias pessoas legais administrando as coisas. Eu sou como um visionário, mas eu realmente sou um músico. É com isso que eu gasto a maior parte do meu tempo. Tenho algumas reuniões por semana onde eu posso contrubir, mas eu normalmente causo mais estragos do que ajudo. O Angels & Airwaves toma quase todo o meu tempo. Agora que o Blink voltou, nós só temos uma coisa em mente, e essa coisa é a turnê. Então veremos o que acontecerá após essa turnê para ver quais são os próximos planos. Estamos falando precipitadamente sobre a Europa, óbviamente estamos falando sobre o próximo album, mas tem que se encaixar na rotina de cada um, e todos temos nossas próprias coisas e elas não irão acabar, então temos que calcular tudo.

E o que há de novo com a Macbeth?

Bem, a Macbeth está indo muito bem. Nós fizemos tênis em parceria com o Mike Dirnt, do Green Day. Estamos muito animados em relação a ele. Eu tenho este novo que eu estive trabalhando no ano passado que se chama “The Brighton” e acabou de ser lançado. Levou anos para as pessoas entenderem que você pode criar uma companhia de calçados baseada em música e esta é provavelmente uma idéia tão esquisita quanto a idéia de criar uma marca de calçados esportivos chamada Nike (risos). Mas nós realmente prometemos fidelidade aos nossos modelos clássicos que nós criamos. Nós baseamos todos nossos calçados em coisas que os músicos amariam, ou pelo menos o nosso estilo de músicos. Dos Adidas Samba, ou o Converse Chuck Taylor. Coisas que os punks e músicos alternativos irão usar sempre. Nós fazemos coisas para bandas como Muse e My Chemical Romance. Nós fizemos um ótimo trabalho de caridade com eles. Temos artistas legais que trabalham junto conosco. Tegan & Sara, aquelas garotas do Canadá. As coisas delas são tão modernas. Nós somos pequenos, mas crescemos com a pior economia de todas. Estou muito feliz.

Tenho certeza que vocês têm um plano provavelmente para daqui uns 18 meses. Se você está conciente disso ou não, onde você se vê daqui 5 ou 10 anos?

Meu maior medo é de ter duas bandas gigantes (risos). Eu não conheço mais ninguém que tenha feito isso e isso me assusta, pois o que eu quero fazer é simplificar. Agora eu estou com 33 anos e tenho 2 filhos. Não tenho certeza… não sei. Em 5 anos eu vejo o Angels & Airwaves como uma banda de rock gigante fazendo tudo o que quisermos, do cinema à tecnologia e um monte de coisas diferentes, artísticas e ambiciosas. Essa banda será pioneira. Com o Blink, se nós fizermos o álbum direito, nós poderemos lotar estádios. Essa turnê prova isso. Eu realmente acho. Talvez não, mas pra mim parece que esse é o caminho. Mas terá que ser um álbum bom, e nós temos que nos focar nisso. Então eu acho que nos próximos 5 anos, eu poderia ter essas duas coisas que serão monstruosas, mas ao mesmo tempo serão igualmente gratificantes. Sabe, eu realmente não sei. Eu te chamo daqui 5 anos e te conto (risos).