Entendendo ‘The Dream Walker’: Tom DeLonge e Ilan Rubin respondem perguntas dos fãs

Autor Por Isabela Rachide em 18/12/2014

tom delonge e ilan rubin

Acaba de ser lançada a segunda parte da entrevista que o Angels & Airwaves concedeu ao fórum oficial da banda, The AVA Movement. Tom e Ilan respondem mais duas perguntas dos fãs, contextualizando o conceito do projeto Poet Anderson e explicando como foi trabalhar sem seu “quinto membro”, Jeff ‘Critter’ Newell.

Se você ainda não leu a primeira parte, clique aqui!

Alvays10791 pergunta: “Nos outros álbuns a banda sempre teve seu engenheiro de som Critter ajudando no estúdio. Como tem sido trabalhar sem a influência dele? E o que aprenderam com ele e utilizaram em ‘The Dream Walker’?”

Tom: Quando Critter faleceu foi muito difícil, pra mim, voltar pro estúdio. Isso por alguns motivos: o Ilan apareceu e eu ainda não sabia como me comunicar musicalmente com ele, e também havia seu irmão Aaron, que eu sabia que era muito talentoso, mas ainda não conseguia conversar com ele no que dizia respeito à gravação e à engenharia de som. Foi complicado resolver isso.

O que eu sabia, no entanto, é que Aaron e Critter são parecidos em relação ao que gostam e o que os ouvidos deles querem ao gravar instrumentos. Uma coisa na qual acho que Aaron é ainda mais qualificado que Critter – e demorou algum tempo até eu admirar e me sentir confortável com essa qualidade – é que ele adora as coisas às quais eu e Critter sempre fazíamos referência, como coisas dos anos 80 e final dos 70.

Nós sempre tentamos nos inspirar através de coisas diferentes, mas Aaron gosta do que nós gostamos e gosta do que é mais moderno também, de coisas que estão acontecendo agora. E ele sabe pegar isso e aplicar muito bem, o que é algo que eu nunca tive com o Critter. É uma ‘caixa de ferramentas’ diferente, porque Critter era mais velho que eu, então ele gostava de coisas mais antigas. Aaron reúne tudo o que conhecemos de forma muito relevante.

Mas acho que, mais do que isso, Aaron foi um ótimo ‘tradutor’ entre mim e Ilan. Eles são irmãos, e Aaron entendia bem aonde Ilan queria chegar com suas ideias, e agora ele também entende as minhas ideias. Ele está bem ali, se escondendo nas sombras, então não quero elogiar ele demais (risos).

Ilan: Daquela vez em que tive meu primeiro encontro com Matt (Wachter) e David (Kennedy), também encontrei o Critter. Ele estava mixando “Saturday Love”, para a segunda parte do álbum Love. Eu só o encontrei uma vez, mas ele parecia um cara bem legal.

Tom: Critter era meu parceiro para escrever músicas, apesar de não tocar instrumentos. Mas a transição tem sido ótima. Acho que o que conseguimos nos últimos 24 meses demora uma década para bandas em geral, no que se refere a iniciar um processo de criação de músicas e criar uma identidade completamente nova, uma nova ‘paleta’ de possibilidades. E isso é muito legal.

Nós poderíamos facilmente, muito facilmente, voltar e escrever outra música como “The Adventure” se quiséssemos, e muitas pessoas ficariam “oh, é o velho Angels & Airwaves!”. Mas ainda é (o velho AVA), e isso seria a coisa mais fácil de fazer. A mais difícil foi não perder muito disso e ainda descobrir novas opções de texturas e cenários pra utilizar nas músicas. As pessoas não precisam se preocupar, porque acho que vamos voltar e revisitar aquele estilo de som depois de darmos um ‘descanso’ a ele.

Ilan: Além do mais, as pessoas ainda não ouviram 70% do álbum [Nota do Tradutor: a entrevista foi realizada em Novembro], então tenho certeza de que elas vão perceber alguns desses elementos familiares nas músicas. Antes de tudo: é difícil tirar uma conclusão com apenas três músicas, principalmente quando nosso objetivo era adiversidade. Quando você ouvir o álbum em contexto, e ouvir como tudo se relaciona com tudo nele, acho que a ideia que estávamos buscando ficará bem mais clara.

Tom: Quando você ouvir “Tunnels”, quando você ouvir “The Disease”… qual era o nome da primeira música? Era “The Mercenary” ou “Mercenaries”?

Ilan: Ainda não sei…

Tom: Bom, nós tínhamos um título de trabalho pra essa também, era “Crescendo”, porque a música…

Ilan: Não era “Teenagers & Rituals”?

Tom: …Nós fomos com esse? Ah… ah sim, caralho, esse é o problema, nós mudamos vários títulos na masterização. “Teenagers & Rituals”, a primeira música no álbum, tem um som bem AVA mas com uma base muito mais evoluída. São os mesmos tipos de sons atmosféricos, mas feitos de um jeito mais raivoso e mais cru, e de forma mais adulta. Acho que é isso que as pessoas precisam ouvir, é como o Ilan disse, tem partes que você vai ouvir e se lembrar de elementos antigos.

Mas nós propositalmente lançamos músicas que funcionavam como nossas músicas antigas. Esse foi o motivo pra lançarmos elas. Então já se esperava essa reação das pessoas, o jeito que estão reagindo e comentando. É o que queríamos.

Doofy102 pergunta: “Se ‘We Don’t Need to Whisper’ era sobre mudar a si mesmo pra melhor, ‘I-Empire’ era sobre encarar o mundo, e ‘Love’ era sobre conexão humana… o que vocês querem que os ouvintes entendam e absorvam de ‘The Dream Walker’?”

Tom: Essa é uma pergunta muito boa. Com esses discos o principal meio midiático era o álbum. Então veio o filme [Love], fizemos a segunda parte do álbum junto com ele, trabalhamos na partitura do filme, fizemos algumas músicas, mas nesse projeto temos tantos tipos de mídia diferente, como novelas e gibis e o filme, que eu não estava concentrando em um tema lírico só.

Desse projeto podemos tirar duas coisas: a primeira é que, para o álbum, eu não ia ficar preso em uma caixa, pensando “ok, essa música vai ser sobre sonhos”, já que todo o projeto é sobre sonhos. Eu queria que as músicas fossem identificáveis com uma cultura, com o tipo de pessoas que somos, de onde viemos, o tipo de música que gostamos e o tipo de pessoas com as quais convivemos.

Então no Angels & Airwaves existe um tipo de tribo, de onde essa banda surgiu. Isso é uma abordagem em algumas músicas, “Bullets in the Wind” faz referência a isso; Tem um som meio pós-punk, e fala sobre uma época na qual o rock n’ roll era elevado a um ponto mais alto do que é hoje.

A outra coisa a se extrair do projeto Poet Anderson é a ideia de que você pode ser um sonhador, e fazer da sua vida o que você quiser. Acho que muitas pessoas ficam tipo “preciso ir pra escola, ter um trabalho, e é assim que funciona”. Mas acredito que esteja acontecendo meio que um movimento espiritual entre jovens adultos que é relevante ao conceito, no sentido de que, se você pode imaginar algo, você pode criar essa experiência para si.

Pra mim é isso que os sonhos são, sonhos lúcidos e passar metade da sua vida dormindo… existe uma física completamente diferente nisso tudo. Metade da sua vida se passa nesse mundo onde tudo é possível, mas ainda é parte da sua vida. Não deixa de ser parte dela só por você estar dormindo. É parte da experiência humana. Portanto, pra mim, a ideia de trazer alguns desses princípios para a sua vida diária é muito interessante. Eu gosto da ideia.

Eu vi algumas pessoas tatuarem “Love”, e isso é muito legal, por ser sobre conexões interpessoais. Se as pessoas tatuarem a palavra “Poet”, isso vai significar que elas são sonhadoras, que vão fazer algo de interessante com a existência delas. Isso seria o que eu imagino. Ainda temos que ver se conseguiremos transmitir isso de maneira correta.

Os administradores do fórum revelaram que a entrevista foi divida em seis partes, e não em cinco, como informado anteriormente. Fique atento para a próxima parte!

Tradução: Felipe Deliberaes