Alternative Press relembra os 15 anos do Enema Of The State

Autor Por Danilo Guarniero em 29/05/2014

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Sim, o Enema Of The State faz 15 anos em 2014! E a Alternative Press lembrou desse marco ao homenageá-lo com uma matéria especial em seu site com depoimentos de diversos músicos inspirados pelo blink-182 sobre o que esse disco representa na vida de cada um deles, da “nova geração do pop punk” representada pelo The Story So Far, Neck Deep e Real Friends, até o vocalista do Yellowcard, entre outros. Leia a tradução completa logo abaixo e, depois de se inspirar na história de cada um, conta pra nós nos comentários o que o Enema significa para você =)

Boa leitura!

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Depois que o blink-182 recebeu disco de ouro com seu Dude Ranch (1997), o trio do sul da Califórnia entrou numa encruzilhada: romper com o baterista Scott Raynor e continuar lucrando com o sucesso relâmpago ou sumir no limbo dos one-hit-wonder (bandas que emplacam apenas uma música de sucesso e são esquecidas), tornando-se apenas uma nota no rodapé da história do pop punk. Optando pela primeira opção, Mark Hoppus, Tom DeLonge e o então recente baterista Travis Barker fizeram uma mudança sem volta na cena do rock mainstream quando slançaram, em 1999, o Enema Of The State. Desapareceram as músicas super sérias e pesadas geralmente ouvidas em rádios de rock alternativo e estas foram substituídas por faixas mais amenas, um pouco perversas que serviram de trilha sonora para a jornada de diversos jovens no caminho através da adolescência e de sua revolta. “Esse disco mudou nossas vidas,” Hoppus proclamou enquanto conversava com fãs no Reddit em 2013, e como ele não disse com certeza, é difícil imaginar se ele estava falando estritamente em nome de toda a banda ao fazer tal afirmação.

Aqui, membros do the Maine, the Story So Far, Have Mercy, Mayday Parade, Such Gold, Real Friends, Yellowcard e Neck Deep refletem a respeito do álbum que lançou o pop punk para o mainstream de uma vez por todas.

“Eu tinha 11 anos e lembro de pensar ‘Uau, minha mãe vai odiar isso’. E eu amei. Eu mal podia esperar para colocar as mãos na minha cópia física. Meu primo comprou pra mim, daí eu consegui burlar o controle de censura para menores (Parental Advisory). Acho que ouvi por um ano inteiro sem parar. Depois de um tempo, era o único disco que eu realmente me importava, ouvia demais. As músicas eram tão fáceis de aprender na guitarra quando eu era pequeno. Foram literalmente as primeiras músicas que eu aprendi a tocar do começo ao fim. Foi uma coisa e tanto para mim naquela época. Quando eu olho para trás, vejo que me ensinou como estruturar uma música, me ensinou a importância que um bom refrão tem. Será para sempre o único disco que me deu um socão na boca e ainda me fez sentir incrível. Foi o mais próximo que nós conseguíamos chegar de nos sentirmos os pequenos punks vivendo em nossa vizinhança nos subúrbios. Voltar no tempo e ver o grande alcance que isso teve é de explodir a cabeça. Toda vez que eu falo sobre o que me fez querer tocar música eu cito o blink-182. Faz muito tempo que eu não ouço pop punk de verdade, mas a realidade é que eu devo muito a esse estilo porque sem o Enema Of The State, vai saber qual seria o primeiro disco que teria marcado minha vida.”
—Jacob Monaco, The Maine

“Acho que as composições e a produções no Enema foram coisas que mudaram as coisas para mim. Eu vi o blink-182 em um clube de porão em Jacksonville, Florida, quando eu tinha 16 anos e eles estavam fazendo a turnê do Cheshire Cat. Daí, por algum motivo, eu não ouvi muito o Dude Ranch tirando quando tocava ‘Dammit’ nas rádios. Nem sei o motivo. Mas quando eu ouvi o quão incrível e épico o Enema era pela primeira vez, minha mente estava em pedaços. Definitivamente me fez querer ser um compositor melhor e fazer discos mais grandiosos.”
—Ryan Key, Yellowcard

“Lembro de estar na casa do meu amigo Kyle na sexta ou sétima série, e nós jogávamos videogames e ele deixava rolando discos que iam desde Toxicity (System Of A Down) até Sticks And Stones (New Found Glory). Um dia ele me mostrou o Enema of the State e acabou o jogo. Era legal pra caralho de ouvir. Eu me apaixonei tanto pelo disco e pela banda que comprei um baixo para poder tocar enquanto ouvia. Digo com segurança que eu não teria começado a tocar em bandas se não fosse por esse disco. Sinceramente, acredito que ele passa no teste de relevância com o passar do tempo e das gerações. Eu conseguia relacionar esse disco com a minha confusão, curiosidade, a atitude relaxada e coração leve quando eu era jovem, e eu não me sinto diferente disso agora. O disco mostrou pra todo mundo que você pode estar em uma das maiores bandas do mundo e ainda agir de bobeira e se divertir muito fazendo isso. O Blink mostrou que você não precisa ser o roqueiro fodão pra estar onde estão. Isso abriu caminho pra várias bandas irem lá e fazer um som com diversão e honestidade. Já tava na hora de acabar com essas baboseiras na indústria musical e o blink-182 deixou as coisas um pouco mais leves.”
—Dan Lambton, Real Friends

“Minha missão não era somente aprender todas as músicas daquele disco, mas também tudo que eles tinham lançado até então, mas por causa do Blink, eu sou um músico melhor. Eu ainda toco em uma bateria da Orange Country por causa do Travis. Eu ainda vejo esse disco como o favorito de todos os tempos, mas agora que eu estou mais velho e entendo mais sobre compor e tocar, é legal ouvir e notar quais foram as decisões que eles fizeram e entender como e porque o disco me leva para uma jornada incrível e louca. Era exatamente o que a cena pop punk precisava naquele momento.”
—Doug Court, Sirens And Sailors

“Eu tinha uma espécie de rádio da Fisher-Price e eu ficava basicamente trocando de estações de rádio até que ‘All The Small Things’ tocava, porque essa era minha música favorita. Era muito pegajosa. O engraçado é que eu era muito novo, porque na quarta série você tem quantos anos? 7? Então, obviamente meus pais não iriam comprar um disco com aquela capa e um adesivo de aviso aos pais. Um amigo meu não tinha muitas regras com seus pais, então eu ia na casa dele e ouvia o disco. Eu estava vivendo indiretamente através dele. Nessa época foi quando eu peguei a guitarra. Era fácil chegar e tocar as partes da música enquanto ela rolava. Finalmente eu tinha achado uma banda que curtia a sonoridade e que ao mesmo tempo eu conseguia tocar na guitarra, e isso me ajudou muito a desenvolver minha técnica. Acredito que esse seja o álbum mais importante da carreira deles. Como eu era muito novo, não tinha nenhum outro jeito de chegar a músicas daquele estilo se não estivessem tocando nas rádios. Eram uma das maiores bandas na época o Green Day, Blink-182 e Weezer. Esse disco realmente os colocou naquele escalão. ele basicamente pegou a música punk e, pela primeira vez, realmente fez isso ficar popular.”
—Kelen Capener, the Story So Far

“Lembro de gostar da qualidade nasal da voz de Tom DeLonge porque a minha voz é tão nasal e eu gostava dela. E eu tinha acabado de começar a curtir Green Day, então era meio que na mesma linha. Foi muito bom ouvir coisas com as quais eu pudesse me identificar porque isso era uma sensação nova para mim. Isso me influenciou a não fazer nada a respeito do tom nasal da minha voz — me fez pensar que era mais aceitável. Sem contar que abriu as portas para uma nova geração de bandas punk que me influenciaram.”
—Jon Markson, Such Gold

“Eu vi o clipe de ‘What’s My Age Again?’ e disse pra minha mãe que tinha que ir comprar aquele disco naquele dia, então nós fomos até um WalMart e eu comprei. Desde o dia em que eu os vi ao vivo e o Tom estava tocndo uma Stratocaster do lado esquerdo do palco, eu sempre toquei guitarras da Fender ou afins e sempre toquei do lado esquerdo do palco. Ele é um dos guitarristas mais subestimados de todos os tempos. Acho que o Enema e o Something To Write Home About (The Get Up Kids), que veio mais ou menos na mesma época, são as melhores coisas que poderiam acontecer para um estilo musical. Quero dizer, venderam 5 milhões de cópias pelo mundo, então trazer o pop punk para o mainstream é algo gigantesco. Tá junto com o Dude Ranch como o melhor álbum deles. Mesmo que esse não tenha sido tão mainstream, ainda assim é um dos melhores deles.”
—Andrew Johnson, Have Mercy

“Lembro de ter ganho o CD no Natal, e eu ganhei meu primeiro iPod naquele ano também. Passei o dia inteiro imaginando quando eu iria conseguir colocá-lo no meu iPod para ouvi-lo. Foi tudo o que eu escutei por pelo menos alguns meses. Simplesmente me deixou maravilhado. Eu conhecia um pouco daquele estilo musical, mas eu ouvia aquele álbum e ficava, ‘Isso é a melhor coisa que eu ouvi na vida. Como pode?’ Era muito legal. E foi também provavelmente um dos mais influentes para mim, musicalmente falando. Eu queria ser como eles, queria fazer o que eles faziam. Moldou o jeito que eu toco, assim como o jeito como eu componho. A primeira coisa que você realmente se identifica, a primeira coisa que permanece em você, vai moldar como você compõe no futuro. O fato é que esse disco foi uma das primeiras coisas que eu gostei de verdade, e é assim que eu acabei fazendo o que faço hoje. O tipo de música que eu mais ouço ainda hoje é pop punk. Eu gosto de muitas coisas, mas esse é um gênero que eu nunca vou conseguir não gostar. E essa banda foi literalmente a maior influência que eu tive. Acho que toda a época em que aquele disco foi lançado definiu o blink-182. Mesmo que hoje eles componham músicas mais maduras, aquela é a era que os definiu”
—Fil Thorpe-Evans, Neck Deep

“Eu tinha 13 anos quando esse disco saiu. Meus irmãos tinham um boom-box e nós ouvíamos as músicas no rádio, gravando as que mais gostávamos numa fita cassete.  ‘What’s My Age Again?’ era uma música que sempre ouvíamos em fita, e eu nem sabia quem tocava. Quando eu descobri, comprei o disco e me apaixonei. Foi uma das primeiras bandas de pop punk que me inseriram nesse mundo. Antes disso, eu ouvia muito do que tocava no rádio, eram bandas alternativas ou de rock. Depois de ouvir blink-182 eu comecei a conhecer bandas como New Found Glory e Saves The Day, e isso mudou totalmente minha direção musical. Eu sinto que eles foram a última banda de rock grandiosa. Não houve uma banda desde o blink-182 que impactou tanto quanto eles. O engraçado é que recentemente, uns dois meses atrás, sem nem me tocar que o aniversário do disco estava chegando, eu comprei o Enema Of The State no iTunes e ouvi novamente para escutar essas músicas que eu não pensava nelas há um bom tempo, e isso foi absolutamente incrível.”
—Derek Sanders, Mayday Parade