Em entrevista para a Noisey, Travis Barker conta o significado de suas tatuagens

Autor Por Danilo Guarniero em 17/11/2015

Me-and-Pops-courtesy-of-Estevan-Oriol

Confira abaixo uma entrevista que Travis Barker deu recentemente para o site Noisey, onde falou sobre suas tatuagens, sobre a relação sua relação com seu pai, sobre drogas religião e veganismo:

Vamos começar do começo. Antes de ter qualquer tatuagem, você cravou o nome da sua namorada na sua perna, certo?
É, eu tinha uns 10 ou 11 anos. O nome dela era Toni e eu fiz isso com uma gilete. Acho que acabou sendo coberta com outras tatuagens. Mas você já deve ter feito isso, né?

Não, Travis. Eu escrevia o nome delas em poemas ruins e nas carteiras da escola.
Bom, é provavelmente uma opção melhor. Eu, na verdade, só tive o nome de duas garotas tatuadas – as que eu me casei [Melissa Kennedy e Shanna Moakler]. A tatuagem com o nome da Shanna ainda está aqui. Ainda não sei se vou cobri-la, mas já pensei sobre isso.

Você estrelou um reality show chamado Meet The Barkers com a Shanna, e ele durou apenas 16 episódios. Apesar disso, provavelmente teve um grande impacto na sua privacidade.
Isso nunca me incomodou. Eu não estava fazendo nada que não faria no dia-a-dia da minha vida normal, ou que eu tivesse medo que fosse exposto. Era a realidade mesmo, não tinha ninguém seguindo um roteiro ou algo assim. Não era um problema até que eu percebi que meu relacionamento com a Shanna estava comprometido. Não sei se foi o programa ou a pressão do relacionamento, mas eu sei onde eu estava e que deveria partir. Mas tinha que terminar o programa antes de ir embrora. Não me arrependo, só aprendi com isso. Sinceramente acredito que de qualquer maneira a gente não ia dar certo juntos. Somos pessoas muito diferentes.

Uma das coisas mais legais do livro é quando você e seu pai tatuam a palavra “Pal” [que é como Travis e seu pai se chamam desde que Travis era criança] 
Foi engraçado, porque quando eu estava crescendo ele disse “se você um dia fizer uma tatuagem eu vou te expulsar de casa.” Mas 20 anos depois, ele fez umas tatuagens. É incrível. Minha mãe morreu quando eu tinha 12 anos, então meu relacionamento com ele é muito importante. Ele trabalha ao meu lado, me ajuda a pagar contas, me mantém organizado. Falo com ele todas as manhãs, sem falta. É sempre bom ter seu pai lá para te manter com os pés no chão.

Tem uma passagem onde seu pai diz para o tatuador, “essas são as últimas que você vai fazer em mim. Eu não ligo para o que vão dizer. Isso dói.” Fazer tatuagens ainda dói em você?
A dor não me incomoda mais. Eu me acostumei. Quando dizem que não dói nada é mentira, dói sim. Mas eu sempre estive no meio de tatuadores, então eu entrava nos estúdios esperando por um horário livre e pulava na cadeira. Eu queria muito fazer tattoos, então não ia adiantar chegar na hora e choramingar. Eu via as pessoas fazerem isso no estúdio e o povo comentava. Não é uma boa reputação. Sempre fui criado para ser durão: apenas calar a boca e aguentar.

Qual foi a mais longa sessão que você já fez?
Acho que 12 horas. Foi o escrito “Cadillac” na minha costela, de cima a baixo. Era um dia que eu estava puto, então eu meio que queria isso. O cara me perguntou se eu tinha certeza – era bem grande, com grandes letras e sombreados. Minha caixa torácica sangrava, mas foi divertido. Nesses dias em que você estiver puto, são 12 horas pra sentar lá e ter alguém te machucando.

Você tem alguma tatuagem do blink-182?
Não, eu não tenho. O que é meio estranho.

Mesmo que, para a maioria das pessoas, o Blink-182 seja a coisa pela qual você é mais conhecido, no livro parece que é a coisa menos significante das coisas significantes na sua vida.
Eu poderia ter escrito um livro inteiro sobre o Blink. Quando comecei a escrever, Mark, Tom e eu estávamos mesmo falando sobre fazer um livro oficial do blink-182, o que teria sido legal. Acho que seria meio tosco escrever um livro inteiro sobre eles porque teria só meu lado da história. Então fui bem neutro. Não falei mal de ninguém. Mantive como uma parte da minha vida. Pra mim, o Blink foi uma grande parte da vida, mas eu tinha tatuado “Self-Made” nos punhos antes de fazer parte de uma banda chamada blink-182. Transplants foi uma grande parte da minha vida. Tudo foi. DJAM e nosso projeto TRV$-DJAM foi tão importante quanto. Tudo foi igualmente importante pra mim.

Você não menciona o Tom nos comentários finais, apesar de mencionar o Mark.
Eu ferrei tudo. Esqueci de colocar e meu editor também, então vou ter que acertar isso na próxima edição.

Durante o livro, você descreve seu acidente de avião em 2008 e a recuperação. Você perdeu várias tattoos nele. 
Todas as tatuagens foram apagadas da minha perna e a pele das minhas costas teve que ser removida para cobrir outras partes queimadas do meu corpo. As minhas primeiras tatuages sumiram. Uma delas estava escrito “bones”, meu apelido na adolescência porque eu sempre fui muito magro. Uma outra com o símbolo da banda Dag Nasty, banda de hardcore que eu amava e ainda amo, também – a tatuagem “Can I Say” no meu peito veio de um disco deles.

family-over-everything-courtesy-of-Clemente-Ruiz

Agora você tem uma grande tatuagem da sua família nas costas.
Sim, prestei uma homenagem à minha família. Retratos da minha mãe e do meu pai, e meus dois filhos – Landon e Alabama. Eu fui tatuado pelo Franco Vescovi e Chuey Quintanar ao mesmo tempo por sessões de 10 horas. Fizemos umas quatro ou cinco sessões.

Após o acidente, eu e o DJAM fizemos um show e eu tirei a camiseta. Um idiota tirou uma foto das minhas costas dizendo “olha as queimaduras nas costas dele.” Mexeu comigo um pouco. Então eu pensei em tatuar as costas. Não que eu tenha vergonha das cicatrizes: elas são como uma grande tatuagem pra mim. São parte da minha história, mas fazer uma grande homenagem dessas nas costas foi sensacional. Acho estranho quando as pessoas têm tatuagens na cara ou na cabeça, mas não nas costas.

Você tem umas tatuagens bem distintas na cabeça.
Tem a máscara do Transplants atrás, uma escrito “one life, one chance”, uma mão rezando que fiz com o tatuador Mr Cartoon quando eu tinha 19 anos. Tem uma rosa que fiz com Chouey e, no topo, a Virgem Maria.

Quão religioso você é? Tatuar a Virgem Maria na cabeça é uma grande afirmação.
Quando tatuei a Virgem Maria na cabeça eu tinha uns 19. Eu fui criado em ambiente católico. Eu rezo, acredito em Deus. Definitivamente, acredito que eu sou abençoado e estou aqui por um motivo depois de ser o único sobrevivente de um acidente de avião. Eu não vou à igreja todos os dias e não empurro minha religião para as outras pessoas. Mas acredito em Deus e rezo, assim como meus filhos também rezam.

Suas crenças aumentaram após o acidente?
Ah sim, com certeza. Eu sofri muito com culpa de sobrevivente no começo. Enterrei dois dos meus melhores amigos e os pilotos que morreram. Eu nem conhecia os pilotos, mas me afetou. E quando o AM morreu, eu tive que lidar com isso. Muitos me disseram apenas para ser feliz por estar aqui, mas era uma luta. Era como uma crise de identidade: “Era pra eu estar aqui ou era pra ter morrido? Foi um engano?” Eu obviamente nunca subestimo minha vida agora, mas também não fico mais sentado pensando se eu deveria ter morrido no acidente. Tem dias que eu até esqueço. Felizmente. Mas também tem dias que não consigo esquecer, aí é bem ruim.

Tem uma parte incrível no seu livro onde você confessa que, por causa do seu vício em remédios, os anestésicos não funcionaram em pelo menos 12 das suas cirurgias, e que você sentiu tudo. Você devia tomar muitas pílulas mesmo.
É. Acho que as pílulas com prescrição são mais populares do que as pessoas pensam. São drogas que ninguém consegue notar que você tomou. Dá pra esconder de todo mundo, isso que era bom. Eu nunca usei drogas como heroína; eu me vicio fácil em tudo que começo. Eu teria morrido depois de um ano se tivesse entrado nessa. Mas as pílulas eram meu maior demônio.

E você fumava muita maconha.
Exato, era louco o quanto eu abusava disso. Era tipo 20 ou 30 baseados por dia. Eu sinceramente achei que fumaria até os 90 anos, se eu não tivesse levado um susto com o câncer [células pré-cancerosas foram descobertas em seu esôfago]. Mas as outras coisas que eu falou – as pílulas, oxitocina, fumar fenciclidina. Essas paradas não são boas.

Largar a maconha deve ter te dado alguns pesadelos horríveis depois de uns 20 anos fumando desse jeito. 
Ah, cara, terrível. De tudo, parar de fumar maconha e tentar me livrar do xarope de prometazina foram duas coisas difíceis.

vegan-restaurant-tatoo

Além de se livrar das drogas, agora você é vegano. Você até investiu em um restaurante vegano chamado Crossroads, do qual tem até uma tattoo.
É, são duas facas cruzadas. Fiz essa no primeiro ano de abertura do restaurante. Eu não sou um vegano psicótico, indo no Sea World para protestar ou agindo loucamente. Mas eu nunca gostei da ideia de comer animais. Quando eu tinha 10 ou 11 anos eu percebi de onde o presunto vinha, ou a carne do hamburger. Eu nunca gostei da textura, mesmo, então quando eu descobri, nunca mais quis comer de novo. Eu fui vegetariano por anos, e então a evolução natural foi ter me tornado vegano. Depois de ter que comer carne no hospital eu saí de lá sem querer comer nada que viesse de animais de novo.

Como isso funciona com seus filhos?
Meus filhos são veganos parte do tempo. Landon às vezes come carne quando está com a mãe dele. Tipo, não dá nada, sabe. Ser exposto a essa cultura vegana é bom, é uma coisa positiva. Mas se eles quiserem continuar se alimentando assim quando crescerem, ou não, aí depende deles.

Falando nos seus filhos, eles já fizeram alguma tatuagem em você?
Sim, eles têm uma parte na minha perna onde podem tatuar qualquer coisa que quiserem. Landon já fez uma cruz com o nome dele e as letras L e A. Alabama fez um coração. Ainda tem bastante espaço sobrando, vou ter trabalho pro um tempo.