blink-182 na Billboard (parte II)

Autor Por Danilo Guarniero em 11/10/2011

Leia abaixo a segunda parte da matéria da Billboard cuja capa é do Blink-182. Caso você ainda não tenha lido a primeira parte, clique aqui.

O grupo anunciou sua reunião no Grammy Awards de 2009, e Mark Hoppus disse que os três integrantes concordaram que o Blink-182 deveria fazer turnês e resgatar um bom relacionamento antes de criarem novas músicas. Com preços entre 20 e 70 dólares e bandas como Weezer e Fall Out Boy servindo de apoio, a tour norte americana de 2009 esteve focada em anfiteatros e visitaram apenas 6 arenas nos 41 dias relatados para a BillboardBoxscore. De todas as datas, a banda conseguiu esgotar os ingressos 22 vezes e somou 2.1 milhões de dólares. Comparativamente, a turnê de verão de 2010 do Blink-182, seguiu o lançamento de 1999, do álbum mais bem sucedido da banda, “EnemaoftheState” (4.5 milhões de discos vendidos, de acordo com Nielsen SoundScan), taxado entre 20 e 25 dólares os bilhetes, visitando 15 arenas durante 30 dias relatados, vendendo 80% dos ingressos e faturando 7 milhões de dólares por toda a turnê.

Embora a banda tenha feito um grande negócio com a turnê de seus maiores hits, a idéia sempre foi de voltar com novas músicas, de acordo com Rick DeVoe, gerente do Blink-182 desde 1993. “Pareceu ser a coisa certa”, ele disse, “para mostrar aos fans, ‘Estamos voltando, vai levar um tempinho, mas nossos planos é gravar e fazer uma turnê do disco alguns anos depois’”

Gravar um álbum provou ser um pouco mais trabalhoso que organizar uma turnê de retorno. Ao invés de tentar achar um substituto pra Finn, o qual Mark diz ser “o quarto membro invisível do Blink-182”, o grupo resolveu produzir por conta própria o disco, fazendo o trabalho principalmente em estúdios caseiros. “Neighborhoods” foi gravado entre a turnê americana e a europeia em 2010, com o esforço dos membros. DeLonge lançou um novo álbum do Angel &Airwaves, chamado “Love” em fevereiro de 2010. Hoppus se tornou o âncora do canal Fuse, com “Hoppuson Music” em setembro do mesmo ano. Barker lançou seu ‘rap-centric’, álbum solo de estreia, “GivetheDrummer Some” (Interscope) em março de 2010, antes de chamar Lil’ Wayne para sua turnê de 2011.

Infelizmente, a autonomia do estúdio da banda e projetos pessoais interromperam o processo de gravação. “Estávamos trabalhando em nossos próprios estúdios, então não foi a pressão do orçamento do álbum” disse Hoppus. Em abril passado, a banda divulgou que não queria fazer “mais uma turnê dos maiores sucessos”, adiando a turnê europeia de 2011 para o ano seguinte, a fim de finalizar o novo álbum. “Eles estavam ganhando força com a gravação”, disse o chefe da Interscope A&R Martin Kierszenbaum, o qual atuou como consultor do álbum. “Eles se sentiam muito bem e estavam se divertindo novamente, eles queriam terminar o álbum”.

Mesmo assim, a marca definiu a data de entrega do novo disco para 31 de julho. “Geffen estava um pouco preocupada com a volatilidade do Blink”, disse DeVoe. “Existia muitos rumores correndo pela internet: se o Blink iria mesmo grava o álbum, ou estariam marcando uma turnê da reunião do grupo , que seja. Eles tinham que dar uma data concreta que diria “Vocês terão que entregar isso até tal dia, ou se não haverá penalidades”.

Enquanto Dennehy não quis contar as especificidades do contrato do Blink com a Interscope e qual parte a banda receberia de “Neighborhoods”, ele nega qualquer ultimato financeirono caso de atraso para a entrega do novo material.

“É algo que costumamos fazer para ajudar no processo criativo. Você trabalha focado num prazo e espera cumpri-lo” diz. Entretanto, Hoppus diz que a banda não esperava ser dado uma data de vencimento. “Nós o queríamos”, diz. “A gente precisava disso, já havíamos perdido muito tempo na gravação que realmente tivemos que adiar a turnê europeia. Não queremos adiar outra turnê, queremos o disco pronto”.

A situação representada pelo Blink foi outro fator que fez com que “Neighborhoods” fosse um lançamento mais difícil que os 5 anteriores da banda. Um resultado da separação do grupo em 2004 foi cada membro contratar seu próprio advogado, e enquanto DeVoe ainda gerenciava o grupo junto com Chris Georggin, Paul Rosenberg (mesmo produtor do rapper Eminem) e Lawrence ‘LV’ Vavra, da Deckstar Management, ambos serviam para a representação de Barker para o Blink-182 depois de supervisionar o lançamentode “GivetheDrummer Some”.

“Nossa banda opera um pouco diferente agora, porque temos todos esses diretores e advogados diferentes” diz DeLonge. “Todos nós voltamos juntos atrás e dissemos, ‘Hey, vamos fazer isso!’ Mas agora com 50 pessoas envolvidas, é horrível.” Dennehy comenta sobre a direção do grupo: “É muito mais gente para obter aprovação, mas depois de obtê-la, você está completamente certo que você a tem”.

Para DeVoe, entretanto, é mais sobre a não adequação de uma grande marca com o Blink-182. Depois que a bandasubiu na hierarquiadaBoberglideradaJayMCA Recordsnoiníciodo século, Geffen absorveu MCA em 2003 e ‘publicou’ o Blink naquele ano. Enquanto DGC permanece com bandas de rock como RiseAgainst, theAll-American Rejects e All Time Low, a Interscopevem cortando muito abaixo seu departamento de rock desde o lançamentodo último álbm do Blink, dizem as fontes.

“Há algumas pessoas maravilhosas que tenho sorte de trabalhar na marca, mas não sei qual [Blink-182] futuro teremos” diz DeVoe. “Eu olho para o setor do rock e, honestamente, não consigo dizer que estamos com uma marca”. Não temos as relações que costumávamos ter, se você entende. Estávamos sempre em reunião com presidentes, A&R, todo mundo. Agora são muito poucos e distantes entre conversas e encontros. E alguns não existem mais.

Dennehy diz que a Interscope pretende manter uma relação amigável com a banda após “Neigborhoods”. “Estamos trabalhando para o lançamento do novo álbume estamos felizes que eles estão trabalhando juntos novamente” ele diz. Enquanto isso, Hoppus não expressa qualquer descontentamento com a situação atual da banda, e Barker diz que não há nenhuma ‘história de horror’ em relação ao lançamento.

Mas DeLonge diz que ele espera que a banda publique novos álbuns através de um serviço como o Modlife. Um site que partilha trabalhos, o qual Tom ajudaou a fundar em 2008. Modlife é uma plataforma social que artistas postam músicas, vídeos e blogs em microsites no interior de outros sites, e decide que conteúdo deve ser público e quais devem ser pagos pelos membros do site.

“Modlife é como se você fizesse parte de um fan clube, uma marca de gravadora, e uma companhia de propaganda com uma multimilionária peça de tecnologia e você disponibilizou a uma banda de graça, e você compartilha trabalhos” diz DeLonge. Bandas como Korn, ForevertheSickestKids e a de DeLonge, Angels&Airwaves estão entre os perfis com mais membros do site. Blink-182 seria a próxima? “Meu objetivo seria que sim” diz DeLonge.

Assim como DeLonge pondera um ‘futuro independente com amigos’ para o futuro da banda, Blink-182 se aproximou dos patrocinadores, lançamentos de músicas e mídia social incorporada no lançamento de “Neighborhoods” com uma pura atitude punk. Afinal, diz Against Me! vocalista e recente companheiro de turnê, Tom Gabel, o trio ainda é um bando de garotos levados, e o cenário punk ainda os inclui.

“Eles lotam arenas e tocam nas rádios, mas eles ainda vêm daquele lugar” diz Gabel, “Não vejo o sucesso deles de forma diferente do Green Day, e se Green Day ainda é uma banda punk, Blink-182, certamente, também é”.

Tradução: Carlos Cavallieri (@carloscvl)