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Um papo sobre tatuagens e dor com Travis Barker

Autor Por Danilo Guarniero em 23/08/2016

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Travis Barker conversou com o site da GQ Magazine sobre suas tatuagens: significados, as que sumiram com o acidente e planos para desenhos futuros. Já que o baterista está ficando com o espaço limitado para novas tattoos, ele parece querer planejar bem melhor agora, como revelou na entrevista. Na mesma conversa, ele também foi perguntado sobre a possibilidade do Box Car Racer lançar um novo álbum – ele não disse nada definitivo, porém é algo que não consegue imaginar agora, segundo ele.

Leia abaixo as partes mais interessantes da entrevista:

Vamos começar por uma pergunta básica: quantas tattoos você tem?
Tenho uns 70% do corpo completo.

Landon Barker (filho do Travis): “Acho que é mais que isso”

Bom, tenho que levar em conta as que perdi no meu acidente. Ainda tenho pedaços de tatuagens por todo canto. Mas, em sua maioria, perdi todas nas minhas pernas, exceto pelo tributo a Lil Chris e Che, e também a homenagem ao DJ-AM.

Quando você decidiu fazer uma tatuagem após a recuperação?
Quis fazer na hora. Assim que caiu a ficha que eu tinha perdido dois amigos eu perguntei se algum tatuador poderia me visitar. Eu perdi o funeral dos meus amigos, então acho que eu estava precisando dessa despedida. Após um ou dois meses, eu estava pronto. Minhas costas eram um local de onde eles tiravam a pele para cobrir minhas pernas, então eu tatuei lá pois tudo estava  desbotado, foi a primeira coisa que eu fiz: tatuei minha família lá.

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Qual é sua filosofia para fazer tatuagem? Elas são sempre uma homenagem a algo importante pra você?
Para mim é como se fosse documentar uma parte da minha vida ou pessoas e coisas que passaram na minha vida. Quando eu estiver morto, quero que as pessoas possam olhar para o meu corpo e basicamente viver novamente a minha vida de alguma forma.

Houve algum tipo de estratégia ou você só foi fazendo?
Comecei com 15 anos pra ver se doía. Eu andava de skate todo dia, então eu fiz uma tatuagem escrito “Bones” (apelido de adolescência) e o símbolo do Dag Nasty bem em cima. Percebi que não doeu e isso determinou tudo a partir dali. Depois disso, acho que eu tinha irritado minha irmã e ela me chamou na frente do meu pai para mostrá-lo minhas tatuagens. “Você viu que o Travis tem uma tatuagem?” e ele “É melhor que não tenha.” Ele disse que ia me expulsar de casa se eu fizesse outra. Então eu comecei a abusar [risos]. Ele disse algo que me impactou: “Você não terá um plano B. Com tatuagens assim você tá fodido, não vai conseguir emprego.”

Essas palavras fizeram o oposto do que ele queria e acendeu uma lâmpada na minha cabeça: era exatamente o que eu queria. Não queria um plano B. Não tinha nada para me apoiar, não tínhamos dinheiro para faculdade ou algo assim. Isso colocou as coisas em perspectiva pra mim: toque música ou morra.

Depois seu pai mesmo fez uma tatuagem. 
É, ele fez uma tatuagem com o símbolo da Famous [Stars & Straps]. Um dia ele chegou em casa com um F no braço e eu perguntei por que ele tinha um adesivo no antebraço e ele “Não, eu fiz uma visita ao Franco Vescovi e ele me tatuou.” Eu pirei! Mas foi legal ver meu pai fechar esse círculo.

Quantos anos ele tinha na época?
Acho que uns 60. Acho que meu pai queria ter certeza de que eu estaria bem, que eu não acabaria na cadeia e que eu realmente fosse tocar música. Quando ele viu a minha dedicação e trabalho duro, ele não estava tão preocupado e nós dois pudemos curtir tudo isso.

Você deixa seus filhos te tatuarem, certo?
Eu tenho uma parte na coxa onde eles podem pegar a maquininha e desenhar em mim; basicamente sempre que vou fazer uma tatuagem e eles estão por perto, fazem algo. É como um caderno de anotações. Aquelas são memórias impagáveis. Tudo começou porque o Landon queria fazer uma tatuagem e ele não entendia por que não poderia. Ele estava chorando e eu expliquei que iria para a cadeia se ele fosse tatuado. Então eu disse “vamos fazer um acordo: você me tatua.”

Você tem alguns tatuadores favoritos?
Eu cresci sendo tatuado por Jon Sanchez, Mike Dewey, Larry Garcia, Mister Cartoon, Franco Vescovi, Chuey Quintanar, Mike Giant e Mark Mahoney. Eles são meus caras. Existem muitos tatuadores ótimos por aí, mas esses são alguns dos meus favoritos e são amigos próximos.

Já viu algum com a tatuagem do rádio que você tem na barriga?
Aham! Um monte. E vários retratos meus, também.

E o que vem depois?
Provavelmente vou começar minhas pernas e pés, depois o sovaco.

Sovaco? Parece doloroso.
Ah sim, é doloroso. Teve uma época na turnê que eu ia tatuar as minhas sobrancelhas, mas não consegui pensar em algum conceito. Eu geralmente não penso muito nessas coisas, apenas faço. Mas agora eu não tenho muito espaço sobrando [risos]. Quero pensar bem.

Você se arrepende de alguma tattoo?
Tem pessoas que vêm e vão… uma ex-mulher, mas são tudo memórias. É isso aí. Você vê a molecada que pegam os melhores tatuadores, deixam a tattoo cicatrizar direitinho… eu não ligo se tenho tatuagens boas e brilhantes. As minhas contam uma história e me fazem quem sou.

Você fez alguma pra celebrar o término de algum álbum?
Tem a máscara do The Transplants na parte de trás da minha cabeça. Eu provavelmente farei alguma coisa sobre o California por causa da arte que o D**Face fez. Ele é um grande amigo e um dos meus artistas favoritos. Desde o disco self-titled [blink-182] eu que cuido da parte das artes e fico de olho nisso. Eu e meu amigo Max fizemos o smile do self-titled. Eu trouxe Mike Giant pra fazer o Neighborhoods. Franco Vescovi fez Dogs Eating Dogs. As capas dos discos anteriores eram intermediados pelas gravadoras, então eu não me senti pessoalmente atraído. E eu talvez faça uma tatuagem do Antemasque.