Ultimate Guitar: Mark Hoppus

Autor Por rutinha em 19/09/2010

Confira abaixo a tradução de uma entrevista feita pelo site UltimateGuitar.com com o Mark, onde ele fala sobre o seu novo programa de TV, Blink-182, +44 e mais:

O baixista e vocalista do Blink-182, Mark Hoppus, vai estar na televisão. Ele está apresentando um programa chamado “A Different Spin With Mark Hoppus”, um programa que trará entrevistas, performances ao vivo, painéis de discussão, e até mesmo gente nas ruas. Co-organizado pela comediante Amy Schumer, “A Different Spin” vai ao ar na Fuse dia 16 de setembro e nesse sentido, Hoppus fala sobre o projeto e se prepara para o primeiro episódio.

Hoppus sempre foi um personagem pitoresco e tem uma verdadeira devoção em trazer bandas novas e dignas de atenção do público. Como anfitrião do programa, ele consegue combinar ambos os elementos.

UG: Em 2005, você tinha um podcast chamado “Hi my name is Mark” e um outro chamado “Hopp on Pop”. Seria o seu novo show como apresentador do “A Different Spin” na TV Fuse uma conseqüência deles?

Mark Hoppus: Sim, definitivamente. Promover novas bandas e música é algo no qual eu sempre fui extremamente apaixonado. Tudo de volta ao dia com o Blink-182, nós sempre escolheríamos novas bandas nas turnês. E como você disse, o podcast e o “Hopp on Pop”, no final do ano passado, a Fuse começou a falar sobre este show que eles estavam fazendo juntos. Isso soou como se fosse exatamente um sonho se tornando realidade. Você sabe? E começou a conversa com a equipe, e suas idéias de para que o show seria. E eu não sei, isto apenas soou como um momento de diversão e uma verdadeira boa idéia e uma coisa que não estava acontecendo na televisão agora. E uma coisa que eu pensei que poderíamos fazer realmente especial e colocar um grande show no ar. Então é nisso que temos trabalhado há poucos meses e começa esta semana.

Você tem alguma idéia do que atrai músicos para o cinema e televisão? Será que eles estão apenas interessados em um tipo diferente de mídia?

Eu não sei por que isso acontece. Na verdade, eu e o Tom [Delonge] do Blink falamos sobre isso antes. Estávamos sempre perguntando, “Como é que pessoas em bandas querem estar nos filmes e na TV? E todo mundo que fez filmes e TV quer estar numa banda?” Eu não sei. Eu acho que é apenas algo que eu realmente amaria fazer. Eu tive um monte de chances e recebi ligações para atuar, mas estou longe de ser um ator. Na verdade, eu tentei uma vez e eu realmente falhei. Mas é algo tão natural e orgânico para mim porque as pessoas que trabalham na Fuse e trabalham especialmente neste programa  são muito apaixonadas por música. Eles estão tão animados em colocar algo novo e diferente junto que há uma grande energia aqui, e fazer parte disso é realmente emocionante. Eu sinto a pressão sobre mim para manter o programa, mas há tanta gente boa nos bastidores que eu me sinto confiante de que vai ser algo grandioso.

Você fez um teaser para o programa e pelo o que parece, nada é sagrado. Você não vai só encobrir questões dos artistas que vêm no programa, mas você vai tentar ir um pouco mais fundo?

Não, não. Outra grande coisa é que nós completamente temos que ser nós mesmos. Nós tentamos ser respeitosos com as pessoas, mas se há algo que não gostamos – se há uma música ou um vídeo que não gostamos ou o que for – nós vamos dizer. Nós não temos que engolir tudo. Amy é muito perspicaz, desbocada e tem opiniões definitivas tanto para as coisas que ela ama quanto para as coisas que odeia. E nós vamos ter participantes e eles vão falar o que tem nas suas mentes e não é, “Ehh, tudo é maravilhoso o tempo todo. Nós amamos todos os artistas que já caminharam pela Terra.” Nós vamos promover as coisas que nós amamos e nós vamos falar sobre o quanto gostamos delas e se há coisas que não estamos por dentro, deixaremos vocês informados também.

Você pode falar tudo sobre o primeiro show?

O primeiro convidado é o John Mayer, e estou realmente feliz por tê-lo no programa e o primeiro convidado musical é o Neon Trees, e eles vão tocar duas músicas. Nós temos um painel de discussões e hum.. agora eu esqueço quem são os primeiros debatedores; desculpe por isso. Nós temos discussões para participantes; temos uma parte em que alguém saiu e filmou alguns homens na rua. E um monte de opiniões quentes sobre música.

Sua missão é encontrar estas bandas, algumas um pouco mais obscuras e trazê-las à atenção de um público mais amplo?

Sim, absolutamente. Sim, absolutamente. E todo mundo aqui tem uma diversidade de gostos musicais que não é e nunca vai ser de apenas um gênero. Para mim, pessoalmente,  há um monte de bandas de indie rock que eu gostaria de ter no programa. Todos do Dirty Projectors, Animal Collective e Band of Horses e todos esses tipos de banda. Mas também há pessoas aqui que são apaixonadas por hip-hop e sei que é bom e up-and-coming na cena hip-hop e eu quero tê-los também. Então, sim, queremos ter convidados e artistas de grande nome, mas também queremos ter os artistas que as pessoas podem não ter ouvido falar antes que nós achamos que são impressionantes.

Que soa como uma conseqüência de seu interesse na produção de bandas relativamente desconhecidas.

Sim, absolutamente. Quero dizer, é algo pelo qual eu sempre fui apaixonado, eu sempre senti que era uma obrigação. Na cena punk rock, a coisa era do tipo, se sua banda teve a chance de fazer alguma coisa, você levava a banda dos seus amigos com você. Então quando o Blink começar a ter algum sucesso, nós traríamos bandas que amamos na turnê conosco para tentar dá-las algum brilho. E isso foi para que o podcast foi feito e sobre o que era o Hopp on Pop e isso realmente é sobre o que o programa é, também. Não só falar e ter discussões com artistas bem conhecidos, mas colocar novas bandas adiante.

O que é isso que te faz levar uma banda como Animal Collective ou Dirty Projectors? O que há com esses tipos de bandas que te atrai?

Eu acho que o seu processo criativo é tão estranho para mim que eu sou fascinado por ele. O jeito que eles estruturam suas canções e a instrumentação que eles usam em seus arranjos, e as coisas estão tão fora do tipo de coisa formal: verso / refrão / verso / refrão / ponte. E mesmo quando suas canções seguem essa estrutura são tão diferentes musicalmente, é apenas fascinante para mim e algo que eu amo ouvir e me inspirar. E eu amaria ver como isso se traduz ao vivo, então eu amaria tê-los participando do programa só para ver como esse tipo de instrumentação e mentalidade é colocada em uma situação ao vivo.

Você está em uma zona de conforto quando você conversa com outros músicos? É diferente falar com a sua banda de abertura na estrada em vez de aparecer na frente de uma câmera e entrevistar um músico. Você tem que ser perspicaz e divertido.

Sim, eu espero que sim. Espero que estar em uma banda há 20 anos e produzir bandas e apenas estar nesta indústria por muito tempo, eu acho que sou capaz de me comunicar com artistas no nível de um artista. Eu acho que muitas vezes os artistas que estão desconfortáveis falando sobre algo, estão desconfortáveis porque eles não sabem exatamente onde podem falar sobre música ou inspiração e coisas assim. E eu tenho uma sensibilidade sobre isso, espero que eu possa conseguir boas entrevistas das pessoas.

Você fala com outros músicos sobre o mundo da música?

Não só, como falamos algo como, “Oh, conta pra gente alguma parada engraçada que aconteceu na turnê”, mas também como, “Hey, na gravação dessa música tem uma guitarra com um som muito foda. Qual foi que usou? Qual estrutura usou no amplificador? E o Microfone?” Não quero soar muito técnico porque aí vou perder muitas pessoas que não entendem disso, mas é algo que eu sou muito apaixonado. Eu queria saber e acredito que os artistas adoram falar disso. Eu sei que alguns artistas como John Mayer é totalmente por dentro desse assunto e quando eu conversei com ele na volta a LA, conversamos sobre sua coleção de amplificadores Dumble, efeitos vintage nos pedais, sua velha guitarra e coisas desse tipo; Adoro falar de coisas como essas.  Também falamos de coisas como, “Qual o seu processo de gravação?”. Ou até coisas não tão técnicas como, “Por que você escolheu gravar no porão do estúdio da Capitol Records? Quais outros artistas gravaram lá e isso o inspirou pra gravar lá?” Coisas assim.

Haverá uma nova música do blink-182?

Oh, claro. Acabamos de finalizar a turnê da Europa e assim que Travis chegar da sua viagem de barco, voltando pelo Atlântico, entraremos no estúdio. Depois de tocar os shows, ficaremos trancados no estúdio até terminarmos.

A banda não esteve junta por um tempo e houve algum desentendimento entre você e o Tom DeLonge até esses dias. Como você se sente fazendo uma turnê novamente com eles e ainda voltar a gravar?

Sinceramente?  Foi melhor do que pareceu. Quando começamos a sair, estávamos todos lutando; estávamos todos passeando quando todo esse sucesso veio à tona. Eu acredito que nós meio que perdemos as perspectivas sobre o fim do ciclo do blink. E agora que nós tivemos a chance de nos distanciar disso por uns anos, vimos como o blink-182 foi fantástico pra nossas vidas. Essa volta nos fez apreciar muitas coisas novas. Digo, tendo a chance de voltar depois de cinco anos e ter uma reação super-positiva é tão excitante e inspirador simultaneamente, e inspira-nos a gravar o melhor álbum de nossas vidas. E fazer o que vivemos.

Alguma coisa acontecerá com o +44?

Não agora; claro que o +44 está inativo por eu, Tom e Travis estarmos devotos totalmente ao blink-182. Mas isso não quer dizer que nada acontecerá com a banda de novo. É só agora, já que estou entre o blink-182 e meu programa na TV, não sobra tempo algum no dia.

Quanta pré-produção tem por trás dos seus programas?

Bom, tocaremos o primeiro programa amanhã [a entrevista foi feita dois dias antes do primeiro programa.] então nós meio que não entramos no ritmo de lá. Houve muitos encontros criativos e, definitivamente, todos os artistas que vieram, eu procurei pesquisar sobre cada um deles, fazer muito mais que só entrar na página deles da Wikipédia. Ouvir os álbuns deles e ser o mais educado possível. Não me sentiria confortável em apenas ler uma ou duas páginas de resenhas sobre a banda. Como [com voz de zombação] “Ok, aqui está alguns destaques da banda. Eles fizeram turnê com o Sum 41 em 2005.” Enfim. Gosto de saber qual artista que estou entrevistando e ser capaz de fazer a ele boas perguntas. Como eu sou um desses artistas, eu sei quando alguém simplesmente pega algumas informações online e faz algumas perguntas na entrevista. Você sabe quando essa pessoa ouviu ou não sua música e quão interessado ele é no que você fala e eu quero ser esse entrevistador.

Você sabe a diferença entre uma boa e uma má entrevista?

Claro que sei. Com certeza.

Está nervoso?

Eu estou muito nervoso. Meu filho chegou pra mim um dia, enquanto falávamos sobre a escola, e disse que estava “nervexcitado” e é assim que estou me sentindo [risos]. Eu realmente quero fazer e estar num programa especial e quero que esses primeiros episódios fiquem prontos. Sabe como estou me sentindo? Como se estivesse há uma noite do primeiro show da turnê.

Sério?

Claro. Como se fosse “OK, temos as músicas; nós não tivemos a oportunidade de tocá-la para um monte de gente por um tempo.” Eu quero que seja como o terceiro ou quarto show de uma turnê, quando você já acostumou com o negócio e está achando seu ritmo, já sabe onde as coisas estarão e tudo mais. Coisas que você só sabe depois de estar na turnê por um tempo. Eu quero aquela sensação com o programa.

A imagem que você projeta no palco quando está tocando pra muita gente é da mesma pessoa em frente às câmeras. Em outras palavras, o perfil e a personalidade que passa pra milhares de fãs precisa ser traduzida através da tela da TV. Isso vem do mesmo lugar?

Esse é meu truque. Eu acredito que nos primeiros episódios teste, eu estava tentando ser como um imaginava um entrevistador de talk-shows. Então eu parei e pensei, “Quer saber? Só serei eu mesmo.” Só quero ser o que sou nos palcos. O que eu quero dizer no palco, eu digo, e é assim que eu quero que seja o show. Quero me sentir confortável na cadeira principal e só aproveitar o tempo e inspirar as outras pessoas que vão ao show para também aproveitar.

Você viu gente como o Mark McGrath [vocalista do Sugar Ray], entrevistador do Extra, ou Elvis Costello no seu programa Spectacle?

Eu vi o Mark no programa dele; Não cheguei a ver o Elvis Costello. Eles fazem as coisas deles e eu acho que o Mark faz muito bem. Sinceramente, conhecendo Mark e estando em turnê com ele um dia, faz sentido que ele faça aquele programa e faça bem. Acredito que o truque dele é ser ele mesmo no programa.

Você vai se juntar às bandas ou só vai lá e toca um pandeiro ou qualquer coisa assim?

Claro, com certeza. Eu, com certeza estou com isso na cabeça. Não que eu queira forçar uma banda a fazer isso ou algo assim. Mas se uma banda de algum amigo chegar e falar, “Hey, quer fazer os backups nessa parte?” eu farei com prazer.

Você está trabalhando em alguma nova produção?

Não, na verdade não. Não agora. Só estou ocupado agora. Obrigado pelo momento.


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Tradução: @duksfts e @rutinha182

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