Travis fala sobre cada música do “Give The Drummer Some”.

Autor Por Márcio Medeiros em 26/03/2011

Travis Barker falou com o MusicRadar sobre cada uma das músicas do “Give The Drummer Some”, confira a tradução abaixo:

“Eu comecei esse disco há uns três anos quando eu não estava numa banda”, Travis Barker conta ao MusicRadar. “Eu não estava no Blink-182 e não estava no The Transplants. Eu estava trabalhando com o DJ AM e fazendo vários remixes. Então eu comecei a trabalhar no albúm, mas infelizmente aconteceu o meu acidente de avião e eu parei as coisas por um tempo”.

“Depois que eu me recuperei, eu levei quase um ano para terminar todo o álbum. Eu estava em turnê com o Blink e passei muito tempo na Europa. Eu lembro que eu atravessei o Atlântico de barco e trabalhava nele. Levei um kit de bateria e um mini estúdio comigo, então foi bem interessante – seis dias, flutuando através do Atlântico até a Europa, trabalhando no albúm”.

“Nas turnês do Blink, eu me preparava na sala de ensaio e criava batidas. Depois eu mandava elas para o pessoal colocar os versos. Foi um jeito muito original de fazer uma gravação, mas eu estou muito feliz com o resultado”.

“Fazer isso nos palcos não foi planejado. Era totalmente desnecessário. Mas foi uma boa distração para mim enquanto eu estava na estrada. Vocês tem muito tempo livre em tunês, então você pode fazer algo criativo”.

“Eu estou muito honrado em ter tantos artistas maravilhosos no albúm. Todos com quem eu trabalhei são amigos e pessoas que eu admiro, então é demais olhar cada faixa e lembrar o quanto nós nos divertimos. Mesmo que o albúm tenha o meu nome e a responsabilidade dele ser bom ou ruim seja minha, eu não poderia tê-lo feito sem essas pessoas, meus amigos. Eu tenho muita sorte por ter tido esta oportunidade”.

“Can A Drummer Get Some” (com Lil Wayne, Rick Ross, Swizz Beatz e Game)

“Essa foi a primeira música que nós gravamos, provevelmente há uns três anos e meio, só eu e meu engenheiro, James Ingram.  Eu comecei a cantar as partes da guitarra e nós completamos a música juntos”.

“Dois anos depois, eu trabalhei com Swizz Beatz e Wayne. Wayne fez seu verso e depois Swizz fez o refrão. Então Game veio e fez a parte dele. Algumas semanas depois, Rick fez o verso dele e a música estava completa. Todos estavam demais. A música veio junto, de uma forma linda”.

“If You Want To” (com Pharrell e Lupe Fiasco)

“Pharrel e eu estávamos no estúdio, trabalhando em várias batidas. Nós já tínhamos algumas coisas e então ele disse, ‘Hey, olhe só essa’ – era algo que ele tinha feito com Lupe. Era algo meio acelerado, bem uptempo, e cara, eu estava viajando! Foi bom demais”.

“Eu botei meus sonhos ali naquela noite e depois disso, a música era praticamente um envoltório. É a única música do albúm na qual não teve minhas mão na produção, mas eu amei”.

“Carry It” (com RZA, Raekwon e Tom Morello)

“Nós fizemos essa no meu estúdio em North Hollywood. RZA estava tocando guitarra e eu tocando bateria. RZA fez o verse dele e, duas semanas depois, Raekwon chegou e fez seu verso, que ficou bem legal”.

“Eu toquei a faixa para Tom Morello e pedi a ele para botar um solo de guitarra. Não tive nenhum tipo de auxílio para o Tom. Você diz, ‘Faça o que você quiser.’ O cara é um guitarrista incrível – o que quer que ele faça, é tudo muito bom. Ele realmente acertou”.

“Knockin'” (com Snoop Dogg, Ludacris, E-40 e Dev)

“Eu criei a batida no meu estúdio. Tem muita bateria nessa música.  Eu botei uma batida de marcha. Poucas pessoas sabem disso, mas eu marchei por uns 6 anos, então esse tipo de batida vem muito fácil para mim. É o que eu faço”.

“Snoop fez o verso dele em seu estúdio. E-40  fez seu verso por conta própria. Dev chegou e fez o verso dele com Kojack, que co-produziu a música comigo. O resto é história”.

“Jump Down” (com The Cool Kids)

“Nós fizemos esta com Chuck e Mikey do The Cool Kids. Nós tínhamos feito uma outra música no início do processo de gravação,  mas eles voltaram e ouviram o que eu tinha feito junto com Lup e ficaram realmente impressionados.

“Nós decidimos ir a outro lugar e fazer algo um pouco mais louco e difícil com os versos. Eu estou muito feliz que tenhamos feito. Jump Down ficou muito legal”.

“Devil’s Got A Hold” (com Slaughterhouse)

“Eu estava em Nova York trabalhando na música e foi exatamente nesse diz que meu bom amigo DJ AM morreu. Eu abandonei a faixa e voltei para o ônibus da turnê. Foi um dia muito difícil, como vocês podem imaginar”.

“Algumas semanas depois, eu peguei a música de novo e trabalhei nela em casa. Foi definitivamente uma música mais sombria e emocional que algumas outras partes do albúm. Pra ser honesto, foi uma música sombria para começar. Eu tentei não deixar o que tinha acontecido com o meu amigo influenciar o que eu estava tentando fazer”.

“Let’s Go” (com Yelawolf, Twista, Busta Rhymes e Lil Jon)

“Esta foi resultado de uma brincadeira com batidas que eu e meu engenheiro, Kevin Bivona, fizemos no StudioBof em North Hollywood. Busta Rhymes foi o primeiro a participar. Ele fez o verso dele e totalmente definiu o caminho”.

“Então eu mandei isso pro Twista e pro Yelawolf. Eu acho que eu tinha o verso do Busta e Lil Jon veio e fez a parte dele, fez acontecer. Lil Jon é como famíia, é sempre divertido trabalhar com ele”.

“É muito legal ter todas essas pessoas numa mesma música. Não é tão complicado quanto parece, sério. É divertido e todo mundo e todo mundo se utiliza do que o outro faz”.

“Saturday Night” (com Transplants e Slash)

“A batida foi feita no ônibus da turnê quando eu estava voltando de Phoenix pra casa. Então eu fui pro estúdio com Tim Armstrong e Skinhead Rob. Tim começou a cantar o refrão e a tocar guitarra nele, e a música estava praticamente finalizada”.

“Eu perguntei a todos se eles se importariam caso eu chamasse o Slash para tocar a guitarra. Ninguém teve nenhum problema com isso.  Slash entrou e detonou na primeira passagem. Ele fez três tomadas mas a primeira ficou impecável, então foi essa que permaneceu”.

“Cool Head” (com Kid Cudi)

“Kid Cudi e eu fizemos essa juntos, ele toca a guitarra. Quanto ao resto da instrumentação, meu amigo Edit e eu finalizamos tudo”.

“Eu fiz as intros e a melodia, eu meio que fiz bastante na gravação e a minha bateria meio que fez a coisa toda”.

“Raw Shit” (com Tech N9ne e Bun B)

“Essa começou de um remix que eu fiz pro Slaughterhouse chamado ‘The One’. Bun, no verso, faz uma linha que vai “Raw shit, makes me wanna start a mosh pit” (Raw Shit, me faz querer começar um mosh). Eu peguei aquilo e praticamente fiz o refrão”.

“Depois que já tínhamos aquilo, tudo começou a se construir. Eu estava falando com o  Tech N9ne sobre fazermos algo então nos juntamos. Ele fez o verso em um dia, detonou. Daí Bun mandou o verso dele no dia seguinte. A música foi concluída rápido. Eu a terminei provavelmente um mês antes de lançar o albúm”.

“Just Chill” (com Beanie Sigel, Bun B e Kobe)

“Essa foi a segunda música que gravamos. ‘Can a Drummer Get Some’ e essa foram finalizadas um pouco antes do meu acidente de avião.  Mas ambas as músicas amadureceram bem, então elas entraram pro albúm”.

“Beanie foi a primeira pessoa que disse, ‘Yo, eu quero participar do seu albúm.’ Então ele fez a parte dele. Bun foi o próximo a participar da gravação e então Kobe cantou o refrão. Kobe tem sido um ótimo amigo por um bom tempo, estou feliz que ele tenha participado do albúm”.

“On My Own” (com Corey Taylor)

“Quando nós tocamos com a banda Camp Freddy – eles sempre tem cantores diferentes e convidados variados – eu conheci Corey, e eu estava viajando. Ele é muito bom! Ele estava cantando Alice In Chains e músicas do Stone Temple Pilot – que vocalista maravilhoso! eu estava familiarizado com Slipknot mas não tinha ideia do quanto era diversificado”.

“”On My Own” ficou pronta em questão de horas. Corey veio, tocou guitarra e cantou e foi como se tivéssemos uma banda. O cara é muito talentoso. Não tenho palavras o suficiente para dizer coisas boas sobre ele”.

“Don’t Fuck With Me” (com Paul Wall, Jay Rock e Kurupt)

“Eu fiz a batida e fiquei parado nela por um tempo. Não sabia quem eu ia chamar pra essa música. Eu toquei a batida para o Jay Rock e ele arrasou. Logo em seguida, Paul Wall estava no estúdio e fez um verso”.

“O próximo foi Kurupt. Nós fomos pro estúdio, ele fez o verso e foi assim, a coisa toda estava feita”.

“City Of Dreams” (com The Clipse e Kobe)

“Eu tenho sido um grande fã de Clipse por muito tempo. Ele é um dos meus grupos de rap favoritos. E eu acho isso sobre The Kobe também. Com um monte de músicas no meu álbum, é uma questão de reunir pessoas que estão em Los Angeles, ao mesmo tempo”.

“Clipse entrou, ouviu batidas, e eles escolheram um momento e fizeram os seus versos. Na verdade, nós tínhamos um refrão diferente, mas quando Kobe chegou, ele ouviu e analisou por um bom tempo. Foi legal ver o que ele achou, porque eu sabia que seria melhor do que aquilo que era, óbvio. Então é só você esperar e vê-lo estar de volta é como a mágica acontece. Ele é muito talentoso”.

“Misfits” (com Steve Aoki)

“Steve e eu estavamos brincando com algumas opções, do que eu tinha feito com Kid Cudi outro dia, e então criamos um que é mais eletronico. Nós não sabíamos o que seria fazer o álbum, então nós tentamos com esse”.

“É bastante auto-explicativo. É como uma faixa eletrônica que tem uma coisa punk rock acontecendo. Ele tem muita energia. Steve é um vocalista de punk rock incrível. Quem diria, né?”

“I Play The Drums” (com Meus filhos)

“Meus filhos tiveram um papel importante no meu álbum. Eu sempre tocava as faixas para eles sempre que estava trabalhando para poder terminá-las. Eles até me ajudaram a escolher quais músicas eram boas. Eles adoram música e sempre vivem em torna dela. Minha filha tenta cantar rap. E meu filho toca bateria e canta”.

“Um dia eu disse: ‘Vamos entrar e tentar fazer alguma coisa.’ Portanto esta é a contribuição dos meus filhos no álbum. Obviamente estou muito orgulhoso deles. Terminei esta parte e no dia seguinte virou o álbum inteiro”.

Travis Barker e seus filhos

Tradução feita pela Nathália Araújo e pela Dani Marconato.