Travis Barker: “o blink-182 está melhor do que nunca”!

Autor Por Mona em 04/03/2015

Travis Barker concedeu uma entrevista para o Alternative Nation e contou um pouco mais sobre como andam os ensaios do blink-182 com Matt Skiba para o Musink Festival. Mark Hoppus também divulgou algumas fotos em seu Instagram, onde Skiba assume a guitarra da banda.

A tradução da entrevista completa, você confere abaixo:

Tenho certeza que você já está cansado de explicar, mas você pode nos dar uma versão resumida de por quê e como Tom deixou a banda?

Travis Barker: Basicamente, nós tínhamos shows, sessões de gravações e ensaios agendados para o início do ano e um dia antes do ano novo, recebemos um e-mail do empresário do Tom dizendo que ele estava em hiato indefinido da banda e não faria nada com o blink-182 durante um bom tempo. Ele disse que não colocaria um prazo. Nós já tínhamos assinado um acordo para um disco e para um show, então decidimos tocar este sem o Tom e com o Matt Skiba [frontman do Alkaline Trio]. É basicamente isso.

Quando vocês souberam da notícia por meio do empresário dele, foi uma surpresa ou já havia tensão entre vocês?

Travis: Acho que é a terceira vez que ele sai da banda sem que ninguém saiba, pois nós não anunciamos nas outras vezes. Desta vez foi a gota d’água. Simplesmente não é legal para os fãs. Ele sempre concordou em fazer turnês imensas e gravar álbuns, mas quando finalmente entraríamos em estúdio, ele acaba arrumando uma desculpa para não fazê-lo. E não ficaríamos sabendo de nada por ele, e sim por seu empresário. Chegou em um ponto que você precisa decidir que você não vai forçar ninguém a fazer algo que não queira e seguir em frente.

Atualmente, vocês estão se falando normalmente, ou existe alguma hostilidade entres vocês dois?

Travis: Até onde eu sei, não há nenhum atrito partindo de mim. Eu desejo o melhor para ele em tudo que ele fizer. Eu acho que a coisa certa para ele é crescer e deixar a banda; ao invés de dizer que não saiu. Acho que é preciso ser franco com os fãs. Acho que isso traria algum tipo de desfecho para a história dele no Blink, e ele poderia seguir em frente e fazer o que realmente ama. Mesmo com tantos projetos os quais eu participo, sempre encontro uma maneira de priorizar e me manter apaixonado pelo blink-182 quando é preciso. Eu amo tocar, ouvir e tudo mais sobre punk rock. Ele mudou minha vida. Acho que o Tom não gosta de punk, que foi apenas uma fase para ele.

Travis - Alternative Nation

Então, o frontman de turnês de vocês será Matt Skiba do Alkaline Trio. Qual é a relação que vocês com o Matt e como estão sendo os ensaios com ele?

Travis: O Alkaline Trio já fez turnê com o blink-182 por um tempo como banda de abertura. Nós já ensaimos durante duas semanas e ele está destruidor. Existem harmonias que nunca foram experimentadas antes. Ele está tocando guitarra de fato, ao invés de apenas usar Pro Tools. É sangue novo e ter alguém motivado e empolgado faz toda a diferença. No geral, Skiba tem uma voz encantadora e não poderia ter encaixado melhor.

Matt Skiba estará com vocês no Musink Festival. O que os fãs podem esperar da banda no evento?

Travis: É um festival de três dias. Terá Rancid, Sick of it All, The Interrupters, Bad Religion, OFF!, Ignite, Yelawolf e Prayers. Eu tocarei com o Yelawolf e com o blink-182. Haverá também 75 dos melhores tatuadores vindo de todos os lugares do mundo. Muitas pessoas já confirmaram presença. Ano passado tivemos The Descendents, The Vandals, Gorilla Bisquits, Judge e Strife. Está ficando melhor a cada ano. Eu sempre tento dar um passo para trás e escolho as bandas que eu ficaria empolgado em ver se eu fosse um garoto indo ao evento.

Falando sobre a performance do Blink-182 no festival, como será o setlist em comparação aos shows anteriores?

Travis: Tocaremos músicas, que por qualquer razão nunca estiveram no setlist e agora podemos tocar. Então vocês ouvirão muitas músicas antigas pelas quais os fãs pedem há muito tempo. Ensaiamos 30 músicas ou mais. Não sei se tocaremos todas por questões de tempo. Ensaiamos alguns covers também; ensaiamos como jamais fizemos antes.

Houve um grande espaço de tempo entre o lançamento do Self-Titled em 2003 e o álbum mais recente, o Neighborhoods. Você pode descrever o processo criativo desse último?

Travis: Foi o primeiro álbum que fizemos depois do hiato, e o primeiro álbum que gravei depois de sair do hospital. Eu ainda não estava 100% recuperado quando começamos o processo de escrever as músicas. Não podia tocar bateria, pois alguns dos meus ferimentos ainda estavam abertos, mas ao mesmo tempo estava motivado e empolgado para voltar ao estúdio e fazer o que amo. Muito foi feito por e-mail, pois eu e Mark gravamos em Hollywood e Tom estava em San Diego.

Considerando que a situação com o Blink-182 está um pouco complicada agora, existe algum projeto paralelo ou solo programado?

Travis: Nos últimos meses estive trabalhando em um álbum do Transplantes feito de covers, onde tocamos músicas de todos os tipos; desde Cockney Rejects, Crass, e Blitz à Beastie Boys, Run-D.M.C. e Sepultura. Isso provavelmente estará mixado e pronto mês que vem. E acabo de começar um novo álbum solo, que será mais focado no hip hop. Também produzi e toquei em um EP para a Prayers; não sei como descrever esse trabalho, porque eles possuem um gênero musical único, mas existem vários elementos do punk rock já que todas as músicas tem no máximo dois minutos e meio.

Blink-182 foi um ingrediente importante para a cena de pop-punk com álbuns como Enema of the State e Take Off Your Pants and Jacket. Você acha que esse estilo musical está em alta ou em declínio atualmente?

Travis: Tudo que está relacionado ao rock parece estar em declínio. Não existem mais milhares de estações de rádios de rock ou a mTV, você só tem o YouTube. Acho que o punk, pop-punk e o rock estão todos interligados, e acho que música boa é música boa. Eu não gosto menos do Descendants agora que são menos famosos do que já foram um dia. Eu amo Descendants, The Vandals, Minor Threat, e GBH. Amo todas essas bandas por conta de suas músicas e estou pouco me fodendo se estão em alta ou em baixa. No entanto, acho que os dias de ligar na MTV e ver o Blink-182 ou o Green Day não existem mais. Há algo para se dizer sobre o fato de você encontrar pessoas de quarenta, vinte ou doze anos nos shows.

Quando você era criança, qual era a banda em que você sonhava tocar? Isso mudou desde então?

Travis: Certa vez eu toquei com o Slash, Flea no baixo, e Ozzy Osbourne nos vocais. Depois de momentos como esse sinto que poderia morrer ou parar de fazer música, pois todos os meus sonhos foram realizados. Já conquistei tudo que desejei, agora tudo que faço é por diversão e vivo cada dia como se fosse o último.

Você tocou com músicas muito diferentes uns dos outros. Existe mais alguém com quem você gostaria de tocar no futuro?

Travis: Seria muito divertido e eu adoraria tocar com Willie Nelson. Todas as outras colaborações já aconteceram. Trabalhei com Run the Jewels no último álbum deles ao mesmo tempo em que Zach [de la Rocha, Rage Against the Machine] estava trabalhando em uma música com eles. Seria legal trabalhar com Zach, porque sempre adorei tudo em que ele trabalha.

Existe algum plano concreto para o Blink depois do festival com Skiba?

Travis: Vamos ver. O objetivo inicial era o show, porque havíamos nos comprometido. A energia é muito boa e todos estão empolgados por tocar uns com os outros. Estamos aproveitando muito, e Skiba está mandando muito bem. Caso resolvêssemos gravar um álbum juntos, seria demais. Nõ sei se essa é uma possibilidade, porque não posso falar por todos. Atualmente, parece que estamos em lua de mel. Todos estão muito felizes com a energia dos ensaios, algo que não tínhamos há muito tempo.

Quer saber como ir ao show do blink-182 com Matt Skiba no Musink Festival? A equipe do Action182 preparou um post com todas as dicas, e ainda dá tempo. Confira aqui.