Travis Barker fala sobre sua relação atual com Tom DeLonge

Autor Por Danilo Guarniero em 28/10/2015

Travis-Barker-Tom-DeLonge-630x420

Em entrevista para o site Buzz-pop, Travis Barker comentou sobre algumas histórias de sua vida que estão bem explícitas pela primeira vez em seu livro lançado recentemente, incluindo seu acidente e a orgia que aconteceu em sua despedida de solteiro. Além disso, ele comentou da última vez que conversou com Tom DeLonge e que o guitarrista sempre o pressionava para voltar a voar.

Tudo isso e algumas outras coisas você confere na entrevista completa e traduzida abaixo:

Realmente curti seu livro, é bem animal. Por que você decidiu escrever um livro agora?

Quando me falavam pra escrever ou para falar sobre minha história de vida de uma forma geral, eu não estava pronto. Queria esperar até estar limpo, com a cabeça boa e 100% relaxado, cara. Queria esperar até o momento em que eu pudesse falar sobre determinadas coisas que eu ainda estava de luto.

Foi uma experiência positiva?

Sim. Eu nunca tinha sentado e conversado sobre minha vida. Já falei sobre discos, gravações, mas sentar e realmente falar sobre tudo que aconteceu na sua vida é… terapêutico. Ah, cara, tem muita coisa desde quando eu era jovem, a morte da minha mãe, e eu nunca tinha falado sobre isso com ninguém. Eu me fechava e permanecia forte, mas nunca falava.

Até sobre o acidente de avião. Eu nunca falei sobre ele. Eu evitava o assunto como se fosse uma doença. Algumas vezes, durante a produção do livro, que eu estava com os olhos encharcados e mal conseguia falar por uns 20 minutos. Daí o Gavin (Edwards, co-autor) dizia “tudo bem, foi mal Trav.” Eu ficava em silêncio até que eu voltasse ao normal. Ou então, tinha horas que a gente se mijava de rir ao ler as entrevistas. Ele ia atrás dos meus amigos para perguntar as coisas para colocar no livro. Foram altos (bem altos) e baixos (bem baixos).

Achei interessante no livro que tem muito envolvimento de outras pessoas, particularmente Mark Hoppus, Tom DeLonge e Shanna Moakler (ex-mulher), porque geralmente eles colocam visões e opiniões diferentes das suas em alguns assuntos. O que você achou disso?

Eu queria que fosse real. Li tantos livros de memórias que tive que parar na metade porque não acreditava em nada daquilo. Tipo, eu queria que fosse o mais real possível e achei que esse processo de entrevistas pudesse ser legal e honesto. Algumas partes são humilhantes, mas pelo menos é a verdade. Pra que escrever um livro se você não for brutalmente sincero?

Qual foi a coisa mais difícil e a coisa mais embaraçosa que você contou no livro

Tem muita coisa profunda e muita coisa engraçada. Meu amigo Brett, que é brother desde que eu era criança – nós crescemos andando de skate juntos e tocando em bandas punks – ele contou sobre minha primeira despedida de solteiro. (Nota do editor do Buzz-Pop: No livro, Brett descreve com muitos detalhes a orgia que rolou na primeira despedida de solteiro de Travis. Eu fiquei vermelho quando li aquilo). 

Aquela história foi bem selvagem.

(risos) Tipo, como assim, cara? Mas nada foi alterado. Nenhuma palavra da entrevista de ninguém. Eu nem lembro de algumas histórias, foi difícil. Quando eu lia, pensava ‘caramba, eu era um lixo’ no sentido de uso de drogas. A maioria delas era pra me dopar antes de voar de avião, para ficar no avião e pra ficar em outro país por dois ou três meses seguidos. Mas arrumar desculpas não melhoram as coisas. Eu apenas olho pra trás e penso ‘que porra eu tava fazendo?’ Agora estou com a cabeça limpa, sóbrio, não sou mais mulherengo e não fico com uma mulher diferente por noite na turnê. Eu aprendi com isso. Não me arrependo, apenas tirei lições.

Há muitas histórias loucas no livro. Uma que marcou foi a do cara que apontou uma arma na sua cabeça enquanto você dirigia o carro do seu pai. Você pode me contar um pouco sobre isso? 

Eu tinha saído com a caminhonete do meu pai, saí de Fontana e estava em San Bernardino, o que dá uns 30 minutos, mas aquela área não tinha uma boa vizinhança. Quando eu ia embora, abri a porta, entrei, e esse cara apareceu na janela de passageiro com uma arma apontada pra minha cara. Fiquei sem entender e ele me cutucou com o cano da arma algumas vezes, e só me fez dirigir. Eu realmente achei que ele ia estourar meus miolos e levar a caminhonete.

Mas não era sobre a caminhonete. Ele era um viciado e eu estava o levando pra conseguir mais drogas. Ele dizia “se você fugir quando eu sair do carro, eu vou atirar em você!” e claro que meu instinto de sobrevivência disse pra sair dali. Eu nem podia acreditar que ele realmente ia sair do carro. Eu arranquei com o carro como se eu estivesse roubando.

Tem uma imagem bem feia do seu corpo sangrando depois do acidente. Você menciona no livro que é pra demonstrar às pessoas ao seu redor o que aconteceu. Você sente que as pessoas não entendiam o quão sério seu acidente foi e o motivo de você ter tanto medo de voar? 

Não as “pessoas” porque eu nunca falei sobre o acidente. Raramente dou entrevistas. Não que eu não goste de falar, mas porque se estamos lançando um disco, prefiro que o disco fale por si.

Após o acidente, eu não podia falar sobre ele. Eu não estava em condições. Eu ia para todas as entrevistas e mandava meu assessor pedir pra que não perguntassem sobre o acidente. Daí eu peguei essas imagens porque o Tom (DeLonge), especialmente, estava me pressionando pra voar de novo. Eu tentei explicar pra ele que eu não estava pronto ainda. Naquela época, recebi uma imagem de mim depois do acidente e pedi todas porque vê-las me trouxe muitas memórias de tudo. Eu acabei mostrando pro Tom e pro Mark, apesar do Mark sempre ter me apoiado desde o começo disso. Ele até me visitou no hospital. Ele disse “se você nunca mais quiser voar de novo, ou até mesmo tocar bateria de novo, eu entendo.” Com o Tom, por sua vez, era uma pressão constante.

Tem umas outras 200 fotos dessa época e algumas são ainda mais fortes. Essa foi a que a editora escolheu porque era forte mas não tão forte para chocar tanto as pessoas, então foi a que escolhemos. Mas há mais um monte que iriam te arrepiar.

Se você quiser ver essa foto de Travis Barker logo após chegar no hospital depois de seu acidente de avião, clique aqui. (imagem forte)

Então, como é a relação entre você e o Tom pessoalmente. Vocês mantêm contato

Não. A última vez que vi o Tom, nós fomos jantar e dar um rolê juntos. Lembro de ter ido jantar com ele e ele dizia tipo “Trav, eu nunca relaxei e fui jantar com você. Isso é muito legal. Quando não estivermos em turnê, deveríamos fazer isso mais vezes.” E eu concordei. Parecia que éramos melhores amigos, saímos e curtimos de um jeito que nunca fizemos antes. Não era uma obrigação de estar em um estúdio juntos, ou em uma sessão de fotos. Isso me deu mais esperança para o futuro de tudo – nossa amizade, a banda. É que sei lá. Ele é estranho, eu sou estranho, as pessoas são estranhas. As pessoas tomam decisões. Mas eu não falei com ele desde então. Desejo o melhor pra ele.

Qual seria sua dica para seus filhos se eles quisessem ser músicos como você

Eles querem! Eles querem muito ser músicos! Eu deixei bem claro pra ele como as coisas funcionam. Os levei nas turnês de hip-hop com Lil Wayne e Nicki Minaj, turnês de punk rock com o Rancid. Eles viram os altos e baixos. Eles viram o trabalho que é antes dos shows, os ensaios e tudo mais. Eles viram os dois lados. Eles sabem como é e eu fiz questão de mostrar desde que eles tinham uns 2 anos de idade. Qualquer coisa que eles quiserem fazer, eu estou de acordo, mas agora minha filha Alabama toca piano e canta, enquanto meu filho Landon toca bateria e canta. É louco! Eu apoio muito e amo que eles estejam envolvidos com música.

Você deveria ter uma banda em família! 

(risos) Seria ótimo! Na verdade, no verão passado a gente tocou músicas dos Ramones, foi bem legal. Landon na bateria e a Alabama no piano.

Bom, você escreveu esse livro e passou por todas as experiências. Qual é a sabedoria que você passa pra frente?

Eu diria algo que é recorrente no livro. Encontre algo que você ama e que faria de graça, depois arrume um jeito de ser pago por isso. Comigo foi tocar bateria. Minha única meta era fazer algo que eu gostasse e ser pago por aquilo. Nunca foi o objetivo ser milionário , ser famoso, era só ser pago pra tocar e ter onde morar, o que comer. Apenas tenha essa paixão com todo o coração. Ame sua família e ame a vida. Eu tenho tanta sorte, sinto que tive diversas segundas chances e vivo cada dia intensamente o máximo que posso.

Leia mais

Travis Barker conta como tocar bateria era seu único destino na vida

Leia relatos de Travis Barker sobre seu acidente de avião, retirados de seu livro

Emocionado, Travis Barker conta como seus filhos o inspiraram depois do acidente de avião

Travis Barker: “A primeira tatuagem da minha vida sumiu após o acidente”