Travis Barker fala do preconceito sofrido por causa das tatuagens

Autor Por Danilo Guarniero em 04/11/2015

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Travis Barker tem o corpo quase todo cheio de tatuagens, as quais ele vem colecionando desde que era adolescente. Ele até já disse uma vez que começou a fazer mais tatuagens expostas para evitar que ele conseguisse um trabalho “normal” e seu único destino possível fosse mesmo tocar bateria para viver (leia aqui).

Em seu livro, ele conta sobre como ele já sofreu preconceito tanto da parte da polícia (até já postamos algumas dessas tretas com a polícia de Los Angeles, como aqui e aqui).

Abaixo está uma passagem do livro onde ele comenta uma das vezes em que foi parado por um policial na rua:

Recentemente, eu estava dirigindo para pegar minha filha na escola. Eu estava dentro do limite de velocidade e nem estava em um carro chamativo. Uma viatura estava vindo na direção oposta e eu acho que o jeito que eu olhei deixou ele puto. Ele me mandou encostar e colocar as mãos pra fora do carro.

O policial, então, começou a me perguntar de qual quebrada eu era, qual era a gangue que eu estava envolvido, onde eu já tinha sido preso, se eu tinha armas no carro. Depois de umas quatro perguntas assim, eu disse “o que há de errado com você? Por que você me parou? Você deve estar de brincadeira comigo.”

E foi assim que ele me fez descer, me jogou contra o carro dele, me algemou e colocou no camburão, pra depois começar a revistar meu carro pra tentar achar drogas, armas ou qualquer coisa. Por 45 minutos ele tirou o estofado do meu carro, olhou debaixo do tapete, vasculhou tudo, mas não tinha nada ali. Eu só fiquei sentado lá, cada vez mais cabreiro.

O policial olhou dentro da minha carteira e perguntou de onde eu tinha arrumado tanta grana e que não tinha conseguido achar no carro as drogas que ele tava procurando. “Onde você as escondeu?”

“Escondi o quê? Qual é o seu problema?”

“De onde você arranjou esse dinheiro todo?”

“Eu trabalhei por esse dinheiro”

“O que você faz?”

“Eu sou músico, toco bateria”

“Ah, tá bom. Pra quem?”

“Diferentes bandas”

“Então que bandas?”

“Às vezes eu toco numa banda chamada blink-182. às vezes toco com Too Short. Já toquei com Eminem, T.I, Transplants…”

Ele começou a se tocar que tinha cometido um engano. “Por que você não disse quando te parei?” ele perguntou.

“Cara, você não me perguntou se eu era músico quando me parou, ou se quer me deu a chance de falar. Você perguntou se eu era um traficante, de qual quebrada eu era, onde eu já tinha cumprido pena. Não me deu nem a chance de dizer que sou músico, não que importe quem eu seja.”

“Que mentira!” – ele estava agindo como se eu estivesse ameaçando ele.

“Mentira nada, você não estava com razão”

“Você tem ideia do que eu tenho que passar todos os dias?”

“Eu não ligo . Você é um policial e esse é seu trabalho. Você tava errado, cara. Você olhou para as minhas tatuagens e presumiu algo que não era verdade. Um amigo meu é policial e ele não age assim.”

Ele tirou as algemas e disse que me parou porque eu não estava com a placa da frente. E ele apontava pra mim como se quisesse me fazer sentir culpado pela infração, como se quisesse que eu me desculpasse por algo. Mas eu não iria.”

“Você tem problema,” eu disse.

“Se você disser mais alguma coisa, eu vou ter que te deter e levar para a delegacia”

E eu simplesmente fui embora.

E também tem uma história sobre quando o abordaram na escola de seus filhos:

Meus filhos estudam em um bom colégio. Às vezes, quando vou buscá-los ou deixá-los lá, os outros pais me olham esquisito. No primeiro dia de aula do Landon nessa escola ele teve algumas horas de orientação, então eu preferi esperar lá no estacionamento ao invés de dirigir pra casa e ter que voltar. Eu estava sentado perto de um arbusto, jogando no meu celular, quando um segurança chegou e disse “alguém disse que te viu fumando e mijando em um arbusto.”

Eu dei risada e disse, “olha, cara, eu sei que minha aparência é diferente das dos outros pais por aqui, mas eu não estava mijando no arbusto e nem fumando cigarro. Por favor, não me acuse disso.”

“Bom, os outros pais disseram que te viram fazer isso.”

Eu fiquei irritado, mas apenas falei, “não, foi mal, não foi o que aconteceu. Eu só estava aqui fora matando tempo até meu filho ser liberado.”

Todo mundo ficou de boa depois disso. Anos depois, eu doei um milhão e meio de dólares para a escola, para que pudessem ter aulas de música.

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