Travis Barker “Eu queria ir para o Brasil”

Autor Por daniimarconato em 25/10/2011

Esta é a última parte de uma série de entrevistas que a Rolling Stone fez com os integrantes do  Blink-182. Você pode conferir a entrevista com o Tom Delonge aqui, e com o Mark Hoppus aqui.

Confira a tradução da entrevista com o Travis Barker.

Conte-me sobre o seu dia até o momento.

Travis Barker: Eu acordei. Tive muitas reuniões por telefone sobre o que está acontecendo com as minhas companhias em casa. Depois fui para a academia, fiz alguns shakes e voltei correndo para checar a minha bateria voadora e me certificar de que tudo está bem. Então eu como pra caramba, faço qualquer divulgação que me pedem e ensaio até a hora de tocar.

Parece que vocês três têm tantas demandas de tempo diferentes atualmente. Antigamente, vocês podiam se focar somente na banda.

Travis Barker: É, nós comíamos, dormíamos e respirávamos Blink. Não tínhamos filhos. Musicalmente, o Blink ainda é a nossa prioridade.

Vocês tinham gostos musicais diferentes nos anos 90?

Travis Barker: Sempre foi muito diverso. Eu lembro de uma das minhas primeiras turnês com o Blink. Acho que ainda era naquele momento em que eles nem sabiam se eu iria ficar na banda. Eu estava ouvindo King Diamond e o Tom disse: “Que porra é essa?”. No dia seguinte era Slayer e ele foi tipo: “Cara, essa merda de metal… Por que você ouve isso?”. E eu disse: “Foi o que eu cresci ouvindo”. Eu acho que nós aprendemos bastante sobre todo mundo. Eu o apresentei Tribe Called Quest e todas essas bandas de hip-hop. Acho que, por mais que nós sempre parecêssemos iguais naquela época, éramos muito diferentes.

Eu estava falando com o Mark e ele disse que ficou surpreso por algumas das letras do álbum serem tão obscuras. Você acha que esse é um álbum obscuro?

Travis Barker: Sim, em algumas formas. Bem, o que nós passamos foi bem obscuro. Nós ainda nos divertimos e temos músicas bobas, mas acho que existe bastante seriedade neste álbum. Todos nós passamos por um monte de merda negativa.

Isso é um eufemismo no seu caso.

Travis Barker: É, eu encarei a morte. Eu não escrevi as letras desse álbum, mas posso entender porque elas são tão obscuras.

Parece que a tragédia realmente aproximou vocês.

Travis Barker: Sim, com certeza. É maluco pensar que esses acontecimentos terríveis eram o que faltava para nós nos reunirmos. Mas ao mesmo tempo serviu para abrir os nossos olhos. Eu nunca imaginei que o Blink voltaria. Eu sempre digo que quatro dias antes do meu acidente, Adam e eu estávamos tocando no MTV VMA. A nossa pequena dupla de baterista e DJ atingiu uma altura que nós nunca achamos que seria possível. Eu estava tão feliz, e então, obviamente, o que aconteceu comigo…

Eu estava no hospital, as coisas não estavam indo tão bem. Fui transferido para Los Angeles. Cheguei no ponto onde podia ler e vi uma carta do Tom. Não tive os mesmo sentimentos que teria seis meses antes se ele tivesse me escrito uma carta. Eu estava sentado na cama e os médicos estavam falando sobre a possibilidade de amputarem o meu pé, e eu estava lendo a carta do Tom, que tinha uma foto dos filhos dele. Foi pesado. Eu não fiquei nem um pouco chateado, não senti nenhuma hostilidade, não tive nenhum sentimento negativo em relação a ele. Eu quis contatá-lo.

Muitas pessoas não seriam capazes de se recuperar como você fez depois de ter passado por algo daquele tipo.

Travis Barker: Eu acho que foram os meus filhos. Se eu não tivesse filhos, acho que teria seguido outra direção. Quero dizer, quando saí do hospital, estava tomando 21 tipos de medicamentos. O médico disse que eu teria de tomar metade deles pro resto da minha vida. Eu fiquei confinado (5150: Confinamento vigiado para pessoas que apresentam risco de cometer suicídio) por duas semanas… Suicída, maluco. E então lentamente saí dos medicamentos. Eu tinha os meus filhos me admirando e querendo que eu me recuperasse…. Apenas ter recebido uma segunda chance, sabendo que os meus parceiros não a tiveram. Eu tinha de fazer o melhor com o meu tempo.

Você vê o Blink como a sua principal prioridade agora?

Travis Barker: Sim, mas infelizmente não posso fazer tantas turnês quanto desejo, porque não viajo de avião. É um obstáculo. Eu estou trabalhando nisso, ainda assim. Estou tentando ser hipnotizado, tentando falar com um médico que retreina o cérebro. Talvez ele me ajude a voar novamente algum dia.

Você obviamente pode ir de navio até a Europa.

Travis Barker: Sim, mas eu queria ir para a Austrália, só que isso levaria 31 dias em um barco. Não sei se posso fazer isso. É um pouco difícil, mas eu realmente queria ir para lá. Eu queria ir para o Brasil, nunca estive na América do Sul. Eu nunca tive esse obstáculo na minha frente. Eu amo tocar bateria, amo fazer turnês. Isso é uma droga.

Você está comendo uma refeição bem saudável agora. Parece que é apenas brocólis e carne.

Travis Barker: É vegan, então é tudo carne falsa. Eu me tornei vegan quando saí do hospital. É uma outra coisa que abriu os meus olhos, mudou a minha vida em várias maneiras. Quero dizer, eu corro diariamente agora. Eu nunca corri antes. No hospital, prometi a mim mesmo que se pudesse voltar a andar, iria comer bem e nadar todos os dias.

Antes do acidente, eu vinha lutando contra a dependência em analgésicos por anos. Eu posso dizer com orgulho que não tomei nenhuma medicação para dor depois que saí do hospital. Eles me disseram que eu tomaria algumas das medicações pro resto da minha vida, mas saí de todas elas. Elas me tornaram uma pessoa completamente diferente.

Tradução: Maria Melo.

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