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Travis Barker: “a entrevista mais honesta de todos os tempos”

Autor Por Márcio Medeiros em 08/08/2017

O blink-182 e "as entrevistas mais honestas de todos os tempos"

A edição do dia 1º de julho da Kerrang! conta com uma matéria de 8 páginas com o blink-182. A publicação inglesa está chamando de “as entrevistas mais honestas de todos os tempos” do trio.

Publicamos aqui a tradução da parte com Mark e aqui a parte com Matt. Abaixo você confere a tradução da conversa com Travis.

Travis Barker na Kerrang! - 2017

“Eu provavelmente não estaria sóbrio se não fosse o acidente…”

Travis Barker na Kerrang! - 2017

Faz quase uma década que o mundo de Travis Barker virou de cabeça para baixo, mas o baterista está aprendendo a dominar seus demônios e abraçar a vida que ele quase perdeu…

“Eu sou um viciado em drogas”, diz Travis Barker. “Eu sou um viciado de todas as formas. Se você me der um cigarro, eu vou comprar uma carteira. Se você me der uma comprimido, eu vou sair pelas ruas procurando por mais comprimidos. Se eu fumar um baseado, eu vou comprar meio quilo de maconha”.

Isso pode soar como um pedido de ajuda para muitas pessoas, mas, hoje em dia, o baterista do blink-182 está limpo, feliz e vivendo o momento; ele está falando de uma posição poderosa de autoconsciência. Uma rápida olhada em seu camarim revela os pontos de gatilho para um novo vício: exercícios. Enquanto relaxa nos bastidores, sua área é repleta de kits de bateria e aparelhos de academia. Ele está preparando um shake depois de passar o som, usando um gorro que cobre sua cabeça raspada, short e uma camisa “Banned In LA”, que mostra seus braços cheio de tatuagens. Exercícios e bateria é o que o guia agora, ele diz: “No momento, eu estou apaixonado por correr, eu tenho que correr todos os dias…mas eu só me exercito, então eu posso tocar bateria e não ficar cansado”.

Estranhamente, as atividades sóbrias do dia a dia de Travis dificilmente mudaram; apenas o estado mental em que ele as faz é que alterou. Nos dias sombrios, que ele lembra que começaram aos 19 anos e continuou até a metade dos 30, Travis tomava analgésicos por conta própria e fumava maconha. “Eu poderia fazer um monte de coisas ruins com meu corpo e depois correr 10 quilômetros. Foi muito tempo para não ter um dia sóbrio. Era uma loucura. Eu nunca dei uma chance para meu corpo ver se eu ia gostar”.

Desde que ficou limpo – depois de sobreviver ao acidente de avião que matou quatro das seis pessoas que estavam a bordo em 2008 – Travis mudou seus parâmetros de felicidade. Ele focou em sua família. “Eles eram tudo”, ele diz. “Depois do meu acidente, eu não fui para um centro de reabilitação, eu não fiz nada. Eu fiquei em casa com meus filhos todos os dias. Eu sabia que tinha que viver como um exemplo, para que eles me vissem superando aquilo que eu tinha passado”.

E então, seu futuro imediato se passou com a clareza de uma vida limpa. Havia “corcundas na estrada”, ele revela, como reaprender velhas rotinas no estúdio, ou no palco, sem toda aquela coisa de se automedicar. Entrar em uma sessão de gravação pela primeira vez foi estranho. Tocar seu primeiro show, depois com Eminem, o acelerou. Eu estava assim: ‘Meu ritual de fumar algumas horas antes do show, todas aquelas coisa que eu costumava fazer, não existiam mais’. Foi estranho reaprender.

“Eu fiz muita coisa sob pressão [antes de parar]”, ele acrescenta. “Eu lembro que havia um show da AOL com o rapper The Game, mas eu tinha quebrado meu braço. Eu apareci e disse a ele que eu não poderia tocar. Ele disse: “Não, você vai tocar. Eu sei que você pode… Vamos lá em cima fumar um pouco. Eu fumei, fui no palco, e foi incrível. Mas se eu estivesse sóbrio, não haveria nenhuma maneira. Então, foi uma caminhada aprender a lidar com situações como essas sem a coragem que as drogas te dão”.

Ele diz que em certos episódios de sua vida ajudaram a sair desses vícios. Quando ele embarcou em uma turnê pela Europa com o +44 em 2007, ele já estava mal, sofrendo com um braço quebrado e “tomando muitos comprimidos”. Tendo que tocar apenas com uma mão estava frustrando-o; ele começou a ter pensamentos suicidas. Travis disse rapidamente a Mark que não havia como continuar com a turnê e voltou para casa em 24 horas. “Fui para a reabilitação por alguns dias, o que não funcionou no momento, mas pelo menos eu arrumei minha mente”.

Um ano depois, aconteceu o acidente de avião devastador e ele passou vários meses em uma unidade de queimados, “pensando em merda… É de conhecimento público que eu estava tentando transferir dinheiro para as pessoas que eu conhecia para me matarem. Eu estava fora de mim”. A morte de seu amigo DJ AM para uma overdose um ano depois, “alguém que tentou me deixar sóbrio”, foi outra bandeira vermelha. “É triste ter demorado tanto”, diz Travis. “Eu provavelmente não ficaria sóbrio se não fosse pelo acidente”.

A vida limpa e o ressurgimento do blink-182 trouxe uma recuperação para a sua vida. Travis está feliz agora, um humor que ele atribui a uma “consistência em ficar sóbrio”. Há muito para ficar alegre também. “Tenho uma família incrível, uma carreira incrível”, diz ele. “Eu sou muito verdadeiro em tudo o que me apaixona. Não adivinho. Eu vivo o momento e estou presente”.

Isso soa como um modo de vida muito Zen? “Eu não sou budista, não faço ioga, não medito, mas eu mergulho na bateria. É como meditação. Eu não sei o que meu corpo está fazendo. Se eu começar a pensar, eu provavelmente estragaria tudo”.

Travis Barker na Kerrang! - 2017

Peça a Travis para destacar algo de sua carreira com o blink-182, um capítulo em sua vida que já dura 18 anos, e ele parece se importar pouco. Não por tédio ou indiferença – mais por relutância em habitar no passado. “Eu realmente não penso nisso”, diz ele. “Eu vivo no presente. Eu não me sento e fico remoendo o que passou, ou penso no que vai acontecer amanhã. Eu não olho para a minha agenda quando eu entro em uma turnê. Eu me recuso a fazer isso. Isso acabaria com minha linha de raciocínio”.

Até sua chegada na banda em 1999 foi como um borrão. Com o baterista original Scott Raynor se afastando, Travis entrou em uma turnê pela Costa Oeste dos Estados Unidos, aprendendo um set de 20 músicas em apenas 45 minutos, “eu pulei na situação”, ele diz. “Não houve muito processo de pensamento”. Tal é o Tao de Travis Barker: viva livre, viva o presente. Pensar demais só durante o caminho. Quando se trata de avaliar sua vida no blink-182, ele diz: “ótimas vibrações, boa energia”.

E, de verdade, o que mais ele poderia querer? Para Travis, o momento realmente é tudo.

Travis Barker na Kerrang! - 2017

Box Car novamente?

Travis reflete sobre os 15 anos de aniversário do Box Car Racer… e os planos para o futuro?

“É louco que foi há 15 anos. Eu amo aquele álbum [Box Car Racer, de 2002]. Durante a produção, estávamos em turnê com o Green Day na Pop Disaster Tour. Tínhamos amplificadores em meu camarim, pois eu tocava o dia todo, mas eu tinha um kit lá. Tré Cool vinha e tocava, Billi Joe vinha e tocava e então Tom pensou: ‘Hey, eu quero tocar’. Eu disse: ‘Pode vir a qualquer momento, venha tocar’. Eu mostrei pra ele [a banda de post-hardcore] Quicksand e ele ficou admirado com o som. Ele ficou: ‘Eu amei isso, eu nunca tinha amado algo pesado antes’.

“Começamos a ensaiar no camarim e ele disse: ‘Nós deveríamos gravar essas músicas – eu não sei o que vamos fazer com elas’. Depois disso, você já sabe, estávamos em um estúdio gravando um disco com o Box Car e a MCA queria que assinássemos com ela. Depois fizemos uma turnê. Foi uma loucura. Eu não tinha ouvido fazia muito tempo, mas de vez em quando alguém me manda algo pelas redes sociais ou algo do tipo. É um álbum excelente. Eu amei aquilo tudo. Eu amo a participação de Tim Armstrong; ‘There Is’ é muito boa. Foi incrível. Muito bom naquela época…

“Tom teve a ideia de fazer algo com o Box Car Racer novamente. Eu faria algo mais com o Box Car Racer? Eu não sei. Eu nunca estragaria a dinâmica daquele projeto e de como as coisas estão boas com o blink”.