Tradução: Travis fala sobre a saída de Tom DeLonge do blink-182 em seu livro

Autor Por Danilo Guarniero em 13/11/2015

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Desde o ano passado, o lançamento do livro de Travis foi adiado diversas vezes até finalmente ser lançado em outubro. Nesse tempo, houve espaço para que o baterista fizesse alterações e até incluísse coisas novas que não estariam lá se tivesse sido lançado em 2014. Uma dessas coisas é uma explicação sobre a saída de Tom DeLonge da banda e a entrada de Matt Skiba. Até então, eles não tinham entrado em estúdio com o guitarrista do Alkaline Trio, mas os shows com ele no começo do ano já tinham acontecido. Confira abaixo um trecho traduzido do livro, onde ele fala sobre esse assunto:

Um pouco antes da última tour do blink-182, Tom me mandou uma mensagem dizendo que estaria em Los Angeles no dia seguinte. Eu falei pra ele dar um toque e a gente acabou se encontrando no Crossroads (restaurante vegetariano do qual Travis é um dos sócios) e nós nos divertimos muito. Nós curtimos e falamos sobre nossas famílias. No meio do jantar, Tom disse “sabe, nunca tive a chance de jantar com você.” Todos esses anos e nós nunca fizemos isso. Foi muito legal finalmente sairmos juntos, não em turnê, mas simplesmente nos conectarmos como pessoas novamente.

Não durou muito. O blink-182 estava agendado para entrar no estúdio no início de 2015 – não lançamos um disco desde o Neighborhoods em 2011 (apesar do EP Dogs Eating Dogs que lançamos depois), e sempre prometemos coisas para os fãs, dizendo que teremos músicas em breve. Eu achei que seria estranho continuar fazendo turnês sem músicas novas. Como se todos os dias fossem um Throwback Thursday.

Tom não queria entrar em estúdio a menos que o Blink tivesse um novo contrato com uma gravadora, então providenciamos isso. Todos aceitaram que poderíamos começar a gravar no dia 5 de janeiro: estávamos alugando um espaço e ajeitando tudo. A ideia era usar uma casa inteira, como fizemos para gravar o disco de 2003. Às 20h da véspera de Ano Novo, recebi um e-mail do assessor de Tom dizendo que ele estava fora. Trocamos várias mensagens, mas a mensagem era clara: Tom não queria gravar. Ele não faria nada relacionado ao blink-182 em 2015. O assessor disse que não sabia se ele faria qualquer outra coisa com o blink-182 novamente.

De certa forma, foi um alívio: depois de anos de vai-e-vem com o Tom, sabíamos onde ia terminar. Você não pode obrigar alguém a fazer algo que não quer: eu realmente queria que o Tom fosse fazer o que o deixasse feliz. E como essa foi a terceira vez que ele saiu da banda abruptamente, estava bem claro o que ele queria. Mas tínhamos um show agendado: a banda tinha se comprometido a tocar no Musink Festival, um festival de tattoos, carros e música que eu estava fazendo a curadoria. Nos encontramos com o Matt Skiba, do Alkaline Trio, para um almoço no Crossroads e perguntamos pra ele se tocaria com a gente. A resposta foi “claro que sim, porra”. Aí, lançamos um anúncio dizendo que o Tom havia saído da banda por tempo indeterminado e Matt iria tocar com a gente; e o Tom negou que tivesse saído da banda.

Até os ensaios para aquele show foram fantásticos. Eu estava me divertindo mais tocando aquelas músicas do que em muitos anos. Matt estava animado de estar lá, e isso fez uma diferença brutal. Nós fizemos alguns shows de aquecimento e os fãs gritavam “Skiba! Skiba!” todas as noites. Tínhamos uma bela química. No Musinki nós arrebentamos!

Eu devo muito ao Tom, a começar pelo dia em que ele achou que seria uma boa ideia me colocar como o baterista substituto para o blink-182. Ele sempre será uma pessoa importante na minha vida e eu espero que ele encontre a felicidade que procura.