Tradução completa, Rock Sound!

Autor Por Mona em 17/07/2009

Esse mês a Rock Sound fez uma entrevista exclusiva com Pete Wentz e Mark Hoppus.

A entrevista fala sobre a posição dos dois no Twitter, com milhares de seguidores, e no Top Usuários do site, os planos do Blink 182 e do Fall Out Boy.

Agora, a tradução completa da entrevista.

Há quanto tempo vocês se conhecem?

Wentz: Eu conheço Mark desde que tocamos em um palco secundário na turnê do Blink. Acho que foi em 2004, ou algo assim. Era Blink, Taking Back Sunday e Cypress Hill. Nós fomos jantar em algum lugar.

Hoppus: Nós fomos? Com quem?

Wentz: Foi quando o Fall Out Boy era pequeno. Deve ter sido com Jerry Finn, pois nós queríamos que ele produzisse nosso álbum.

Então esse jantar foi a primeira interação entre os dois?

Wentz: Não. Nós éramos completos idiotas nessa turnê. Estávamos zoando muito; as pessoas davas mosh e coisas do tipo. Nós descobrimos que podíamos permitir coisas desse tipo porque estávamos longe do palco principal, mas nos disseram que era melhor manerar por questões de segurança. Nós não sabíamos nada sobre turnês nessa época, mas então o Mark veio e disse ‘Não, vocês não estão encrencados. Está tudo bem, vão comer um bolo’. Eu pensei ‘Esse cara é demais. É assim que eu quero lidar com as bandas na minha turnê’.

Tinha bolo?

Wentz:
(Risos) Sim, em um buffet.

Hoppus:
Eu me lembro do bolo. Vocês não levavam bacon para cada show que iam fazer?

Wentz: Sim. Bacon todos os dias, cara. Foi assim que mantemos a forma.

Hoppus: Nada mais saudável.

Mark, qual foi sua impressão sobre Pete?

Hoppus: Nós sempre viajamos com as mesmas pessoas e sempre nos conhecemos sem realmente nos conhecer. A primeira vez que nós realmente saímos juntos foi esse ano, aliás. Foi quando nós esquecemos quão longa é nossa amizade. Nós apresentamos o VWA juntos na Austrália. Estávamos no mesmo hotel, sofrendo juntos com o jetlag, comendo em horários muito estranhos. Tipo, acordar às quatro horas para esperar o café às seis.

O Blink 182 foi uma banda que influenciou o Fall Out Boy?

Wentz: Sim, eu posso dizer com certeza, que nós não seríamos uma banda sem eles. Eu conheci muitos caras assim – influenciados por certas bandas – e os considerava como uma família, pessoas muito parecidas comigo, e atualmente eles não têm nada a ver com o que achei que fossem. Muitas pessoas não são o que você pensou que fossem, não são legais, e isso é uma merda. É legal ser uma versão contrária à essa.

De que maneira você se considerava parecido com o Blink?

Wentz: Nós temos um senso de humor parecido, e eu acho que o Blink percebeu cedo que você pode criar sua própria cultura, que você pode fazer sua própria arte – a música que você toca, a roupa que você veste – acho que eles inovaram. Acho que nós dois estamos interessados em fazer uma música que possa atingir as pessoas. Como quando o Mark fez nosso remix e nós distribuímos os octodrivers. Isso foi muito interessante. Acho que quando as pessoas sentem ter merecido aquilo que conseguiram, elas apreciam muito mais, e se sentem ligadas à isso.

Em uma certa época, todos os membros do Blink 182 estavam envolvidos com algumas marcas de roupas. Isso foi um modelo para o que você faz com a Clandestine Industries, ou você teria lançado a marca de qualquer forma?

Wentz:
Eu não sei. Nós tínhamos conhecido os caras da Atticus, e pensamos ‘Wow, esses caras são legais. Eles se cercaram de pessoas nas quais confiam, pessoas maravilhosas para se trabalhar’. Eu acho que isso foi mais inspirador que todas as outras coisas – ver os relacionamentos que duravam muito tempo, pessoas que levaram seus amigos com elas.

Quando o Blink 182 estava em hiatus, você acha que o Fall Out Boy dominou a cena pop-punk?

Hoppus: Sim, totalmente. Sempre existem novas bandas surgindo, mas o Fall Out Boy é uma dessas que se destaca. Quando o Blink se separou, Travis e eu começamos o +44, e foi quando eu e Pete começamos a sair. Então não foi na Austrália, foi quando o Fall Out Boy entrou na turnê do +44. Nós dois viemos de uma comunidade punk rock que se diferenciava, que pensava que se você é sortudo o bastante para chegar em algum lugar, você deve levar seus amigos com você. Eu acho que isso foi algo que nós fizemos. Isso é particularmente algo que eu amo na cena de punk rock de onde eu vim. Bandas como Pennywise, The Vandals e Face To Face, as grandes bandas da época, levaram o Blink em turnê e nos ajudaram a construir nossa banda. Quando nós crescemos, trouxemos as bandas menores. Acho que isso é algo que Pete e eu continuamos fazendo de diferentes formas. Eu não tenho uma marca, nem uma gravadora, mas eu amo produzir bandas que eu penso ter muito talento. Eu não faço isso por dinheiro – quero dizer, só o que é necessário para cobrir os custos. Não tento fazer dinheiro a partir dessas bandas. Eu adoro fazer parte do processo de criação e ajudar as bandas a descobrirem o seu estilo. Adoro o ponto em que a banda expõe suas idéias e nós as discutimos e tranformamos em algo muito melhor. Isso é algo que eu realmente gosto muito. Acho que é o que Pete faz com sua gravadora também.

Como Pete mencionou, o Blink 182 e o Fall Out Boy criaram uma cultura em torno de si. Vocês se sentem responsáveis e agradecidos pela legião de super fãs?

Hoppus:
(Para Pete) O que quer que você diga, eu vou dizer algo melhor.

Wentz: (Risos) Quando começamos, cada banda na turnê, incluindo a nossa, estava no estilo do The Mark, Tom and Travis Show. Na época, eu achava que isso era super de propósito, mas agora as pessoas fazem as mesmas coisas conosco, e não parece ser de propósito. Eu não saio por aí vendendo minhas coisas em massa. Para mim, a marca é só uma coisa que eu gosto muito. Atualmente, eu nem faço dinheiro com isso. O que é bom, e me deixa pefeitamente feliz, pois assim eu posso por em prática cada idéia estranha que eu quero. Se os fãs gostam disso de qualquer forma, é meio que um acidente. Se eu uso hoodies o tempo inteiro e as pessoas pensam que esse é o meu estilo. É só o que eu faço.

Hoppus: No caso do Blink, nós nunca tivemos a intenção de construir nenhum tipo de cultura. Nós sempre fomos nós mesmos e tentamos fazer algo. Muitas bandas, uma vez que atingem um certo nível, sentem-se acima de seus fãs, e eu acho que o Blink nunca fez isso. Nós sempre tivemos a atitude de que estamos todos juntos nisso. Nunca é como ‘Nós somos a banda no palco, vocês são nossa audiência’. Nós somos muitos honestos sobre nós mesmos, não nos colocamos acima dos outros. Quando estamos em turnê e conhecemos pessoas, elas se sentem como se nós fizéssemos parte da vida delas, e não como se elas estivessem entrando na nossa. Podemos estar no palco, na frente de 15.000 pessoas, errar uma música, fazer piada disso, e começar de novo. Eu acho que as pessoas se sentem conectadas com a gente.

Wentz: Vocês não erram as músicas.

Hoppus: Nós já fizemos isso, muitas vezes.

Wentz: Assim como nós, então é outra coisa que temos em comum.

Pete, você diferenciou os fãs de Blink e do Fall Out Boy, como se parecesse mais proposital quando eles se vestem como o Blink. Por quê você sente que com o Fall Out Boy não é tão proposital assim?

Wentz: O que eu quis dizer foi…

Hoppus: Vamos lá, desista.

Wentz: (Risos) O que eu quis dizer é que isso é meio estranho, porque de certa forma nós parecemos com o Blink. Gostamos da banda, temos as roupas, e queremos fazer parte disso.

Hoppus: E agora eu estou usando calças skinny. Que merda está acontecendo?

Quem deu início à idéia da turnê?

Hoppus:
Eu. Travis, Tom e eu estávamos sentados no pátio, e tínhamos voltado a sair juntos há umas seis semanas, nos reconectando como amigos, dividindo o pão juntos.

Wentz: O Mark não divide pão com ninguém.

Hoppus: Com certas pessoas não. Obviamente existia um problema enorme sobre o Blink. O Tom estava tipo ‘O que você pensa sobre uma turnê do Blink e uma gravação?’. Eu disso que nós precisávamos sair e voltar com tudo, e todo mundo concordou. Começamos a gravar, mas então começamos a pensar que talvez as pessoas quisessem ver o Blink do qual elas se lembravam, a banda que conhecem e amam, antes de verem um novo álbum. Também, queríamos ser uma banda de verdade antes de entrar no estudio. Não nos falávamos por cinco anos – Travis e eu não falamos com Tom – então queríamos sair, pegar a estrada e ser uma banda novamente. Queríamos passar do ponto em que estávamos sendo educados uns com os outros.

Considerando o horrível acidente de avião no qual Travis esteve envolvido ano passado, quais as chances do Blink tocar fora do continente?

Hoppus: Nós já estamos pensando em festivais na Europa. Queríamos ir antes, mas Travis vai passar por uma cirurgia nos nervos, e ninguém sabe quanto vai demorar sua recuperação. Apesar disso, ele está tocando muito. Não tenho certeza de onde está sua cabeça agora, com relação a entrar em um avião, mas todos nós queremos fazer uma turnê internacional. Pensamos em pegar um navio, mas não sei. Queremos fazer essa turnê por aqui, terminar o álbum, e então sair pelo mundo ano que vem. Esse é nosso objetivo.

Vocês já têm uma data em potencial para lançamento de um novo álbum?

Hoppus: Esperançosamente antes, ou no meio de 2010.

Wentz: Esperançosamente estará tudo pronto esse verão.

Hoppus: (Risos) Nós temos muitas demos prontas. Antes do Blink voltar, eu estava trabalhando em muitas músicas que produziria sozinho. Travis tem muitas coisas que ele quer fazer, e Tom tem muitas coisas. Não é como se nada estivesse acontecendo. Nós temos 30 ou 4o ideias para escolher, então, talvez não seja um processo tão longo como o último álbum. Para a última gravação nós entramos no estúdio sem ideias e levou um ano, mas nós aproveitamos muito.

A primeira vez que vocês três fizeram planos sobre música depois de voltarem foi estranha?

Hoppus: Foi bem menos estranho do que nós achamos que seria. Honestamente, na primeira conversa depois de não falar com o Tom após cinco anos, nós conversamos por três horas. Foi muito positivo. Velhos amigos fazendo piadas sem sentido. Nós ficamos rindo de todas as merdas que falamos para imprensa. Ultimamente, a separação não foi exatamente devido à turnê ou a ética no trabalho. Esses eram apenas os problemas pelos quais estávamos brigando, mas acabou indo além disso. O Blink estava comprimido em sua própria bola, e existiam muitas forças externas agindo contra nós, então precisávamos nos afastar por um tempo, respirar fundo, e descobrir o que era importante para nós. Nós não pensamos que as pessoas se importariam tanto quanto se importaram. Ingressos foram á venda, e shows foram esgotados em 15 minutos. Algumas bandas não têm chance de fazer sucesso uma única vez, então, nós nos separamos, voltamos depois de cinco anos e recebemos esse tipo de reação. É realmente maravilhoso, maluco e exitante, tudo ao mesmo tempo. E nós estamos praticando para essa turnê, o que é novo para nós!

Existe alguma parte de vocês que se sente como se fosse sair e mostrar às bandas mais novas como se faz?

Hoppus: Nenhuma parte de mim pensa assim. Eu nunca senti competição na música, mesmo quando era Angels and Airwaves e +44. Eles estarão fazendo sua música, e nós a nossa. Eu entrei no meio da música porque não gosto de competição. Não quis jogar futebol, só queria andar de skate e ouvir punk rock. O sucesso de outra banda não significa que a minha não é bem sucedida, e a falha de outras bandas não significa o meu sucesso.

Wentz: Eu acho que é bom para nós ver uma banda como o Blink. Eu assisti o DVD Greatests Hits e pensei ‘Wow, eles fizeram ótimos vídeos que todos nós meio que imitamos’. Será muito bom vê-los, a maior banda do gênero, de perto. Eu estive em turnê com muitas bandas, sabe? Algumas te tratam como merda, outras não. Essa interação com o Blink todos esses anos é algo que eu sempre lembrarei.

Como vai ser a programação do Fall Out Boy depois dessa turnê?


Wentz:
Nós não temos uma programação, no momento. Estamos fazendo um vídeo para ‘What a Catch, Donnie’, mas é só isso. Tenho certeza que vamos gravar algo novo, em alguma hora, mas não será logo depois da turnê.

Hoppus: Vocês deveriam se separar.

Wentz: Sim, nós faremos isso por cinco anos e então voltar. Nós só temos que vender 20 milhões de álbuns antes.

Vocês dois possuem perfis no Twitter, o que permite o contato direto  com os fãs. De qualquer forma, ao mesmo tempo, vocês estão no topo de seus círculos sociais. Vocês acham que existem algumas barreiras socias que não podem ser vencidas, independente de quanto vocês interajam com seus fãs?

Hoppus: É uma ótima forma de envolver as pessoas interessadas com tudo o que acontece comigo ou com o Blink, ou outros projetos em que estou trabalhando – ou apenas compartilhar pensamentos, sem ter que lidar com os seres humandos diretamente. Eu gosto dessa parte, da melhor maneira. Eu amo postar fotos sobre o que está acontecendo comigo, ou no estúdio, e deixar as pessoas sentirem como se fossem parte de tudo isso. É um jeito de de deixar todos entrarem na sua cabeça e sua minha vida, sem ter 600.000 pessoas sentadas no seu quarto.

Wentz: Eu sinto a mesma coisa. Você sabe, 140 letras, é foda se virar com isso! é como em clube onde você escolhe seu nível de interação. Um dia eu responde muitas pessoas, no dia seguinte, eu posso não ter nada para dizer, e ainda no outro dia, eu estarei ‘Oh, estou comendo um burrito de café da manhã’. Alguns dias eu tenho algo de interessante para dizer.

Hoppus: Eu tenho que dizer. Eu não tenho idéia do que o Pete está falando na maioria de seus posts. Eu não sei se você já leu todos, mas eles se parecem mais com letras de músicas do que com pensamentos coerentes.
Wentz: Eu também não os entendo. Eu ficoassim: ‘Que merda eu estou falando?’

Vocês aprovam o limite de 140 caracteres?

Hoppus: Eu adoro. Você pode ser breve, com muita esperteza. Como um compositor, isso mostra que eu aprecio música, de qualquer forma. É como ‘Chegue ao ponto, chegue ao refrão’. A maioria das músicas do Blink têm menos de três minutos e toda a gravação do Enema Of The State durou 32 minutos, mais ou menos. Eu também gosto disso porque posso seguir muitas pessoas sem ter que ficar procurando por muitas informações. Eu não vou ao blog de todo mundo e ler suas opiniões sobre tudo. Eu adoro os comediantes do Twitter – eles postam as melhores piadas de uma linha só que eu já vi.

Wentz: A revista Time fez uma boa história com relação à isso. Você pensa que não quer saber o que os seus amigos estão fazendo. Isso é meio narcisista, mas é interessante. Eles postam demais, e você pode simplesmente escolher não segui-los. Para mim é legal, porque eu não sou exatamente coerente quando escrevo.

Você mencionou o aspecto narcisista. Vocês dois sentem como se  o Twitter fosse só mais uma parte da cultura MySpace/Facebook, tornando-se só mais um monumento da internet como os outros?

Hoppus: Não, porque a maioria das nossas coisas são tão egoístas. Eu vejo certas pessoas alando ‘Hey, olhem para mim’, mas é mais algo como ‘Hey, vejam como a minha vida é engraçada’. As pessoas vivem com suas próprias piadas.

Wentz: Ele tem um bom ego.

Hoppus: Outro dia, era a festa de aniversário da filha do Travis. Eu entrei vestido como estou agora (jeans e camiseta) com a minha esposa e filho, Pete com seu filho e esposa, e toda a festa olhou para mim e disse ‘Oh, você deve ser o mágico’.

Wentz: E então o Mark teve que aprender alguns truques.

Hoppus: A melhor parte da história é que não haviam mágicos planejados para a festa. Eu não acho que sou tão legal assim. Eu estava andando pelo tapete vermelho na premiere de um filme, e uma jornalista virou para mim ‘Eu estou aqui com Alex, do Blink 182’. Alex?