Tradução: Blink-182 na Kerrang!

Autor Por Danilo Guarniero em 31/01/2010

Há algumas semanas saiu uma matéria na revista Kerrang relembrando a primeira turnê do blink-182 pelo Reino Unido e falando sobre os 10 anos do Enema Of The State. Confira abaixo a tradução dessa matéria:

10 ANOS ATRÁS ESTE MÊS, O BLINK-182 LANÇOU O HINO POP-PUNK ALL THE SMALL THINGS, DANDO AO TRIO SEU PRIMEIRO SINGLE A CHEGAR AO TOPO DAS PARADAS E FAZENDO DELES SUPERSTARS EM DESENVOLVIMENTO. PARA COMEMORAR, NÓS FIZEMOS UMA VIAGEM PELA VIA DA MEMÓRIA – SETEMBRO DE 1999 PARA SER EXATO – E VIMOS COMO A VIDA ERA ANTES DE MARK, TOM E TRAVIS NA PRIMEIRA TURNÊ COMO ATRAÇÃO PRINCIPAL NO REINO UNIDO…

Enquanto o vôo do meio-dia da Virgin Express saindo de Euston desfila majestosamente pelos campos verdes da Inglaterra em direção a Manchester, há sem dúvida um ar de tédio pairando na Primeira Classe. Seis ouvidos californianos estão amassados dentro de três fones de ouvido enquanto estes rosnam despercebidos. Tirando fotos polaróides e gritando palavrões escandalosamente, foi questão de tempo até perderem o encanto e…

“Todo mundo que não está em uma banda quer ver o mundo”, revela sem medo de falar e filosoficamente o baixista/vocalista Mark Hoppus. “E todo mundo que está em uma banda quer ficar em casa. Há várias coisas piores que poderíamos estar fazendo, mas há também coisas melhores; recebedor de sexo oral profissional é provavelmente um dos melhores empregos do mundo.”

“Ou testar todas as novas bugigangas pra sex shops”, concorda o guitarrista/vocalista Tom DeLonge com um sorriso largo.

O Blink 182 está agraciando as nossas praias numa tentativa de repetir o sucesso que está arrasando nos EUA, onde o novo álbum Enema of the State está os mandando diretamente à fila dos milionários.

Apesar de suas idades relativamente baixas – Tom e o baterista Travis Barker têm 23 anos, enquanto Mark tem 27 -, o Blink 182 tem sido figura constante na cena punk rock do sul da Califórnia por grande parte dos últimos 8 anos. E no mínimo, o show de hoje à noite no Manchester Roadhouse – o segundo de três performances que começa a primeira turnê como atração principal deles no Reino Unido – irá pelo menos trazer à tona lembranças do que eles achavam ter deixado pra trás anos atrás.

“Nós fizemos shows pelos Estados Unidos por anos,” Mark olha de lado, “dormindo no chão dos outros, pegando dinheiro emprestado, dormindo no carro… Nós com certeza pagamos caro a nossa parte relativa a sofrer pra tocar.”

Estes mesmos sofrimentos foram recompensados quando as músicas de seu terceiro álbum, Dude Ranch de 1997, cativaram os ouvidos da mídia americana.

“A gente passa a ser reconhecido e isso é um pouco estranho,” diz Mark, “mas nós temos um longo caminho a percorrer antes de nos considerarmos grande coisa. Mas eu fico muito satisfeito. Não levo nada como garantia, e eu acabei de peidar.”

“Nós temos sorte de estarmos em um nível onde podemos tocar todos os dias, mas não acho que somos famosos,” acrescenta Travis, ignorando o peido de seu colega de banda.

Você quer ser famoso?

“Ah, meu Deus, sim.”

Eles podem não se considerarem famosos, mas certamente são bem mais do que o Manchester Roadhouse está acostumado. Assim que a banda coloca seus pés sobre o modesto palco do local, a galera começa a se agitar com as dancinhas animadoras dos rapazes suados até os pés, enquanto eles arrebentam com uma lista de músicas aguçadas e exuberantes.

Diretamente após o show é voltar para o hotel para uma boa quantidade de cervejas e uma desconstrução do que rolou na noite.

“Eu desculpo absolutamente tudo que rola com a galera,” afirma Tom. “Contanto que o pessoal saiba como deve ser. Não é lá que você vai pra dar uma surra em outras pessoas. É uma forma de você extravasar sua agressividade e se expressar.

“Nós não vamos pra perto da galera mais,” ele continua. “Eu fui algumas vezes quando eu costumava ir aos shows. Eu me lembro de uma noite quando estávamos em turnê com o 7 Seconds, eu estava tão bêbado, fiquei com a galera na frente por uma hora e meia.”

“E eles só tocaram por 25 minutos,” resmunga Mark.

Na manhã seguinte, a banda está novamente a mercê do sistema ferroviário inglês enquanto eles correm de volta para Londres para 48h de entrevistas com a impressa, compromissos promocionais e e um pequeno show para umas 200 pessoas no The Borderline.

Apesar do trio admitir que começar do zero de novo no Reino Unido é “um pouco decepcionante”, eles adoram a intimidade de lugares pequenos. Como oito anos na estrada aumentaram a visão do mundo pra eles?

“Nós vimos de tudo,” diz Tom, “nós fizemos quase de tudo e vimos de tudo feito com cada orifício do corpo humano. Eu tive uma experiência ‘fora do meu corpo’ e vi o mundo.”

Eles também decidiram espalhar pelo mundo a boa saúde retal por onde passam.

“Nós sabemos que é importante,” diz Tom, “mas nós ainda não a descobrimos.”

“Nós temos consciência da saúde retal apenas como um pensamento abstrato,” admite Mark, “mas na prática ela ainda não está conquistada.”

Então, existe vida em Urano?

“Ah, sim,” diz Mark. “Desenvolvimento de bactérias, várias culturas virais, mas não é nada bonito. Na verdade, eu até tive uma idéia de uma ópera rock chamada ‘Isto é Diarréia’. É sobre um cara que sai com uma garota e os dois comem comida mexicana e têm infecção intestinal e têm que terminar o encontro mais cedo. Daí os dois vão à mesma farmácia para comprar remédio anti-diarréia, se vêem no balcão, se apaixonam e se cagam entre si. Não sei se vai algum dia ser lançada.”

Para Tom DeLonge, é uma coleção totalmente diferente de emissões corpóreas que definem o maior problema.

“Eu fico acordado toda santa noite até 4h30 da manhã,” ele explica. “Basicamente eu já vi de uns 4 a 5 filmes adultos até essa hora. Normalmente fico tão desidratado que preciso de mais ou menos um galão d’água para reabastecer o que eu perco me masturbando tão ferozmente no meu quarto.”

Mais tarde naquela noite o Blink 182 toca no Borderline absurdamente abarrotado. Enquanto a banda convida as jovens doçuras para “nos mostrar seus peitos”, um grande número de moicanos loucos estão pendurados nos precários suportes de luz e descem pelo ar até o palco. As cenas são extremamente cabeludas realmente.

Na manhã seguinte, enquanto a banda ajeita sua apresentação nos estúdios da BBC Maida Vale para gravar 4 músicas para o Evening Show da Radio 1, eles sorriem e relembram o show da noite passada.

“Nós falamos vários palavrões e ofendemos os franceses,” admite Tom. “Eu acho que lasquei um dos meus dentes no microfone. Um cara pulou no palco, o microfone acertou meus dentes e quando eu levantei senti algo triturado na minha boca. Me senti como se eu estivesse de volta à escola, tocando em algum buteco – mas é difícil tocar quando você está preocupado com o microfone acertando o seu rosto.”

“Foi loucura, show punk rock das antigas,” anima Mark. “Não tão das antigas como Crass ou GBH, mas das antigas pro Blink 182 – que é bem da nova geração, então é bem nova das antigas, ou velha da nova geração.”

Hmm, mais ou menos. E então, antes de largarmos o Blink 182, qual é a mensagem deles para a humanidade?

“A vida é curta, então divirta-se,” diz Travis.

“Se você pratica algum esporte, vá em frente,” afirma Mark.

“Alienígenas existem – eles estão na minha bunda”, conclui Tom sabiamente. “E a única coisa que faz o papel higiênico não ser re-utilizável é a sua própria escolha em não fazê-lo.”

Muito obrigado ao @kevin182 pela tradução!