Tradução: Blink-182 na Kerrang! (Parte 1)

Autor Por Danilo Guarniero em 08/09/2010

O blink-182 foi capa da mais recente edição da revista Kerrang, e o Action182 fez a tradução da matéria completa pra você. Por ser uma longa matéria, foi dividida em duas partes. A primeira, você lê abaixo. Eles (Tom e Mark) revelam o que se passava na última turnê antes do hiato e comentam um pouco sobre a relação do trio hoje em dia, com a amizade reconstruída. Tenha uma boa leitura!

A explosão Blink-182 de volta!
Na semana passada os reis do pop punk blink-182 finalizaram a turnê de 5 dias pelo Reino Unido, depois de uma ausência de quase seis anos. É bom estar de volta? Nos juntamos ao trio na estrada para descobrir.

18 de agosto, hora do almoço, backstage no SECC Arena em Glasgow. Esta noite o trio californiano Blink-182 tocará para 10.000 pessoas. Fanáticos na faixa dos 30 anos e pessoas que os verão pela primeira vez também esperam a banda que é sempre mencionada entre as favoritas do You Me At Six.

Apesar da cena ser familiar, essa é uma jornada até águas potencialmente agitadas. A última vez que a banda fez shows pelo Reino Unido foi na última turnê deles em 2004, quase três meses antes de entrarem no “hiato indefinido”.

“Foi o ponto mais baixo da banda,” admite o baixista e vocalista Mark Hoppus hoje. “Provavelmente pior do que os anos que estivemos separados. Aquela turnê foi tão difícil. Havia estranhas vibrações e encontros nos camarins. A gente podia sentar lá, discutir e gritar uns com os outros e depois chorar por horas. “

“Aí,” ele continua. “Nosso empresário chegava e dizia ‘hora de subir ao palco!’ E nós parávamos, tocávamos durante uma hora pra um público insano que poderia quebrar tudo. Nenhuma banda no mundo pediria mais do que isso que a gente tinha em nossas mãos naquele momento, mas nós estávamos discutindo. Não tínhamos essa perspectiva naquele momento. Quando a banda se separou, era algo que estava na cabeça de todos nós.”

Pelas cicatrizes deixadas pela última visita do Blink-182 ao Reino Unido, algum receio seria compreensível entre o trio, como se fossem andar sobre cascas de ovos. Ao invés disso, o clima é animado, otimista. Na cantina do trio, Mark e o guitarrista e companheiro vocalista Tom Delonge conversam e fazem piada sobre futebol. As famílias deles estão aqui também, com as crianças e tudo, e o clima é de família.

Apenas Travis Barker está ausente. O baterista de 34 anos – que sobreviveu a um horrível acidente de avião em 2008 – se afastou da banda logo de manhã. Há seis anos isso poderia ser mal interpretado como um sinal de tensão nos bastidores, mas em 2010 a ausência de Travis é meramente paternal.

Depois de tudo isso, enfim boas notícias. A banda que fez sucesso com o Enema Of The State em 1999 e manteve-se no topo dessa geração punk com o Take Off Your Pants de 2001 e o auto-intitulado de 2003 (último álbum deles até agora) está de volta, e mais felizes do que nunca. A turnê de reunião do ano passado nos EUA incluiu shows lotados no Madison Square Garden em Nova York, e a versão Inglesa dela [agora em 2010] tem shows em arenas e como banda principal no Leeds and Reading Festival; há também um novo álbum de estúdio sendo trabalhado.

“Quando as pessoas crescem, elas ficam com desgosto do que passou ou ficam mais descontraídas com a vida,” disse Tom. “Nós estamos mais descontraídos agora. Acredito que todo mundo está agradecido por essa segunda chance com a banda. Estamos todos em um ótimo lugar.”
Claro, há mais do que algumas ligações e shows em arenas nessa reconciliação. Os companheiros de banda que trabalharam separadamente durante os seis anos de separação – Mark e Travis no +44 e Tom no Angels & Airwaves – cresceram, estão mais sábios.

Alguns são mais frágeis com essa experiência do que outros. O acidente do Travis foi o catalisador nessa reunião – sua experiência de quase-morte juntou a banda em um primeiro encontro e depois remendou as velhas diferenças deles. Tom considera como “destino”; que se esse acidente não tivesse ocorrido, eles não estariam sentados aqui agora. Mas houve outras forças atuando também.

“Acho que depois da separação, tivemos uma perspectiva de nós mesmos,” disse Mark, agora relaxando no sofá ao lado de Tom. “E é o que a gente precisava para ter uma perspectiva do Blink-182 como uma banda. Tivemos que nos afastar para sacar isso. Aí nós começamos a apreciar as outras pessoas na banda e o que cada um tinha a acrescentar.”

“Quando isso foi perdido, eu senti que muito da minha identidade havia ido embora,” ele revela. “Eu sempre amei ser o Mark Hoppus do Blink-182. Eu fiquei sem rumo quando nos separamos e demorou um tempo até que eu me conformasse com isso. Eu comecei uma nova banda e amei, mas senti que meu coração estava no Blink-182.”

Apesar de tudo, foi a música que juntou os amigos novamente.

“Tocar foi o que nos reuniu de novo,” disse Tom. “Foi esquisito nas primeiras vezes pois estávamos tentando descobrir onde cada um esteve e o que cada um havia aprendido . Mais depois que pegamos os instrumentos, a comunicação ficou fluente e instantânea. Nos levou de volta até onde estávamos quando escrevemos as primeiras músicas e como éramos como seres humanos. Esse foi o melhor remédio. Tudo depois disso ficou fácil.”

Como vocês mudaram nos anos que estavam separados?

Mark: “Acho que todos nós amadurecemos. Mas, para mim, estou muito mais maduro com as coisas. Eu nunca tive que decidir tudo, mas sempre senti que tinha que saber tudo. Eu não sentia que eu tinha que tomar todas as decisões da banda necessariamente, mas se alguma decisão fosse tomada sem que eu soubesse, eu acharia estranho. Estou mais descontraído com essas coisas agora, e me deixando levar mais com o fluxo. Desta vez é tudo um presente. Estou aceitando tudo assim, melhor do que me preocupar com o que vai acontecer depois. Eu amo essa banda e estou feliz de ter outra chance com ela.”
Tom: “Nós acabamos no mesmo planeta. Antes nós começamos todos no mesmo planeta, depois nos mudamos para planetas diferentes. Agora estamos de volta ao nosso lar. Temos filhos e família. Estamos um pouco mais velhos, mais sábios e mais gratos. O Blink-182 era como aquela ótima namorada que eu pegaria sem dar o devido valor. Mas eu também adorei que tenha acontecido a separação pois eu não me dava bem com com essas coisas de atenção e fama. Não tínhamos tanto assim, mas nos nossos 20 anos tínhamos um pouco. Gostei de ter um período afastado disso. Fez com que eu me sentisse mais humano.”

Qual é a importância da amizade de vocês agora?

Mark: “Para mim não há uma diferença entre o que somos compondo, gravando, fazendo turnês e convivendo.”
Tom: “O sexo acabou.”
Mark: “(Risos) O sexo foi por água abaixo mesmo!”

Se, naquela época, alguém dissesse que vocês voltariam em 2010, vocês acreditariam?

Tom: “Não, não…”
Mark: “É o seguinte, todo esse tempo que o Blink esteve separado – e inevitavelmente em toda entrevista alguém sempre perguntava, ‘Você acha que o Blink vai voltar um dia?’– eu sempre via que nós poderíamos nunca mais conversar novamente. Mas ao mesmo tempo, eu via que a gente poderia ligar um pro outro e tudo voltar ao normal.”
Tom: “Particularmente, eu não queria ficar carregando esse peso por aí. Eu ainda não entendi que isso é uma enorme banda de rock. Eu fico confuso que essa atenção toda é para nós três, ou algo que eu estou envolvido.”

A banda parecia um monstro incontrolável, então?

Mark: “Exatamente, como um monstro que não podíamos controlar e agora estamos totalmente no controle. Estamos fazendo tudo da nossa forma. Isso tinha se afastado de nós; parou de ser algo que nos divertíamos e passou a ser algo mais estratégico. Mas agora parece que está em nossas mãos. Estamos aqui por que amamos isso.”

O que vocês estão fazendo para manter a harmonia?

Mark: “Acho que temos mais respeito agora. Nos apreciamos e não nos subestimamos.“
Tom: “Quando nos separamos, cada um tinha seu próprio empresário. Por isso não tinha uma rota específica para decidir nosso futuro. Agora, nós três temos que decidir as coisas juntos.”
Mark: “Nada acontece sem que nós três tenhamos decidido.”

Por que decidiram fazer turnês antes de lançar um álbum?

Tom: “Por vários motivos. Acho que precisávamos ser uma banda novamente – esse é o primeiro e principal motivo. Mas estávamos precisando sair por aí e dizer um oi de novo.”
Mark: Começamos a compor algumas músicas, e depois de trabalhar nelas por uns meses nós dissemos, ‘Vamos ser uma banda. Vamos fazer uma turnê. Vamos voltar para aquele lugar onde éramos brothers .’ É isso que faz uma banda ser mesmo uma banda, não apenas sentar num estúdio e agonizar pensando em quantos compassos a música terá antes do refrão começar. Precisávamos entrar no clima, para que cada um soubesse o que o outro iria fazer antes dele fazer. E essas coisas acontecem na estrada.”

A continuação você confere logo mais!