Tom DeLonge “Somos três pessoas radicalmente diferentes”

Autor Por daniimarconato em 19/10/2011

A Rolling Stone publicou uma entrevista realizada com os integrantes do blink-182. No dia 02 de outubro a primeira parte da matéria foi publicada aqui no Action182, você pode conferir a entrevista com o Mark aqui.

Logo abaixo você pode conferir a tradução da segunda parte da entrevista realizada com o Tom DeLonge.

Você acha que está mais capaz de apreciar o Blink agora do estava há alguns anos atrás em relação a primeira volta da banda?

Tom DeLonge: Sim. Quando paramos de fazer shows estávamos recebendo de seis a dez mil pessoas, o que já é grande. Quando retornamos há dois anos atrás, recebíamos de vinte e cinco a trinta mil pessoas por noite. É insano. Bagunçou minha mente. Percebi que a nossa proximidade, a nossa alegria, vizinho do lado e esses tipos de coisa na verdade significa mais do que eu acreditei, quanto ao significado. Isto representa mais de 70% dos jovens de subúrbios americanos. Crianças que viveram em uma pequena casa de ‘cookie-cutter’, mas eles queriam algo diferente. Foi ai que eu percebi que essas coisas não são atribuídas necessariamente a arte, mas sim ao estilo de vida.

Você me pareceu como aqueles caras patetas do colegial.

Tom DeLonge: Nós fomos patetas. Eu me lembro que estávamos na Florida e o Mark saiu do camarim cheio de espuma, pelado, com bolhas brancas sobre o corpo todo.  Ele decidiu que iria até o camarim do Goo Goo Dolls’ e perguntar se eles tinham visto a toalha dele. É por isso que nenhuma banda gosta de nós e acham que estamos apenas brincando em festivais de rádio. Todas essas bandas estavam como, “Que diabos são esses caras? São apenas um bando de idiotas fazendo piadas sobre pênis.” Eles tinham todo o direito de nos odiar por que eles eram artistas. Aproveitamos todas as oportunidades para rirmos de nós mesmos, e é tão claro isso que estamos inclusos nas piadas. Pessoas responderam a isso. Éramos a antítese dos astros do rock.

Nosso produto Jerry Finn, antes de morrer, dizia que pessoas esquecem que os Beatles foram considerados com uma banda engraçada por um momento, com filmes e as meninas os perseguindo. Não era legal. Isso os levou para algo fora de si… E não estou dizendo que somos melhores que os Beatles. [risos] Mas meu ponto é que em qualquer linha do tempo legal com qualquer banda, esperamos que houvesse separações e levem as pessoas numa ambiciosa viagem. Quando artistas dão todos aqueles saltos e assumem riscos, é o que é divertido para o resto de nós.

Quando a banda se rompeu, vocês se dedicaram a diferentes estilos de música. Houve alguma preocupação por parte dos fãs em conciliar esses diferentes estilos em um novo álbum.

Tom DeLonge: Sim, eu também achava. Mas ao mesmo tempo, se você ouve “Up All Night” soa como AVA. Digo, isto sou eu. Angels and Airwaves é completamente, puro reflexo do que eu sou. A filosofia, o espiritualismo, o esoterismo, a ideia de esperança e espaço e os temas sobre a vida e suas grandezas… Isso sou eu.  Então para fingir que não posso… Sou eu. É isso que eu ouço quando Travis e Mark não estão comigo. Você sempre ouve falar do amor do Travis ao hip-hop e bateria e baixo e eletrônica. Ele sabe tudo de ritmo e é o melhor baterista da Terra.  Se ele não trouxesse o amor dele ao hip-hop pro Blink-182 nunca teríamos musicas como “I Miss You” ou “Down”. O novo álbum chama-se “Neighborhoods” porque somos três pessoas radicalmente diferente de diferentes vizinhanças.

É difícil para algumas pessoas entenderem que trabalhar em estúdios separados poderia trazer o melhor possível para o álbum. Também pareceu que vocês não estavam se dando bem.

Tom DeLonge: Eu entendo. Estava falando com Mark sobre esta última noite em seu camarim. Eu disse “Cara, sinto como se nós tivéssemos limpados nossas agendas e nos focados em nada, mas estar junto e gravar este álbum, com certeza é onde deveríamos ter terminado.” Para qualquer motivo, o que temos agora é o que tinha que ser. Não havia um pressionando o outro, deixando cada um com seu projeto. Não teve briga. Não teve nenhuma discussão.

Todo mundo estava tipo, “Tom tem o Angel and Airwaves. É importante para ele. Legal. Travis tem seu álbum solo vindo aí. Ele vem trabalhando nele há três anos. Vamos deixá-lo fazer isso. Mark está voando por ai toda semana para um programa de TV. Ele realmente gosta disso. É a coisa dele. Legal.” Nós apenas estamos tendo nosso tempo. Não temos nenhuma pressão. Tem um monte de vantagens e desvantagens de se trabalhar assim, mas acho que há mais desvantagens do que vantagens. Estava falando com um cara que representa The Police. Eles tentaram voltar ao estúdio, mas não conseguiram. Eles simplesmente não conseguem fazer isso.

Você diz recentemente ou em 1986 quando tiveram uma nova formação?

Tom DeLonge: Depois da ultima turnê deles. Ele foi, “Você alcançou algo que eles nunca poderiam. Você fez um registro.” “Assim, qualquer que fosse o processo utilizado, precisava sair daquele jeito.”

Vocês são amigos de longa data. The Police nunca foram amigos. Eles não tinham raízes, e quando uma tempestade veio, os derrubou.

Tom DeLonge: Sim, Mark e eu  temos grandes raízes. Eu o conheci justamente para iniciar a banda, mas naquela época não éramos uma banda. Éramos amigos se divertindo, andando de skate todas as noites e bagunçando a cidade até às duas da manhã como um bando de lobos selvagens.

Após o rompimento um monte de fãs claramente o culpou pelo o que aconteceu. Tem histórias que dizem que você mudou seu número e se recusou a falar com os outros caras. Você foi visto como o grande vilão de toda a coisa. Foi tão difícil de lidar?

Tom DeLonge: Sim, é difícil. Digo, é. Eu comecei essa banda. Não é como eu queria terminar, mas eu tive um sério problema. Eu sinto como se eu possa fazer qualquer coisa no mundo. Meu segundo problema é que eu quero cuidar de todo mundo. O que aconteceu é que eu pus muito de mim em tudo, e pus de mais. Quando Blink se tornou grande, todo mundo estava correndo  com as máquinas, menos com a banda.

Começamos a sair da fase madura da adolescência para a real vida adulta. Começamos a virar pessoas diferentes. Travis começou seu programa de TV. Eu quis sair por ai me aperfeiçoar como um artista. É como se você estivesse com seus melhores amigos e de repente eles começam a namorar. E você fica tipo, “Ei, é só entre a gente. O que elas estão fazendo aqui”

Para mim, tudo ficou muito difícil. Era tudo sobre dinheiro. Era tudo sobre ego. Era tudo sobre fama. Eu precisava ficar em casa com minha filha. Ela estava com dois anos de idade e eu há dois anos fora. Estava tipo, “Estou indo para casa”. Mas naquela altura já não estávamos nos comunicando. Estávamos nos falando por meio de outras pessoas. Mais tarde, nós nos odiávamos diante da imprensa. Só precisávamos de uma pausa. Estávamos cansados.

Os fãs me vêem como um vilão. Tenho certeza disso. Mas nada do que eu fiz foi vingativo. Eu disse algumas coisas ruins porque me tornei viciado em Vicodin por um tempo porque eu tenho dores nas costas. Joguei minhas esperanças nos narcóticos e isso alimentou minha idiota crença que poderia mudar minha vida e isso só a bagunçou mais durante um tempo.

Como você se livrou?

Tom DeLonge: Eu simplesmente parei um dia. Bem, eu não conseguia ficar sem por uma semana, estava tomando tantos que chamei meu médico  e foi como, “Preciso de mais” e eles disseram “Você não pode ter mais, mas em uma semana você pode conversar sobre ter mais.” Fiquei tipo “Merda, vou ficar tão radical para abandonar o vicio, sentirei minha cabeça girar e mexer, terei febres” somente disse “Veja, nunca mais me dê dessas coisas”. Bati o telefone e segui firme com essa idéia.

Você se preocupa com sua habilidade de tocar os sons antigos, agora que está mais velho?

Tom DeLonge: Eu adoro quando perguntam sobre isso. Honestamente foi o que eu pensei. Então toquei no Angels and Airwaves e me convenci de que estou crescendo artisticamente. Anos-luz a frente de qualquer coisa que já tinha feito até aquele ponto. Então estava me perguntando como faria pra tocar estas musicas. Mas a medida que você vai colocando a guitarra, você esquece de quão rápido, alto e divertido é.

Toda a noite antes de subir ao palco, eu ainda ouço as velhas bandas punk como NOFX e Descendants pelo mesmo motivo o qual eu fazia quando garoto. Isso traz de volta o velho e eterno espírito de juventude. É incrível.

Tradução: Carlos Eduardo @carloscvl

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