Tom Delonge reavalia o seu catálogo

Autor Por rutinha em 13/10/2012

Confira abaixo uma entrevista feita com o Tom publicada pelo site MusicRadar.com, onde ele fala sobre o seu amadurecimento profissional, o Blink e seus álbuns, Box Car Racer e o álbum de estreia do Angels & Airwaves, We Don’t Need To Whisper, entre outros assuntos:

 

Tom Delonge fala sobre tons de guitarra, amadurecimento e Blink

Duas décadas de uma carreira de sucesso gigantesca com o Blink-182, Box Car Racer e Angels & Airwaves, Tom Delonge finalmente encontrou sua verdadeira expressão ao compor. Estamos sob a pele de um garoto punk de mente fechada que se tornou um músico pensativo.

“Eles dizem que Einstein morreu enquanto ele ainda estava tentando descobrir a gravidade. Eu acho que eu vou morrer ainda tentando descobrir algumas coisas sobre o Blink”, Tom Delonge diz a TG (Total Guitar), imerso em pensamentos enquanto ele avalia a longevidade do trio punk.

Enquanto Delonge pondera como um bando de moleques suburbanos passaram a se tornar reis do pop-punk e, eventualmente, estadistas de rock experimentais, ele pode querer desconstruir as mudanças sofridas em duas décadas.

De um adolescente punk obcecado preocupado somente em tocar rápido e com mais distorção do que ninguém,para os efeitos amorosos, canções crafter influenciadas pelo progressivo diante de nós, a jornada de Delonge foi tão surpreendente quanto bem sucedida.

Enquanto o Blink caia na estrada para celebrar 20 anos de powerchords [técnica de execução de acordes geralmente usada em guitarras eléctricas distorcidas] e piadas sobre pinto, nós nos sentamos com Delonge para traçar sua evolução musical…

Buddha (1993)

 A Terceira das primeiras demos do Blink, esta veloz e furiosa beldade pode ter sido gravada em dois dias, mas logo apareceram rótulos batendo na porta de Delonge e companhia.

Quais foram suas influências nos primeiros dias?

“Teria sido estritamente The Descendents. Eu estava tentando imitar aquela banda. Guitarras verdadeiramente poderosas, rápidas, simples e fórmulas infantis com rimas de amor.”

E sobre a sua abordagem, os riffs de progressão de acordes?

“Minha coisa toda foi que há apenas um guitarrista, então Mark [Hoppus, baixista] e eu tentamos tocar como se fôssemos dois. Eu faria essas coisas com as notas, acordes e riffs que eram meio riff / meio acordes ou algo apenas para tentar preencher o espaço.”

Hoje, Carousel continua sendo a favorita dos fãs…

“Eu estava pensando sobre isso outra noite. Eu estava tocando e pensei: ‘Por que eu estou tocando isto? “A letra é tão ruim, mas eu acho que é nostálgico, o que é legal.”

A Mesa/Boogie Triple Rectifier foi a chave para o seu som inicial, não foi?

“Eu costumava usar Mesa/Boogies porque eu pensava que soava de forma louca e distorcida. Ao longo do tempo [meu som] foi ficando mais limpo, então, agora eu estou usando Vox AC30  com pouca distorção. No início dos anos 90, esse tipo de  som Mesa/Boogie era um elemento chave para meu tipo de música. Eu não sei por que eu os usava… eu não conhecia nada melhor.”

Dude Ranch (1997)

Agora, com contrato assinado com a MC Records, o blink traca de adolescente abandonado para um gancho musical pop no disco Dude Ranch, e gera um genuíno clássico do punk moderno.

Você acha que começou a amadurecer como compositor a partir do Dude Ranch?

“Absolutamente. Esse foi o primeiro álbum onde estávamos começando a ficar populares, fórmulas de arranjos. Nós levamos cinco semanas gravando ele. Foi um enorme passo para nós.”

Você também estava se encontrando como guitarrista em termos de som e tons?

“Isso foi quando eu estava começando a usar os amplificadores Marshall [JCM900] e os tons começaram a ficar um pouco maiores e melhores. A única coisa ruim daquele álbum foi as piadas que fizemos dentro da capa dele. Eu me lembro de sentar na loja de tacos Sombrero e falar, “Porra, temos que finalizar a capa do nosso álbum, vamos escrever algumas piadas para essas fotos de cowboy. Por que fizemos isso? Nós deveríamos ter feito piadas melhores para aquelas fotos.”

“Essa é uma das melhores músicas que já escrevemos. Mark a escreveu. Essa é provavelmente a melhor. É tão atemporal e representa a nossa banda porque é sobre crescer, é perfeita.”

Enema Of The State (1999)

Em 1999, o Blink 182 tornou-se estratosférico. Singles de sucesso como All The Small Things e What’s My Age Again? ajudaram o Enema Of The State a vender mais de 15 milhões de cópias, fazendo do Blink uma das maiores bandas do planeta do próximo milênio.

O Enema Of The State foi outro grande salto?

“Para o Enema, nós passamos quatro meses gravando e tivemos Jerry Finn [o antigo produtor punk] produzindo – nós aprendemos tudo. Aprendemos a gravar, a tocar bem, ele não deixou passar nada. Na verdade, ainda não havia computadores, então era tudo em fitas e nós tínhamos que tocar certo. Nós confiamos muito nele.”

Como a entrada de Travis Barker afetou a maneira de tocar da banda?

“Foi como ‘agora qualquer coisa é possível, nós podemos tocar qualquer tipo de música.’ Mark e eu instantaneamente tocamos melhor porque tínhamos que acompanhar alguém que tocava tudo perfeitamente, então nos tornamos muito melhores. Não éramos nem de perto tão bons quanto Travis, mas melhoramos.”

Take Off Your Pants And Jacket (2001)

Hits pop-punk com títulos ofensivos e “doces”. Entretanto, funcionou, e vendeu 350 mil cópias apenas na primeira semana.

Deve ter havido uma enorme pressão para acompanhar o Enema… com uma cópia de carbono.

“Nós estávamos apenas tentando escrever músicas que fossem melhores que as do Enema… mas não estávamos dando saltos e nos dedicando criativamente. Havia pressão, mas não muita. Porra, nós escrevemos músicas sobre piratas e cachorros. Eu lembro que a gravadora veio ouvir as próximas músicas e Fuck A Dog e When You Fucked Grandpa foram as únicas músicas que tocamos para eles. Meu Deus, eles piraram. Nós tínhamos uma música sobre foder Hitler – nós mudamos para ‘quando você fodeu o vovô’, mas originalmente era, ‘quando você fodeu Hitler, ele disse que te amava?’, eles foram a loucura.

Isso foi quando você começou a fazer experimentos com sua música?

“De um ponto de vista da guitarra, o grande negócio era usar tons limpos e muitos tipos diferentes de pedais, efeitos e delays nos refrões – mas toques muito leves e de bom gosto. Mas eu não aceitei de verdade pedais até um tempo depois. Eu era tão devagar. Porra! Eu só curtia punk-rock. Eu achava que a gente era mais legal que qualquer outra banda. Eu achava que punk era muito mais legal e nós sabíamos algo que outras pessoas não sabiam. Agora eu olho e penso, ‘porra, tinha muita coisa que a gente não sabia!'”

Box Car Racer – Box Car Racer (2002)

A mudança começa. DeLonge e Barker começaram uma nova banda, descobrindo pedais de efeitos, riffs pesados e…tinta vermelha.

Esse foi um álbum extravasador pra você?

“Eu estava meio desanimado no estúdio [com o Blink]… provavelmente é minha culpa porque eu nunca falei, mas eu só queria ir lá e tentar coisas diferentes, mas você fica sentindo que não pode porque a banda paga por hora no estúdio. É como se você tivesse uma tela em branco e várias tintas mas alguém dissesse ‘Não, não toque nisso agora, nós só podemos pintar a tela de azul,’ e você diz ‘Mas tem o vermelho’, ‘Não, pinta de azul, talvez o vermelho vai ter sua hora.’ E com o Box Car eu só queria fazer isso.”

Deve ter sido uma experiência libertadora…

“Eu entrei no Box Car Racer pensando que eu podia fazer o que quisesse e que eu iria fazer uma coisa completamente diferente usando pedais de delay, riffs longos e pesados de guitarras. Isso me mudou dramaticamente.”

Você lembra do primeiro riff pesado que você fez?

“All System Go. Era um riff muito pesado, soava como Quicksand [banda influente de hardcore melódico de NY], eram guitarras pesadas e foi a primeira vez que eu tinha escrito um riff realmente pesado. Aquilo foi tão bom pra mim.”

Blink-182 (2003)

DeLonge traz suas novas vibrações do Box Car Racer de volta para o blink-182, criando um álbum do qual pareciam não ter eles mesmos – menos gags e mais sons experimentais.

Este foi um passo definitivo e distante de sua tradicional guitarra do pop punk.

“Este foi o momento em que começamos a fazer um monte de coisas estranhas: acústicos, um som limpo, pedais, técnicas de microfone, tudo era estranho. Até mesmo fazer a música All Of This com o Robert Smith do The Cure, aquela música foi realmente hipnótica e acústica, e depois, na música I Miss You, não tem sequer um instrumento eletrônico”.

Angels & Airwaves – We  Don’t Need To Whisper (2006)

Com o blink-182 em hiato indefinido, DeLonge se colocou a novos limites. Fora do pop-punk do sul da Califórnia, com tons progressivos e uma combinação de sons e efeitos carregados.

Onde estava sua cabeça, quando você estava montando a banda Angels & Airwaves?

“Aquilo era mais do que o Box Car Racer. Não era eu me testando, era eu me redefinindo. Eu mudei tudo, eu mudei todos os amplificadores, aprendi a produzir, tocar piano, aprendi tudo sobre pedais, eu aprendi tudo”.

Ter um segundo guitarrista na banda, mudou o seu jeito de tocar?

“Foi bom ter estas opções. Com o blink, eu estava sempre preso no mesmo quadro, de que aquilo deveria ser de uma certa forma, porque só poderiamos tocar daquela forma, senão as pessoas pensariam que os estariamos traindo ou algo do tipo.

É um erro pensar assim. Não deveríamos nunca pensar desta forma, mas eu acabei pensando, e então eu estava preso a este modelo específico. Aquilo lentamente começou a mudar”.

Como você mudou a sua plataforma?

“Eu fui para os amplificadores de guitarra da Voxes (AC30H2) e da Fender ’65 Twin Reverbs juntos. Aquilo mudou tudo pra mim. O Mesa/Boogie é como uma bomba: você pluga nele e ele preenche cada espaço do espectro sonoro. Se você usar um Vox e tocar um acorde, aquilo só preencherá um local específico de um espectro e você  precisa que outras coisas aconteçam”.

Neighborhoods (2011)

No primeiro álbum em 8 anos, o blink retornou com um lado sombrio. Como foi fazer um álbum juntos, depois de tanto tempo longe do blink?

“Eu acho que nós não estávamos unidos como uma banda. Se fôssemos começar de agora, estaríamos muito mais unidos. O Mark estava no estúdio dele em L.A., e eu estava no meu estúdio em San Diego. Todos estavam ocupados. Gravamos por um ano e estivemos no estúdio, os três juntos, no total de uma ou duas semanas. Nós só escrevemos músicas juntos por 03 dias. O resto era tudo por e-mail. Mas nós conseguimos, e isso é uma grande coisa. A primeira música que enviei foi Up All Night. As pessoas diziam que a música soava como o Angels em um álbum do blink. Bem, não – aquele era somente eu”.

Suas influências mudaram nitidamente desde Buddha. Quem se destaca para você agora, em termos de guitarrista?

“O The Edge. Ele realmente toca uma coisa muito simples na maior parte do tempo, e então, ele acrescenta uma coisa muito progressiva e isso se torna próprio dele. Ele está interessado em escrever músicas e ter diversidade nas músicas e isso ressoa como se fosse eu”.

Isso destaca a mudança que seu som e estilo sofreram?

“Eu não ouço mais punk, a não ser que seja antes de tocar. Não que eu não goste, é nostálgico. Mas isso, é pra crianças e deveria ser… não é arte, é expressão. Sinto que é preciso conhecer a arte também. Eu mudei como pessoa. Sou um novo cara. Sou um super herói agora!”