Tom DeLonge publica carta de explicação aos fãs

Autor Por brunobld em 27/01/2015

Tom DeLonge publicou em seu Facebook uma carta explicando aos fãs “o seu lado de toda a história” que cerca o blink-182 no momento. Depois de Mark Hoppus e Travis Barker confirmarem que a nota de imprensa que comunicava a saída de Tom DeLonge era verídica nessa entrevista, o guitarrista se pronunciou.

Segue abaixo a tradução do texto completo:

tom delonge quits blink-182

 

“UMA CARTA PARA OS FÃS

Por onde começar?

A verdade é sempre o melhor caminho. Vamos por ele.
Eu amo o Blink e sou extremamente grato por tê-lo na minha vida. Foi o que me deu tudo. TUDO. Eu comecei essa banda, foi na minha garagem onde eu sonhei tudo isso.

Então o que eu tenho feito nos bastidores? Bom, eu tentei fazer com que as coisas funcionassem. Eu tentei levar essa banda por 50 caminhos diferentes usando o meu pessoal, ou outras pessoas, ou pessoas que não conhecíamos. Eu tentei colocar ideias promissoras sobre como podíamos crescer e desafiar a nós mesmos para nos tornarmos uma banda melhor. Não estou sentado esperando que outra pessoa faça o trabalho. Não funciono dessa maneira.

O grande recomeço foi quando tentei reunir a banda em Utah, onde nós pudéssemos conversar e resolver as coisas. Mas rapidamente, isso se transformou em uma cena em que estávamos nós três sentados no camarim de alguém em um cassino de merda. O que eu esperava que fosse uma reunião positiva longe de tudo, se transformou em um encontro esquisito. Mas foi lá que eu disse ao Mark e ao Travis (e as coisas estavam bem entre nós, como amigos de verdade) que eu estava comprometido e trabalharia com paixão. Eu espelharia nosso relacionamento pessoal. Exatamente essas palavras.

Então, o EP foi o teste. Alguns meses depois, estávamos gravando aquelas músicas. Eu estava no estúdio há dois meses e eles ficaram por cerca de 11 dias. Eu não me importava de conduzir tudo, mas todos nós havíamos concordado que daríamos 100% de nós mesmos. Dessa vez – sem ressentimentos. Apesar disso, ainda conseguimos nos auto-sabotar.

Em certo momento, desentendimentos me forçaram a tirar o EP do ar quando 60.000 fãs estavam tentando compra-lo. E isso me deixou louco. Eu estava me esforçando muito, mas aquele momento tirou minha empolgação. Eu percebi que essa banda não poderia perder todos esse anos por má vontade.

Foi depois desse episódio que eu prometi a mim mesmo que jamais estaria nessa posição novamente – jamais contaria com o que havíamos prometido um ao outro.

Eu lembro de perguntar para um deles no telefone: “Você deu o seu melhor? Como todos combinamos?” Ele ficou em silêncio.

Eles são os culpados?
Eu sou? Claro. Eu sou louco.

Mas lá estamos nós três – todos nós responsáveis. No fim das contas, sempre fomos problemáticos, e por isso não conversamos por meses. Nos oito anos em que estivemos juntos sempre foi desse jeito.

No passar dos últimos dois anos e meio, enquanto buscávamos um parceiro para gravar o álbum do Blink, eu lancei uma companhia de mídia. Eu havia acabado de lançar um novo álbum do Angels & Airwaves, e como alguns de vocês sabem, muito mais está por vir – quadrinhos, livros, um filme, etc. Os livros virão acompanhados de música. Isso é algo que já está acontecendo. Então podem imaginar minha frustração com um contrato de 60 páginas dizendo que eu não poderia lançar nada do Angels por nove meses, e que o novo álbum do Blink teria de ser gravado em seis meses – seria impossível para mim. Caso eu fizesse isso, teria de violar um monte de contratos com artistas, autores, artistas visuais, animadores… Muitas pessoas.

Eventualmente eles desistiram da cláusula que envolvia o Angels, mas a parte sobre ter que ter que gravar um álbum em seis meses permaneceu. Todos estes projetos estão em desenvolvimento, existe um contrato – eu não posso apenas largar tudo, largar anos de trabalho, parcerias e compromissos em um piscar de olhos.

Eu disse ao meu empresário que continuaria no Blink enquanto fosse divertido e funcionasse com outros compromissos da minha vida, incluindo a minha família.

Mark e Travis sabem de tudo isso. Eu escrevi esta mesma carta para eles um ano atrás. Mas gerou uma grande discussão, a maior delas na verdade. Eu apenas queria que fizéssemos coisas que todos concordassem. Mas aquele foi o momento para eles afundaram. Na visão deles, eu estava controlando tudo. Na verdade, estava assustado para me colocar nessa posição novamente, e repetir a experiência do EP.

Eu também escrevi tudo isso aos empresários deles em dezembro (que disseram que meus colegas de banda não estavam bravos e concordaram com algumas das minhas ideias de como fazer a banda crescer).

Então, vocês podem imaginar a minha surpresa quando a imprensa divulgou ontem – sem o meu conhecimento – o futuro da banda. Isso é novidade para mim. Não é do meu feitio encher de negatividade o legado da banda com algo tão sujo quanto o mundo da internet.

Mas eu acho que isso é outro exemplo de como sou diferente dos demais. Eu sigo a luz, sigo a paixão e eu faço arte. Eu saio com meu filho, minha filha e minha esposa.

No fim das contas, tudo isso só me deixou triste.

Triste por nós.

Triste por vocês – que estão testemunhando essa imaturidade.

Eu os conheço muito bem, e suas atuais atitudes são defensivas e individualistas.
Eu suponho que eles estejam fazendo isso para se protegerem e não se machucarem. Como todos nós fazemos.

E mesmo eu vendo eles agirem de forma tão diferente do que eu conhecia, eu ainda me importo muito com eles. Como irmãos, e como velhos amigos. Mas nosso relacionamento foi envenenado ontem.

Nunca planejei em desistir, só achei difícil me comprometer.


Tom”