Tom DeLonge se inspirou na morte de seu pai em faixa do novo disco do AVA

Autor Por Danilo Guarniero em 06/10/2014

Angels & Airwaves

Semana cheia para o Angels & Airwaves. Dessa vez, Tom DeLonge falou com a Rolling Stone sobre o novo single do Angels & Airwaves, “Paralyzed” (ouça aqui) e sobre o que essa faixa significa, além de dar detalhes sobre o próximo disco e uma música que ele compôs após a morte de seu pai, em 2014. Confira a matéria traduzida abaixo:

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Pela primeira vez desde 2011, Tom DeLonge queria ser mais “realista” em um álbum. “Eu pude chegar com o Ilan [Rubin, baterista do AVA] e dizer ‘tá legal, como faremos algo que tome uma direção diferente do que as pessoas conhecem do Angels and Airwaves?'”

Se “Paralyzed”, a primeira música que a banda está liberando do novo disco, for alguma indicação, a nova direção é implacável, pesada e alta. “Em termos de letra, a música é sobre paralisia do sono,” Tom comentou com a rolling Stone. “Acho que precisávamos de algo que pudesse mudar a cabeça e atrair fãs da galera post-hardcore e punk rock que ainda gostam dos meus trabalhos passados.”

O projeto, entretanto, inclui mais que punk rock e, no dia 31 de outubro, a gravadora de DeLonge “To The Stars” começará a liberar alguns vídeos, animações, histórias em quadrinhos, um livro e um filme que acompanhará esse aglomerado multimídia: Poet Anderson: The Dream Walker. O álbum em si, chamado apenas The Dream Walker, será lançado um pouco depois (nota do tradutor: de acordo com o Property Of Zack, o disco sairá em dezembro). Ao telefone, DeLonge falou sobre o contexto sobrenatural  da música “Paralyzed” e sobre a morte do produtor Jeff Newell, um amigo o qual ele sempre se referiu como o quinto membro da banda.

Este é o primeiro disco que o Angels & Airwaves compôs sem Jeff Newell.Como foi trabalhar sem ele?
Foi difícil — ele era meu campeão. Ele me chamava de líder destemido, porque eu dava minha cara a tapa mesmo quando as pessoas não estavam abraçando a ideia. Ele sentava lá e se debruçava sobre cada minúcia das coisas que eu estava fazendo, e ele as entendia e conversava comigo para expandi-las. E isso me fazia realmente me sentir validado como um artista do que eu estava tentando finalizar. Foi uma jornada maravilhosa com ele. Quando eu ouço os discos antigos do AVA parece que eu vou me acabar de chorar a qualquer momento, porque foi alguém que realmente esteve lá por mim em uma parte importante da minha vida.

O que mais nesse disco novo você está empolgado?
Tem uma música chamada “Tunnels” que é muito interessante. foi a primeira música que compusemos, e eu compus a letra até o refrão, que era sobre duvidar da religião. Então, dois ou três meses atrás, meu pai faleceu. Na noite em que isso aconteceu, eu acordei com uma quantidade de energia extraordinariamente gigante, e eu só consigo descrever isso dizendo que foi como se alguém tivesse injetado um galão de metanfetaminas e Ecstasy eletrificada. Meu coração estava a mil e tinha algo no quarto, mas não sabia o que era. Peguei o celular, não tinha nada. Algumas horas atrás eu tinha deixado meu pai no hospital sob cuidados paliativos.

Eu voltei a me deitar e, durante 30 minutos, não consegui mais dormir porque eu estava literalmente chapado. E aí meu celular vibrou e era a enfermeira e dizia “Por favor, me ligue”. Eu liguei e ela disse “Seu pai morreu há 30 minutos”. Foi o sentimento mais insano de todos. Foi totalmente sobrenatural que literalmente mudou minha vida, porque era tão forte. Aí eu voltei e compus o refrão daquela música duvidando da existência de Deus. É como se fosse uma justaposição da música em si.  Essa música, “Tunnels,” soa um pouco como Motown ou um pouco folk, mas é grandiosa. É tão diferente de tudo o que eu já fiz. Essa é, provavelmente, uma das duas músicas favoritas que eu já compus em toda a minha carreira.