Tom DeLonge fala sobre os projetos recentes com a Macbeth

Autor Por Danilo Guarniero em 05/08/2014

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Tom DeLonge, o cara atrás de diversos projetos como o blink-182, Angels & Airwaves, o site Modlife, o selo To The Stars (para apoiar ideias criativas desde a música até filmes) e a encubadora de pequenas empresas Really Likeable People. E no meio de tudo isso, DeLonge ainda arruma tempo para cuidar de sua companhia de roupas e calçados Macbeth.

Tom conversou com a Alternative Press especificamente sobre ela e como ele consegue lidar com tantos projetos diferentes, além de comentar sobre os mais novos lançamentos do Studio Project da marca, que é um projeto de colaboração entre a Macbeth e diversos artistas para criar modelos únicos e com suas assinaturas. The Maine, The Gaslight Anthem e Sleeping With Sirens foram os mais recentes artistas a colaborarem com a marca.

Leia abaixo a entrevista completa:

Como começaram os Studio Projects? E no que eles diferem de uma colaboração normal?
A própria Macbeth começou como um grande Studio Project. Todos os nossos amigos eram músicos e artistas, então era com eles que queríamos trabalhar pois nos inspiravam. Os Studio Projects foram meio que uma forma de unir uma diretoria incrível para ajudar a moldar o que a Macbeth seria como marca. Nós não jogamos simplesmente o logo de uma banda no tênis; na verdade, a gente mostra para os caras todo nosso processo de criação dos tênis e os ajudamos a traduzir as suas artes na forma de calçados. É isso que torna nossas colaborações diferentes.

Como são escolhidas as bandas dos Studio Projects e por que escolheram os mais recentes —The Maine, Sleeping With Sirens e The Gaslight Anthem?

Todos esses aconteceram bem naturalmente. Assim são os melhores tipos de relacionamentos. Eles representam uma parte diferente do rock cada um, e nós gostamos disso. Tinham ideias interessantes, então ficamos animados em dar vida a isso em um par de tênis.

Como é o processo dos Studio Projects?
É diferente pra cada banda. Vem do próprio processo criativo deles, como eles escrevem, o que os inspira, a agenda deles, etc. Algumas bandas gostam muito de participar de tudo, até mesmo em relação ao tecido utilizado, então é comum levarmos um monte de amostras de tecidos no backstage dos seus shows, ou nas paradas de suas turnês, ou até mesmo pegando um voo para suas casa. O que for preciso. Outros são mais visuais e têm ideia do que querem que se pareça, mas eles contam com o nosso conhecimento técnico. Todas as bandas nesse projeto recente foram super envolvidas com o processo de design.

Qual é a parte mais recompensadora na Macbeth? E qual é a mais difícil?

Eu tenho uma companhia na qual eu posso trabalhar com meus amigos e as pessoas criativas que me inspiram; essa é sempre a melhor parte. Estamos colocando calçados nos pés das pessoas. Isso é incrível. Digo, eu mal sei tocar guitarra; quem iria imaginar que eu teria uma empresa de calçados, ou que alguém iria confiar em mim para administrar uma?

Mas há dificuldades também, com certeza, como em qualquer lugar. A parte mais difícil é provavelmente a de quem quer precisa fazer todos os cronogramas e as planilhas. Eu odeio essas coisas.

Como você divide seu tempo entre a música e a Macbeth?
Ambas as coisas são parte do meu dia-a-dia. É mais intenso ou não dependendo no que as bandas estão trabalhando no momento. Meu estúdio e o espaço criativo da Macbeth são no mesmo prédio, então é fácil para mim trabalhar nas duas coisas produtivamente. É o negócio perfeito.

Vocês estão trabalhando com alguma organização sem fins lucrativos? 
No momento, uma parte da receita com as vendas do Studio Project do The Maine vai para a instituição Music Saved My Life através da fundação Hope For The Day. É uma causa que está nos nossos corações e algo muito importante para a banda, então é muito bom. Nós ainda trabalhamos com o PETA (organização protetora dos animais) e temos um projeto a caminho em breve. Além disso, também estamos apoiando um dos nossos artistas que recentemente teve um familiar diagnosticado com câncer. Organizações sem fins lucrativos sempre foram parte da minha vida, e é ótimo ser capaz de usar a Macbeth como um veículo para gerar consciência a respeito de grandes causas.

Houve alguns desafios ao continuar criando produtos que não maltratam animais? 
Materiais vegan podem ser caros, então é difícil manter o preço baixo para os fãs, mas tentamos o máximo que podemos a cada temporada. Às vezes, como quando começamos a utilizar materiais reciclados nos calçados, eles ficavam tão bons que nem dava para notar a diferença. Sabíamos que era a coisa certa a fazer desde que muitos dos nossos amigos e artistas são veganos. Foi a única maneira de sinceramente representar a marca.

Colaborações de músicos começaram a se espalhar na indústria de roupas e calçados. O que destaca a Macbeth? 
É a nossa conexão autêntica com os músicos. Todos nós somos músicos e entendemos. Já vivemos em uma van em turnê, dormimos em estacionamentos entre shows, passamos noites sem dormir no estúdio e experimentamos a magia que acontece no palco quando nos conectamos com nossos fãs. Não somos só um monte de caras corporativos sentados em um escritório tentando botar o logo de alguém no nosso produto porque lemos em algum lugar que é uma boa ideia. Nós vivemos e respiramos a cultura e estilo de vida. Fizemos disso parte da marca por inteiro — não é só uma iniciativa de marketing.

Algum plano futuro que você pode dividir com a gente? Próximos Project Studios, novos estilos ou campanhas? 
Nós estamos testando uma forma para os caras poderem mijar em um compartimento no tênis enquanto estão no palco, porque às vezes você não tem tempo para ir ao banheiro. Brinks. Bom, na verdade eu posso estar trabalhando em algo.