Tom DeLonge está silenciosamente transformando a industria musical

Autor Por Danilo Guarniero em 09/12/2014

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Título ambicioso? Pode apostar. Assim como tudo que envolve Tom DeLonge e seu projeto Angels & Airwaves. A diferença é que essa classificação foi dada não pelo próprio guitarrista em mais uma de suas entrevistas ousadas, algo que seria de se esperar, mas por um artigo recente do FastCompany.com.

Leia abaixo a tradução da matéria que fala sobre o lado empreendedor de Tom DeLonge e descubra como o guitarrista poderia estar revolucionando secretamente a indústria do entretenimento.

Kanye West, Jack White, e Pearl Jam. Todos eles têm algo em comum — o guitarrista e vocalsita do blink-182, Tom DeLonge. Mais especificamente, sua plataforma chamada Modlife.  O mesmo cara que disparou nas paradas da Billboard com a fama de tocar pelado em shows e clipes, agora fornece um software digital para grandes rock stars mundiais.

Você provavelmente está confuso. DeLonge está acostumado com as caras de paisagem, mesmo do pessoal que está dentro do mercado da música. “As pessoas sempre ficam, ‘calma, essa é a empresa do Blink?'” ele diz.

Modlife é uma plataforma customizável que facilita o processo de venda de produtos físicos e digitais. Quer comprar um álbum no iTunes? Modlife vai te encorajar a comprar junto com um poster gigante autografado. Quer ver um show? Modlife te dá a oportunidade de pagar a mais e ter acesso a passagens de som da banda. “Estamos aumentando a receita das bandas ao proporcionar ferramentas para monetizar todos esses elementos diferentes do negócio deles,” afirma DeLonge.

E a receita é alta. Na última turnê do Angels & Airwaves, DeLonge vendeu um número limitado de pacotes junto com ingressos VIP – o que dobrou a renda. 40% da receita de cada novo lançamento do Angels & Airwaves vem de pacotes físicos e digitais feitos diretamente para o consumidor final através do Modlife. O software também corta os custos, porque já integra funcionalidades como um chat em tempo real à plataforma, para que os artistas não precisem pagar para outra empresa fornecer esse serviço. Eles inovaram até a forma de se livrar de cambistas criando um sistema de loteria onde os fãs VIP podem entrar para ter a chance de escolher lugares privilegiados para ver os shows. Mesmo se os cambistas ganhassem os sorteios, teriam que viajar para as cidades próximas para vender os ingressos, o que não seria viável para eles. Quando o Pearl Jam usou esse sistema de loteria para vender ingressos para os membros de seu Ten Club, um dos maiores fã-clubes de rock do mundo, foi a primeira vez que as vendas de ingressos não derrubaram o site da banda. Após isso, o Live Nation criou sua própria versão do software Modlife.

Mas espera aí. Essa é a empresa do Blink?

Na verdade, startups não são novidades para DeLonge. Enquanto ele estava vendendo discos arrebatadores com títulos que também eram trocadilhos com masturbação (Take Off Your Pants and Jacket), ele também estava passeando pelo campo da tecnologia. Enema of the State vende um milhão de cópias dois meses após seu lançamento, em 1999, mas “nós estávamos buscando um plano B,” contou DeLonge. “O Napster estava no seu auge, e o epicentro da nossa base de fãs era o pessoal que tinha o mais novo computador da Apple.”

Então, naquele ano, DeLonge criou o loserkids.com. Foi um dos primeiros sites que fazia curadoria, venda e monetização do estilo de vida que o blink-182 representava. Acabou sendo um salto lucrativo durante um momento de transformação da indústria. Desde a chegada do Napster, muitas bandas não foram capazes de ganhar dinheiro com a venda de álbuns. Além disso, distribuidoras de terceiros vendiam os ingressos, discos e merch das bandas, pegando para si uma parcela do lucro que as bandas tinham em cada venda. Foi aí que DeLonge começou a pensar sobre como ele poderia monetizar outros aspectos das experiências com as bandas. Assim surgiu o Modlife em 2007, um tempo depois que o blink-182 decidiu se separar.

Primeiramente, foi construído para vender o trabalho da To The Stars, outra startup “transmídia” de DeLonge’s, porque o Modlife funciona melhor com artistas multimída ou coletivos que podem vender pacotes com trabalhos diversos e em várias mídias diferentes. Um sonho para Tom DeLonge seria trabalhar com o Tim Burton, que poderia vender suas artes, livros e filmes juntos, o que afastaria os fãs de baixar ou fazer o stream de um filme sem que desse pelo menos um pouco de lucro para Burton. DeLonge investiu centenas de milhares de dólares nessa plataforma porque ele visiona o futuro da arte como um lugar onde todos os artistas vão lançar todos os tipos de mídia. “A garotada usa o computador para gravar seus discos no próprio quarto, mas também estão usando seus computadores para criar filmes capturados em seus iPhones,” ele diz. “Os artistas do futuro vão fazer coisas muito mais ambiciosas que vão unir tudo isso em uma coisa só.” E DeLonge estará lá para monetizar tudo isso em um simples pacote. Para ele, é um pacote de coisas que seduz as pessoas a fazer uma compra ao invés de simplesmente fazer um download grátis.

Por enquanto, os serviços do Modlife servem para “um monte de instâncias as quais bandas não confiam nas gravadoras. E essas gravadoras ainda precisam fazer algo corajoso para ter uma longa vida financeira nas diferentes coisas que estão planejando,” DeLonge indica. Modlife faz dinheiro através do conceito de receita compartilhada, e sempre pega uma parte minoritária de sua parcela, para criar uma confiança com o artista. Com a plataforma do Modlife de vender diretamente para o consumidor, os artistas de grandes gravadoras podem fazer dinheiro independentemente.

Assim, é hora dos artistas enxergarem além das “corporações que estão os roubando,” o guitarrista diz. “E as pessoas precisam repensar o que os sites de streaming estão fazendo com esses artistas,” DeLonge ressalta, explicando que serviços como o Spotify funcionam para um catálogo de discos antigos, mas muito pouco para um artista que está ativamente tentando vender discos. Para todos que fazem o uso desses sites, em memória aos seus dias de blink-182 sem censura, DeLonge disse recentemente para a FasterLouder que streaming é como “perdoar os chineses que estão matando elefantes para retirar suas presas e fazer um souvenir de marfim.”

Sim, o Modlife pegou o espírito do Blink.

O novo disco do Angels & Airwaves, The Dream Walker, já está disponível! Ouça na íntegra neste link. Você pode comprar agora mesmo o disco digitalmente pelo iTunes ou na loja oficial do Angels & Airwaves (junto com o filme Poet Anderson: The Dream Walker).

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