Tom Delonge conversa com o PureVolume sobre “Poet Anderson: The Dream Walker”

Autor Por Maria Alice Azevedo em 25/10/2014

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O PureVolume entrevistou Tom Delonge e perguntou sobre a origem e elaboração do filme Poet Anderson: The Dream Walker e da ligação do projeto com o novo álbum Love.

Clique aqui e assista ao trailer do filme!

Enquanto o blink-182 alcançava o auge de sua fama, Tom Delonge se enchia de idéias. E foi durante uma turnê em Paris, sentado no quarto do hotel que lhe surgiu o conceito do personagem chamado Poet Anderson. Agora, quase 15 anos depois, ele está mais preparado do que nunca para incorporar esse projeto ao ambicioso Angels and Airwaves.

Escondidos em um prédio cercado protegido por árvores e portões, Delonge e Ilan Rubin descansam na sala de controle do North Hollywood Studio. Os dois estão tranqüilos, mas Tom também se mostra confiante sobre o próximo álbum do Angels and Airwaves, o multifacetado The Dream Walker, quarto álbum do grupo que incluirá também um filme e um conto.

Com a ajuda de profissionais da animação Tom conseguiu transformar sua criação em realidade. E depois de dois anos o curta ligado ao projeto está previsto para estrear no Festival de Toronto. Após nos receber, Tom Delonge tocou duas músicas – uma com pegada eletrônica e outra com uma imponente guitarra – do álbum, ainda incompleto, que está previsto para ser lançado em dezembro. Ele também nos mostra o trailer do filme e alguns rascunhos da animação. Mesmo com essa grande pretensão em torno do The Dream Walker, Delonge afirma que seu foco principal é a música. “Esse álbum é um divisor de águas para a banda e vai mudar a percepção das pessoas sobre nossa capacidade musical”, explica o vocalista. “As pessoas precisam entender que o projeto não é só isso e nós estamos passando muito tempo tentando criar uma obra de arte subversiva, ambiciosa e intrigante”.

PureVolume: Como surgiu o conceito da animação e do Poet Anderson?

Tom Delonge: O Angels & Airwaves era pra ser um projeto de arte e multimídia. Mas realizar é muito mais complicado do que explicar. Durante 10 anos, nós lançamos alguns álbuns, conquistamos nossos fãs e promovemos um projeto integrado de álbum e filme chamado Love. Essa experiência nos fez evoluir. A história de Poet tinha as noites chuvosas de Paris como cenário. Até que assisti um documentário sobre sonhos e fiquei interessado na relação e propósito dos pesadelos com nosso cérebro. Eu amei a idéia de criar um personagem que habita os sonhos das pessoas e as protege e guia no mundo real. Foi isso que me influenciou. Nossa ambição é maior do que nosso conhecimento, não tem sido fácil. Acho que esse projeto vai nos permitir alcançar nossos objetivos.

PV: Você não acha espantoso que uma idéia tão antiga esteja se realizando agora?

TD: É muito esquisito e incrível ao mesmo tempo. Eu não sabia como seria a elaboração e divulgação da história. Simplesmente levei o esboço para a famosa escritora Suzanne Young analisar, ela achou interessante e se comprometeu com a elaboração. A partir desse momento o projeto passou a se desenvolver cada vez mais rápido. É muito emocionante, e se realmente der certo ele será capaz de revolucionar a indústria musical e a cinematográfica de uma maneira que as colaborações serão mais importantes do que os projetos individuais. Acho que esse será o caminho das artes no futuro.

PV: Como é o processo de materialização do conceito e da personalidade do Poet?

TD: É interessante. Eu escrevi quatro roteiros e dois foram feitos exclusivamente para o Poet. Eu separei as idéias em duas direções opostas e no final escolhi que mais me agradava. Mas acabei usando elementos de ambas. Há tantas pessoas talentosas por aí que seriam capazes de realizar ótimos trabalhos coletivamente, assim como fizemos com esse projeto.

PV: Você já havia pensado em apresentar o Poet nos álbuns anteriores do Angels & Airwaves?

TD: No segundo álbum, I-Empire, Drew Struzan fez a capa, ele é famoso por desenhar pôsters de filmes como Star Wars, Indiana Jones, e outros filmes de fantasia. Naquela época eu planejava lançar o filme de I-Empire também, mas por diversos motivos isso não foi possível. No Whisper nós fizemos um documentário muito rico visualmente e com uma história complexa que demonstrava o que a banda era naquele momento e quais eram nossos objetivos. Nós lançamos o álbum junto com o trailer, e acho que foi uma atitude inédita para uma banda. O Angels & Airwaves queria ser visto como um projeto multimídia. Eu pretendia fazer muito mais coisas com os álbuns anteriores, mas não havia recursos pra isso. Até que veio o Love, que nos deu a possibilidade de lançar a graphic novel e o filme. A divulgação desse projeto foi agressiva, é um tipo de animal muito mais difícil de domar.

PV: Quais foram às dificuldades que vocês enfrentaram ao tentar tirar esse projeto do papel?

TD: Todas. Principalmente com dinheiro. É extremamente caro fazer uma animação e você não sabe se vai dar certo. Foi um grande desafio aprender sobre o processo e conseguir organizar tudo. Eu comecei modestamente e fui aperfeiçoando, pelo menos eu acho.

PV: A história está ligada a musica, ou é o contrário?

TD: Nós queremos que as pessoas entendam que os dois funcionam separadamente. Se alguém comprar só o álbum ele vai ouvir músicas sobre o Poet e sonhos, e vai acabar considerando um ótimo disco. Assim como o livro, é uma ótima leitura que não depende do álbum. As pessoas amam assistir Batman com o Christian Bale, é um filme excelente! Mas isso não que dizer que não haverá também os desenhos animados do Batman. As pessoas que gostarem do Poet terão um mundo infinito de mídia para absorver.

PV: Você tem um pouco do Poet em sua essência?

TD: Quando analiso o personagem encontro alguém introvertido e com uma ambição capaz de elevar sua própria alma a um novo patamar. As pessoas não sabem disso, mas essa esfera colorida da capa do álbum é um orbe que plana sobre o Dream Walker, é a alma dele. O Poet precisou passar por uma grande jornada para chegar a esse ponto, mas essa não é a realidade de todo artista?!