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Tom DeLonge comenta como sua visão de “punk” mudou com o tempo

Autor Por Danilo Guarniero em 16/08/2016

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Tom DeLonge de fato mudou bastante nos mais de 20 anos de carreira musical. De um garoto que só ouvia punk rock e fazia piadas escatológicas, acabou mostrando um lado mais maduro com o passar do tempo – algo que muitos fãs não aceitam até hoje.

Em mais um novo trecho do documentário The Pursuit of Tone ele comenta como sua visão sobre o punk rock mudou com o passar do tempo, citando em especial o The Clash e Oasis como catalisadores dessa transformação:

“Sempre haverá a molecada que vai dizer que eu abandonei o punk rock, que não sou punk… dizendo que ‘isso é punk, isso não é punk,'” começou Tom. “Quando você é um adulto que já passou por isso você diz para eles ‘olha, sua paixão está correta, mas sua definição está errada’.”

Para Tom DeLonge, a ideia do punk existe de maneira que os jovens possam adotá-la para se tornarem indivíduos únicos e comemorarem o fato de que não se encaixam na sociedade. Assim, se sentem cada vez melhores consigo mesmas por justamente não se encaixarem.

“Você usa a definição de forma equivocada quando tenta julgar alguém por não ser algo,” explicou DeLonge.

O guitarrista lembrou de duas ocasiões na sua vida que mudaram totalmente o seu jeito de enxergar o punk rock e a música de um modo geral. A primeira delas envolveu Joe Strummer, do The Clash:

“Eu estava na Austrália com um amigo cujo primeiro show da vida dele foi do The Clash. A gente estava no hotel e o Joe Strummer, do The Clash, estava lá também. Meu amigo estava tipo ‘meu Deus, é o Joe Strummer, preciso falar com ele!’ e então eu fui atrás dele. Me apresentei e ele disse que os filhos dele adoravam a minha banda [blink-182]; tínhamos algo para conversar. Daí eu perguntei ‘como é fazer parte do The Clash?’ e ele disse ‘sabe, antes andávamos por aí nos vangloriando, mas hoje… quer saber, The Talking Heads é bem legal. Não feche sua mente. Não feche sua mente!’ Eu fiquei impressionado e achei interessante que o ‘rei do punk’ estava me dizendo para abrir a mente.”

A segunda ocasião foi com o Oasis:

“Dois dias depois, nós voamos para Detroit, tínhamos um daqueles shows de rádio para fazer e o Oasis ia tocar também. Lembro que eu estava nos bastidores, com meu boné pro lado, piercing no nariz e essas coisas… daí a porta abriu e entraram esses caras com casacos e cabelos meio Beatles. Minha primeira impressão foi ‘é… eles parecem legais pra caralho.’ Não eram do punk rock, mas tanto faz, eu estava tentando me lembrar daquilo que o Strummer me disse… Daí nós tocamos. Não éramos uma banda tão grande. A gente era muito rude. Tipo, no sentido mais engraçado, mas aproveitávamos esses momentos porque 17.000 pessoas estavam nos assistindo e não sabiam quem a gente era. Tocávamos com outras bandas. A gente dizia coisas realmente muito fodidas, tipo, devíamos ir para a cadeia pelas merdas que a gente falava… engraçado. Então saímos do palco, suados, a porta abriu e ali veio o vocalista do Oasis, Liam, e ele disse ‘vocês são o blink-182?’ e disse ‘vocês são o melhor que eu vi na América’. Daí eu ‘você gosta da gente!!!’ e ele ‘não foi isso que eu disse… mas vocês são o melhor que eu vi na América.’ e depois bateu a porta. Eu olhei pra todo mundo e achei o máximo. Aquele era o cara mais punk rock que eu já tinha visto. Depois daquilo eu virei o maior fã do Oasis. Daquele dia em diante eu parei de ouvir só punk rock e passei a ouvir de tudo. Dessa experiência com o Strummer e depois com o Oasis, até à nossa banda explodindo, eu nunca mais olhei pra trás, foi minha graduação.”

Tom DeLonge finalizou sua linha de pensamento: “toda essa coisa de punk não tem nada a ver com a música. Acho que a rapaziada perde esse ponto. Tem a ver com a transformação de ser alguém num grupo para ser um indivíduo. E ter coragem de dizer o que você quer dizer, fazer o que quer fazer e seguir o caminho que você acha apropriado. Lançar uma música chamada The Adventure, após aquela separação tão pública [do blink-182], sobre minha visão do que o mundo pode ser, o que eu quero fazer com a minha vida e como eu escolhi enxergar o mundo foi a coisa mais punk que eu já fiz. Foi assustador fazer aquilo.”

Pursuit Of Tone com Tom DeLonge tem data para ir ao ar:

No próximo dia 19 de agosto, vai ao ar o episódio do documentário “Pursuit Of Tone” sobre Tom DeLonge. A série da Earnie Ball conta a carreira de diversos artistas ao mesmo tempo que foca em algumas de suas mais notáveis contribuições ao mundo da música.

Assim, os músicos explicam significados de algumas composições e até como chegaram naquele timbre dos instrumentos, por exemplo. Alguns trechos do episódio do ex-guitarrista do blink-182 que já foram lançados mostram DeLonge comentando as músicas Stay Together For The Kids (Blink) e The Adventure (AVA). Você pode ver ambos os vídeos traduzidos aqui.

Ele também falou a respeito da evolução da sonoridade que ele adquiriu desde os primórdios do blink-182 até chegar nos dias de hoje. Confira aqui!