Términos e Hiatos Pré-determinados

Autor Por Fernando Belucci em 13/04/2009

No universo, tudo morre, sem exceções. Estrelas, mundos, métodos de comando de uma nação… até a Dercy Gonçalves. Uma vez me perguntei quem morreria primeiro: A Dercy ou o Capitalismo, minha resposta na época foi Capitalismo.

Mas há algo que anda nos entristecendo nesse universo que está cada vez mais corriqueiro: os términos de bandas que gostamos. Não há choros que façam voltar, pelo menos não nos meses seguintes ao anúncio do fim.

Mas hoje, depois de tantos “bla-bla-bla” em cima do retorno do banda, eu notei um acontecimento curioso e meio implícito lá atrás que achei que deveria compartilhar com vocês a curiosidade. Durante a fase separada do blink-182, momento que não gostamos de lembrar, (é normal… é como tentar voltar com a ex ela te lembrar que você xingou a irmã funkeira dela) só eu notei ou situações como hiatos indefinidos, projetos paralelos e términos de banda se tornaram algo tão comum atualmente? Não notou?

Los Hermanos, Red Hot Chilli Peppers, Foo Fighters, Yellowcard, Gram… Algumas que lembro de cabeça e rapidamente.

A primeira vez que cheguei a ouvir a frase “Hiato Indefinido”, não puxando o saco, mas foi com o Blink. É o termo (todos sabem, porém não custa nada explicar) usado para falar que a banda pode voltar assim que algo mágico acontecer: (entendimento dos brigados, falta de dinheiro, renovação de idéias, entre outras). É como falar: “sei lá, ninguém sabe o dia de amanhã, vai que voltamos vai que não… deixa o tempo dizer”, é… Banda é um relacionamento, deveria ter até Status no Orkut: “Nome: João, Relacionamento: toca numa banda”. A Mulherada de plantão já ia ficar esperta antes de algo sério com um cara desses, ou foge ou cai de cabeça no projeto… Se você é uma Courtney Love ou uma Yoko Ono, recomendo distância…

Los Hermanos foi na mesma onda, usou o tal do hiato indefinido “coincidentemente” depois de um álbum não tão bom, “Quatro”. Bom que digo é perto da capacidade que ela já chegou. Após a separação, Marcelo Camelo começou uma carreira solo bem MPB-indie-alternativão e quase-pedófilo, pegando a “finjo-que-sou-boba” Mallu Magalhães, já o Rodrigo Amarante fez uma banda com o Fabrizio Moretti (Strokes) seguindo uma linha bem diferente de tudo, divertida até, mas há bandas nacionais que fazem coisa melhor e mais criativa.

Criou-se um estigma na música sobre retornos: ou se volta pra ficar ou pra falir de vez. Los Hermanos apelou por uma terceira opção: voltar de vez em quando e tornarmos Cult, “virará uma febre toda vez que fizermos isso” devem pensar eles… Boa idéia, mas nada original, o Pink Floyd criou isso primeiro no Live8.

Red Hot Chilli Peppers, Yellowcard e Foo Fighters já apelaram para o clássico: “tempo para cada um integrante”. Mas Dave Grohl foi mais longe com sua frase de impacto: “Voltaremos quando notarmos que o mundo precisar da gente”. Uau! Superman fez isso há três anos no cinema e descobrimos que Batman deu conta do recado sozinho. Tomara que com o Foo Fighters não seja o mesmo.

Gram infelizmente é um caso de “One-Hit-Band” mesmo… Depois de “Você pode ir na Janela”, hit pelo clipe e pela letra poética linda e chiclete, nada à altura veio depois. A MTV Brasil fez até um MTV Apresenta, mas tirando a música já manjada, o destaque foi para “Across the Universe” cover dos Beatles.

É sempre chato quando uma banda acaba, independente de qual é. Mas é chato ver o hiato de umas e outras torcendo a criatividade já seca. U2 voltou às origens há dois álbuns atrás, com o “How to Dismantle an Atomic Bombe veio duas peças puramente visuais e comerciais depois disso, e o primeiro passo de uma banda ainda é a qualidade musical. Claro, tem que em tempos de internet divulgar. Mas não é de hoje que vemos bandas com um, dois álbuns e o próximo uma lástima ou nem sequer chega a existir: Rumbora, O Surto (um surto mesmo), Penélope, The All-American Rejects, esqueçam… foi golpes de sorte e criatividade momentânea num passado remoto. O passado está cheio.

NxZero, Jonas Brothers e Fresno serão como foi Backstreet Boys, N’Sync e Five foi. Terminarão quando seus fãs notarem a auto-maturidade.

Já U2, Charlie Brown Jr., o “Rei” Roberto Carlos e Rolling Stones venderão discos até se cagarem num Blue-Ray e colocarem à venda, mesmo com todas as idéias boas deles já desgastadas ou sejam recicladas deles mesmos. Auto-Plágio deveria ser crime.

De artistas criativos que estão transcendendo o tempo, só Madonna que vende mais e mais e, até agora (e espero que sempre) o Blink182, que assim como os Beatles, começaram no básico, e a cada álbum fomos levando um (bom) susto de coisas novas, e por isso ainda se aumenta essa expectativa em seu retorno: voltaram como essas outras, com intenções pobremente lucrativas e sem tempero? Ou, como eu gosto de pensar e acredito: para mostrar que se a cada álbum e projeto independente eles só evoluíram, o retorno deles é um sinal de que os bons tempos de um simples e criativo rock voltaram.


FERNANDO BELUCCI tem 24 anos, estuda Jornalismo, é escritor e roteirista de quadrinhos alternativos, tem um blog de contos… Espera não ofender muita gente com seus comentários, só espera. Aliás… A dercy morreu, mas ele tranferiu pra Hebe e AINDA aposta no capitalismo.