Solidariedade nunca é demais

Autor Por laisizzle em 17/01/2010

Eu sempre fui daquelas que ficava chocada – e, dependendo do meu humor no dia, até chorava (fazer o quê, né? Mulheres…) – quando sabia que alguma espécie de tragédia havia acontecido. Não precisava nem envolver algum conhecido meu na história; mesmo se fosse o primo do irmão da amiga da minha vizinha que tivesse sido atropelado, eu já me sentia, no mínimo, remotamente abalada.

Quando eu vi as notícias sobre o terremoto no Haiti eu estava viajando, hospedada na casa de uma tia minha, e eu lembro que, depois de ouvirmos sobre a catástrofe em um noticiário na TV, todos na sala ficamos em silêncio por uns bons segundos. É difícil acreditar que coisas desse gênero acontecem; parece que vivemos em outro mundo, outra dimensão, e aquele sofrimento no Haiti não passa de um sonho – ou melhor, pesadelo – remoto. Infelizmente não é.

Ainda assim, perante essa tragédia, ainda há aquilo que eu gosto de ver como fatos que renovam a minha esperança nas pessoas – a solidariedade de vários países, organizações e pessoas que estão se empenhando em ajudar as vítimas do terremoto. O próprio Blink-182 fez isso, como vocês devem estar acompanhando pelas notícias aqui no Action, o que só prova o quão merecedores eles são da nossa (no mínimo) admiração.

Claro, também existem aqueles que gostam de me mostrar que a frivolidade ainda existe e persiste, e estão mais preocupados com banalidades como, sei lá, os Colírios da Capricho (se você não faz a mínima ideia do que é isso, sorte sua) – né, Luks? – do que em dedicar três minutos fazendo qualquer doação que seja ou, não menos louvável, uma oração. Eu penso que nem em Deus você precisa acreditar para orar por outra pessoa; só a iniciativa de desejar o bem para ela já é mais do que o suficiente.

Muitos dizem que, para nos importamos com os outros, devemos nos colocar no lugar deles. Eu acredito nisso, e acho que o problema jaz justamente no fato de que muitos, muitos mesmo, possuem uma dificuldade tremenda em se colocar em uma situação como essa (na maioria das vezes, nem se dão ao trabalho de tentar). Imaginem vocês vivendo no país mais pobre do seu continente e, ainda por cima, esse mesmo país começar o ano sendo devastado por um terremoto, deixando tantos mortos que você começa a ver seus parentes e conhecidos no meio deles. Isso sem contar aqueles que também ficaram desabrigados, sem comida e sem água, e estão lutando para sobreviver a cada dia, contando só com a boa vontade do próximo. É uma situação tão aterradora que chega a ser surreal para nós – mas ela está acontecendo nesse exato instante e, felizmente, existem várias pessoas dispostas a ajudar. Se você não era uma, espero que depois de ler isso, seja.

OBS.: O @bielgvr, aqui do Action, postou uma compilação de links no twitter destinados a ajudar a população do Haiti, que você pode conferir AQUI. Se possível, ajude e dê RT!

Laís Cerqueira Fernandes tem 16 anos, é estudante do Ensino Médio, futura estudante de Jornalismo, aspirante a escritora e tem a doce ilusão de que conseguiu deixar o mundo um pouquinho melhor depois dessa coluna.