Ser Fã é Para Poucos

Autor Por laisizzle em 15/11/2009

Se você for procurar na Wikipédia – coisa completamente corriqueira, caso você seja um estudante – o que é “”, ela vai te dizer que “é uma pessoa dedicada a expressar sua admiração por uma pessoa famosa, grupo, idéia, esporte ou mesmo um objeto inanimado (por exemplo, um automóvel ou um modelo de computador)”. Se você for até o Dicionário Aurélio e procurar pela mesma coisa, ele vai te responder que fã é um “admirador exaltado”. Se você estiver com muita boa vontade e quiser pesquisar a morfologia da palavra, vai ficar sabendo que “fã” vem de “fan”, que é uma abreviação da palavra americana “fanatic”. Então você pergunta: “Tá, e daí?”. Daí que eu te dei essa mini aula de português só para dizer uma coisa: a Língua Portuguesa é linda, mas deixa a desejar na hora de tentar definir algum sentimento com meras palavras. Porque ser fã não é o tipo de coisa que se define; é o tipo de coisa que se sente.

Sentimentalidades à parte – ou não -, parem para pensar sobre o que é ser fã. Podemos começar pela diferença entre gostar de algo e ser fã de algo; afinal de contas, ouvir uma música “por ouvir” é diferente de ouvir uma música e se identificar com ela, assim como apreciar o lançamento de um single é diferente do que passar dias esperando pelo mesmo – todos aqui que estão aguardando a nossa Up All Night devem entender perfeitamente o que eu estou falando. Não que as pessoas que gostam de algo devam ser desmerecidas. Elas só não são… Fãs! Azar o delas, concordam? Ser fã é algo que é para poucos.

Outro exemplo com o qual vocês devem se identificar é o da mobilização de pessoas no Twitter para tentar colocar tags – #Blinkumentary, #Action182 e #182inBrazil parecem familiar para vocês? – nos Trending Topics do site (se você não entendeu uma única palavra que eu escrevi nesse parágrafo, cara, você está por fora da evolução digital! Orkut is so last season…). Você não precisa correr para o banheiro mais próximo para procurar uma gilete e cortar seus belos pulsos porque se deu conta de que não participou dessas mobilizações e merece morrer porque não é um fã digno – hey, vai com calma, meu conceito de fã não é tão extremista assim! Eu estou usando esse exemplo para que aqueles que participaram consigam se identificar ainda mais com o texto. Tem como descrever a sensação que sentimos quando conseguimos colocar as tags nos TT sem incluir a palavra “orgulho” na descrição? Não mesmo. E nós estamos certos: Se tem algo do qual devemos nos orgulhar, é da nossa, digamos assim… Competência como fãs. A nossa união em busca de um único objetivo – seja ele trazer a nossa banda preferida ao Brasil ou colocar tags nos Trending Topics – é motivo, sim, para orgulho. Já repararam como nós nos sentimos como se fôssemos parte de uma só família quando fazemos isso? Continuamos certos – o conceito de “família”, pelo menos para mim, nada mais é de do que pessoas que compartilham algo em comum. No caso da sua família que é unida por laços de parentesco, vocês compartilham o mesmo DNA – no caso da nossa “Família182”, nós compartilhamos o amor pela mesma banda.

Logo, como uma família, deveríamos agir como tal, certo? Deve ser por isso que eu fico tão indignada quando eu vejo fãs de demais bandas que ao ver o clipe das mesmas na MTV ficam loucamente revoltados porque “agora tal banda vai virar modinha”! Ou então quando estabelecem uma competição entre si para ver “quem é fã de verdade”. Mesmo que existisse isso de quem é “mais fã” ou “menos fã”, qual o problema de mais gente gostar da mesma banda que você? Vai ser bom de qualquer forma. Quanto mais gente gosta dela, mais chances de conseguirem uma vinda da banda ao Brasil. ‘Bora pensar assim e tirar todo esse rancor dos seus coraçõezinhos?

Fãs deveriam se unir, não ficar disputando quem é mais fanático do que o outro. De que diabos isso vai importar? No fim das contas, nós temos algo em comum – e se esse algo vir a ser amor pelo Blink-182, só prova que nós temos bom gosto e deveríamos ser amigos. Sério! Afinal, uma das melhores coisas que nós conseguimos obter nessa de ser fã são as amizades. ‘Bora dar aos mãos e ir em direção ao sol, numa vibe bem Criança Esperança, ao som de I’m Lost Without You ou algo assim? Tenho certeza que vai valer mais à pena do que entrarmos em discussõezinhas bobas.

Conclusão? Ser fã é, sim, um privilégio. E, cá entre nós, que coisa bonita é ser fã, não é? Antes que vocês achem que baixou o Galvão Bueno em mim – que coisa liiiiiiinda, amigos da Rede Glooooooobo! -, deixa eu explicar: quer uma conexão mais linda e complexa do que a que existe entre fãs e seus ídolos? Porque embora eles não se conheçam – mesmo que nunca tenham sequer se visto -, existe essa relação de cumplicidade inalterável. É um vínculo que não pode ser forjado e que nos dá direito a sensações incríveis – quando, por exemplo, ouvir aquela música melhora seu dia; quando aquela frase do seu ídolo sintetiza um sentimento seu que antes você achava inexplicável; quando, um dia, ouvir a introdução de Dumpweed ao vivo vai nos fazer sair de órbita.

Digo e repito: Ser fã é para poucos – mas nós, aqui, somos muitos – e eis um fato do qual nós devemos nos orgulhar.

Laís Cerqueira Fernandes tem 16 anos, é estudante do Ensino Médio, futura estudante de Jornalismo e aspirante a escritora. E não, não é prima do BLD.