Review do LOVE no site Crave

Autor Por Danilo Guarniero em 14/02/2010

O site Crave Online publicou uma resenha do álbum LOVE, do Angels & Airwaves. Confira abaixo a tradução:

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Por Johnny Firecloud.
13 Fev, 2010.

O terceiro álbum do Angels & Airwaves, LOVE, foi disponibilizado neste fim de semana. Ele é metade de uma experiência música/filme que a banda vem comentando muito, como se fosse a segunda chegada do Cristo musical.

Com dois álbuns de sucesso nas costas, é seguro dizer que o Angels & Airwaves se estabeleceu fora do “guarda-chuva” do Blink-182, mas não há como escapar das comparações. Este lançamento do AVA é tipo aquele palhaço que percebe que todos estão rindo dele, e não com ele, e está dando o máximo para fazer algo com o coração pra que as pessoas liguem para ele. Funciona, mas como a reunião do Blink-182 confirmará, o papel de idiota cômico é muito mais lucrativo.

Do LOVE, DeLonge disse, “Será o maior lançamento da minha vida, o auge da minha criatividade. Será muito conceitual e intelectual de várias formas, muito artístico, muito Stanley Kubrick, mas não é uma ópera de rock. É uma versão bem moderna do que poderia acontecer quando você combina a indústria musical e a indústria cinematográfica de uma forma muito legal com vários profissionais envolvidos.”

É, essa falação sem sentido e todo esse tipo de descrições são normalmente usados para uma mediocridade auto-importante. Mas ainda bem que o álbum é melhor que isso – só um pouco.

Depois de dois minutos e meio de instrumental que parecem o The Edge do U2 orbitando a Lua, LOVE começa com “The Flight of The Apollo,” uma dose poderosa de “você pode superar isso” com uma pequena influência de Box Car Racer e sintetizadores sinfônicos batalhando com barulhos de naves sendo lançadas.

“Young London” começa com um som crescente que ficaria muito melhor se o Tom gritasse “THUNDAASTRUUUUCK!” na hora certa. Essa introdução é incrível, mas a cópia de AC/DC é clara. Infelizmente a música pára na segunda marcha e não vai a lugar nenhum. A melhor parte é no minuto final onde a bateria toca uma batida firme e a guitarra acompanha com harmônicos e ecos.

Há um problema com o álbum inteiro. Os caras parecem ter se animado demais com alguns riffs e os novos sons espaciais que acharam no ProTools, e construíram um álbum em torno de um grande conceito (amor, claro) que todos podem relacionar universalmente. Uma overdose de intervalos e introduções longas e melodramáticas que ficarão na maior parte por fora das estações de rádio, mas acho que há algo a ser dito pelo fato do álbum inteiro ser feito inteiramente independente.

“Shove” é um exemplo sólido das tentativas do AVA de romper com suas próprias fórmulas, como no single Hallucinations, que é possivelmente a melhor músca do álbum. O remix que Mark Hoppus fez da faixa, disponível em troca por uma doação para a banda, é uma abominação barulhenta que não faz nenhum sentido. “The Moon-Atomic (Fragments and Fictions)” é outra forte competidora. DeLonge cantando “We are all that we are / So terribly sorry,” um hino pop rock anti-guerra sarcástico que equivale a “Insignificance” do Pearl Jam. Há um elemento meio Depeche Mode no final da música, que está sozinho desnecessariamente, mas ganhou pontos na retrospectiva.

Em contraste, “Epic Holiday” é avaliada como fraca, com letras chatas e um riff de guitarra que foi pego diretamente da música “Everything’s Magic,” do álbum deles de 2007 (I-Empire), e que nunca existiria se o guitarrista do U2 não tivesse feito antes. E sou eu, ou o Sr. DeLonge está reciclando melodias dos álbuns anteriores do AVA?

Se a banda tivesse outro vocalista, alguém que pudesse mesmo cantar com classe ao invés das mesmas inflexões em cada música, talvez eles teriam uma chance maior de ganhar fãs mais organicamente. Por todas aquelas declarações de que seria o auge do trabalho deles como banda, que é por isso que eles querem ser lembrados, teria sido muito melhor com menos esforço de capturar o romance espacial de sonhador e um pouco mais de energia para variar o som. Este não é o som de se apaixonar, este é o som de uma banda dando seu melhor pra ser sua trilha sonora no Dia dos Namorados.

Angels & Airwaves certamente não vai ganhar muitos fãs novos com este álbum, embora uma exceção poderia ser feita ao o público moderno de Green Day e Muse.

Obrigado ao Pedro por enviar o link nos comentários!