Praticidade x Qualidade

Autor Por brunobld em 22/11/2009

Foi-se o tempo em que os meios de comunicação transmitiam música de verdade.

Ultimamente, com a ajuda de mecanismos virtuais como o Myspace, Purevolume, Orkut, Twitter e afins, a divulgação de novas bandas tornou-se uma atividade acessível, de baixo custo e cômoda. A praticidade obtida com a evolução tecnológica fez com que a maioria das pessoas deixassem de se empenhar para obter o sucesso através do merecimento. A internet tornou-se um ambiente no qual a imagem é mais valorizada do que o trabalho musical em si.

Muitas bandas produzem sons “coloridos” intencionalmente, pois esse gênero é que está sendo valorizado no meio em que estes divulgam seu “trabalho”. Os integrantes nem ao menos gostam do que estão fazendo, mas ainda assim continuam seguindo aquilo que lhes rende dinheiro. Assim, as bandas que realizam um trabalho admirável são sombreadas por aqueles que vendem seu trabalho pela fama.

Outro ponto interessante é a intensa utilização de sintetizadores e edições de estúdio para produzir aquilo que alguns chamam de “música”. Não existe uma dedicação dos integrantes em produzir uma melodia com seu talento, cada vez mais estes recursos são procurados, tornando a música artificial. Este fenômeno pode ser observado nas apresentações destas bandas, onde o playback e os sintetizadores estão sempre presentes, algo tão desprezível quanto a mentalidade comercial dos que a praticam.

Felizmente ainda existem bandas que continuam a produzir arte ao invés de ruído, mesmo sendo raríssimas no meio virtual. Cabe a nós saber diferenciá-los dos que foram engolidos pelos holofotes. Procurar o conhecimento musical é fundamental para este discernimento, atitude cada vez menos presente no cotidiano desta geração a qual todos pertencemos.

Matheus Jordão tem 17 anos, é estudante do Terceiro Ano do Ensino Médio e do Segundo Módulo do Curso Técnico em Mecatrônica e acaba de integrar a equipe da Action182 como colunista.