O ressurgimento da cena pop-punk

Autor Por brunobld em 28/03/2009

Lembra do dia em que o Blink 182 anunciou sua interrupção? Ora, dificilmente alguém se lembrará. Lembro-me apenas de não ter ficado muito deprimido quando do anuncio do hiato indefinido – pelo menos não até que o “Greatest Hits” foi lançado. Choque é a palavra que define aquele momento.

Mas, mudando de assunto, o que o Blink 182 foi capaz de fazer em sua vida? Eu, por exemplo, aprendi a tocar baixo e guitarra e, inclusive, fiz algumas aulas de canto. E sei que o trio teve esse efeito em muitas pessoas. Quando a banda entrou em um hiato indefinido, em meados de fevereiro de 2005, uma parte muito importante do gênero pop-punk morreu.

O Blink 182 foi de um álbum que reinventou seu som ao hiato em apenas um ano. A banda expandiu sua música para além dos parâmetros do pop-punk, criando um som maduro e confiante que era reminiscente de bandas como The Cure. Mas, tão rapidamente como chegou, o novo som da guitarra, do baixo e da bateria da banda se calou – graças a inúmeros problemas internos.

Muitos sites especializados da época levantaram rumores sobre o término da banda. Alguns diziam que era por causa do Box Car Racer – alegando que Hoppus teria se sentido traído com o projeto paralelo. Quando Tom DeLonge manifestou seu desejo de ter mais tempo livre para passar com sua família, apesar da já planejada turnê, a banda desmoronou. Tom decidiu desistir. De forma insultuosa, Delonge sequer teve a cortesia de informar seus dois melhores amigos de que ele não queria mais fazer música com eles. Mark e Travis ouviram isso através do empresário Rick Devoe – que fez as vezes de porta-voz para Tom.

A banda fracionou. Delonge começou o Angels and Airwaves, enquanto Mark e Travis o +44. A antes agitada cena pop-punk havia sofrido um golpe duro. Entretanto, o Green Day tinha lançado “American Idiot” poucos meses antes do Blink 182 anunciar a sua interrupção. Green Day, uma banda considerada fundadora da moderna cena pop-punk, surpreendeu os fãs e críticos musicais em toda a parte com um registro que transcendeu o som de origem da banda.

Para alguns fãs do Blink 182, “American Idiot” ajudou a diluir um pouco a dor do hiato. Esse álbum deu certa sobrevida à velha escola pop-punk. O retorno do Green Day, por assim dizer, manteve as pessoas ocupadas enquanto o Blink ruía.

Green Day e Blink 182 estão intimamente relacionados. Green Day criou o som pop-punk, mas ambas as bandas o definiram. Na Primavera de 2002, as duas bandas protagonizaram a turnê mais antológica para os fãs do gênero: a Pop Disaster Tour, que está documentada no DVD “Riding in Vans With Boys”.

Apesar do impacto de “American Idiot”, algo estava faltando. Bandas como Fall Out Boy, Simple Plan e Good Charlotte não conseguiram preencher o vazio deixado pelo Blink 182. Nem mesmo o New Found Glory, banda que ajudou a definir a cena. Depois de “American Idiot”, nada mais teve um grande impacto dentro do pop-punk. Apesar dos anúncios, Angels and Airwaves e +44 não conseguiram repetir sequer um décimo do sucesso do trio californiano original.

Em setembro de 2008 veio a tragédia. Travis Barker, um dos maiores bateristas que o rock já conheceu, sofreu um gravíssimo acidente de avião. Aquele acidente mudou tudo. Pouco tempo depois, Tom voltou a contatar Mark – com quem não falava há alguns anos – e tratou de consertar as coisas. Amizades refeitas, Travis com saúde, novas possibilidades pela frente.

Depois de mais de quatro anos sem subir ao palco juntos – afinal, o último show ao vivo da banda foi em 16 de dezembro de 2004 –, o Blink 182 anunciou seu retorno no 51° Grammy Awards, em fevereiro passado. Em poucas semanas, já existe a promessa de um novo álbum e de uma turnê que deve rodar o mundo.

E não é apenas o Blink 182 que está preparando retorno, não. O Green Day também promete lançar um novo álbum de inéditas – intitulado 21st Century Breakdown – para maio deste ano. Juntando tudo isso ao recém lançado disco do New Found Glory, podemos dizer que a velha escola pop-punk está de volta para a alegria de milhões de fãs.

Três vivas para a velha guarda do pop-punk!

LEANDRO DANI (leandro.feh) tem 21 anos. Gosta de vinhos caros, carros esporte e destinos internacionais… mas bebe cerveja nacional, dirige um semi-novo e nas férias visitou a tia-avó no interior do estado.