O hiato do blink-182 em 2005 nas palavras de Travis Barker

Autor Por Danilo Guarniero em 24/11/2015

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Travis Barker é conhecido como o cara que menos fala dos três do blink-182, então é justificável que seja interessante conhecer um pouco mais sobre os pontos de vista dele sobre as coisas, e esse livro que ele lançou recentemente traz muito disso, desde sua adolescência até as bandas que passou, polêmicas e seu acidente de avião. Tudo que o baterista foi reservado durante a vida ele escancarou no livro.

E é óbvio que ele teria falado sobre o hiato do blink-182 em 2005. O livro dele tem um capítulo somente para falar sobre essa fase e você confere a tradução de alguns trechos interessantes abaixo:

No começo de 2005, o blink-182 se desfez – sem um bom motivo. Pode ser porque todos nós tínhamos filhos, família e nossas próprias prioridades. Eu não tinha certeza sobre o que o Tom tava querendo, mas parecia que ele queria dar uma parada com as turnês e tirar um tempo livre da banda para ficar com a família. Mark e eu também queríamos ficar com nossas famílias, mas também queríamos continuar com a banda – a gente decolou muito com o Self-Titled. E eu queria sustentar minha família fazendo mais turnês. Eu estava aprendendo que você pode ter tempo ou dinheiro, mas não pode ter ambos. Era o tipo de coisa que a gente devia ter sentado e conversado, mas ao invés disso nossa relação começou a ficar conturbada.

Paramos de conversar entre si, então o Rick, nosso assessor, sempre chegava dizendo o que queríamos fazer sobre diversas coisas e nós nunca entrávamos em acordo. Você precisa ser muito neutro para estar na posição do Rick, mas parecia que ele tinha ficado mais para o lado do Tom, então eu comecei a ver que a dinâmica da banda tinha virado Tom e Rick contra eu e Mark. De qualquer maneira, não era saudável pra nenhum dos envolvidos. Pelo menos pra mim não era.

Uma banda precisa ter as mesmas metas e desejos. E, mais importante, precisa se comunicar. E se você não faz isso, terá grandes problemas. Senti que as câmeras do Meet The Barkers aumentaram o ego do Tom, mas nós nunca conversamos sobre isso. Durante todo o ano de 2004, a cola que mantinha a gente grudado era nosso agente de turnês, o Gus. Ele sabia como a banda funcionava e sabia como lidar com cada um de nós. Na minha opinião, ele devia ser nosso assessor.

Nós três estávamos ensaiando para tocar um show beneficente para as vítimas do Tsunami e, depois de decidirmos quais músicas tocaríamos, começamos a conversar sobre qual seria a agenda até o final do ano. Não chegamos em nenhum consenso, então concordamos em discordar e voltamos para nossas casas. Mas pareceu que a gente tinha quebrado aquela regra dos relacionamentos de nunca ir dormir sem se reconciliar depois de uma briga.

Na manhã seguinte, Rick me ligou e disse “Tom acabou de sair da banda.” Foi tenso – como se uma garota terminasse com você sem te dar uma razão. Mas, do jeito que as coisas andavam, eu não estava totalmente surpreso. Eu não queria que o blink-182 se separasse, mas eu não ia correr atrás dele: uma vez que alguém pediu pra sair, não faz bem tentar fazê-lo mudar de ideia.

Naquela noite eu tinha saído com o Skinhead Rob e alguns amigos quando o Rick me ligou de novo. “O que você está fazendo?” ele perguntou.

“Por que você não está fazendo algo? Sua banda acabou de se desfazer.” Oito horas depois, esse era o plano genial dele para nos fazer voltar.

“Vai se foder,” eu disse. “Você é o motivo por termos terminado! Você não conseguiu lidar com a situação.” O Tom nunca nem ligou pra nós. Ele se mudou de volta para San Diego e mudou o número de telefone. Desmarcamos o show beneficente; Rick emitiu um anúncio dizendo que entraríamos em um hiato. Dias viraram semanas, que viraram meses. Eu não achava que ia falar com o Tom algum dia novamente. E após todos aqueles meses de tensão, foi quase um alívio que nós tomamos rumos diferentes.

Eu estava em estado de choque ao saber demos descarga em tudo que trabalhamos até ali. Senti que não tinha forças pra consertar isso. Mas eu não tinha tempo para pensar no porquê do Blink ter se separado: eu ainda precisava ganhar dinheiro para sustentar minha família. Parti para as gravações do segundo disco do Transplants, Haunted Cities, e então fizemos uma tour. Rob usava muitas drogas o tempo todo, e eu também: fumava maconha o dia todo, tomava Vicodin ou qualquer coisa que podíamos colocar as mãos. Da hora que acordávamos até subir no palco, e depois até dormir, estávamos fumando e bebendo – e o Tim Armostrong estava sem usar nada há muito tempo.

Eu sempre queria passar tempo com ambos, então na maioria das manhãs eu ia fumar um baseado com o Rob, e depois ia para a academia com o Tim. Então eu voltava, fumava mais com o Rob, fazia o show, saía do palco, fumava uns seis baseados, tomava umas pílulas, assistia uns filmes no ônibus e fazia tudo de novo. Estar ao nosso redor fez o Tim questionar sua sobriedade: não era saudável para ele, então ele terminou a banda e eu não tive escolha a não ser respeitar a decisão dele.

Em menos de um ano, as minhas duas bandas acabaram. Isso deixou meu mundo de cabeça para baixo.

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