Mark Hoppus: “Nós tivemos que chegar onde estamos passando por esse desastre”

Autor Por nath em 28/09/2011

Confira a entrevista com Mark Hoppus feita pela NME Magazine.

Olá Mark. Você e o resto do Blink gravaram o novo álbum, “Neighborhoods”, em estúdios separados. Devemos  assumir, então, que a relação entre vocês ainda está um pouco difícil?

Oh não! O que queríamos fazer era trocar idéias, gravar o esqueleto das músicas e aí Tom levaria as idéias  para o estúdio dele em San Diego e Travis e eu levaríamos as idéias para o nosso estúdio em LA. Então, trabalharíamos nelas, depois nos encontraríamos ainda naquela semana ou duas semanas depois. Daí escutaríamos as idéias uns dos outros, faríamos comentários e seguiríamos daí.

Mas isso não foi um pouco…estranho?

É disso que precisamos no Blink, acho que é o caminho que devemos seguir. É uma forma que nós podemos trabalhar juntos e explorar todas as nossas idéias. No passado, quando nós três estávamos no mesmo espaço, um gravava sua parte enquanto os outros ficavam esperando. Agora, podemos explorar cada idéia que temos, no nosso próprio tempo, no nosso próprio conforto. Um de nós vai ter uma idéia e aí outro vai sugerir alguma coisa diferente e vai querer mudá-la. Mas é isso que faz o Blink soar como Blink.

O rompimento da banda foi bem amargo para todos. Você ainda tem algum arrependimento sobre o que aconteceu?

Eu acho que foi necessário isso ter acontecido. Funcionou de uma maneira amarga e feia, com muita animosidade, muita má vontade. Mas nós tivemos que chegar onde estamos passando por esse desastre.Eu acho que todos aprendemos sobre o Blink, todos aprendemos sobre nós mesmos e sobre o outro e chegamos a um acordo sobre quem somos como banda.

Tudo isso soa muito filosófico. Como está seu relacionamento com o Tom agora?

É bem diferente agora. Tom e eu ainda somos grandes amigos, mas quando nós começamos, éramos adolescentes fazendo turnês em uma van com o simples propósito de tocar música o mais alto possível. Agora, somos homens crescidos com famílias. Nós ainda amamos fazer turnês e tocar o mais alto possível, mas estamos numa situação bem diferente de antes. Não estamos presos em uma van, juntos por 24hs por dia, nós podemos fazer pausas, ver nossas famílias e depois cair na estrada e agir como idiotas por lá.

Ainda fazendo piadas sobre merda, agora que vocês tem quase 40 anos?

As pessoas nos disseram que as novas músicas soam mais maduras, o que provavelmente está certo, mas nós tentamos ficar longe dessa palavra [maduro] porque todo álbum que lançamos depois do “Enema Of The State” tem sido chamado de “o álbum maduro do Blink-182”. Mas eu acho, liricamente, está um pouco mais sombrio em relação ao que costumamos fazer. Eu acho que as músicas são bem mais complexamente estruturadas, são mais bem escritas.

Vocês já pensaram em se tornar uma daquelas bandas que não lançam música nova mas vivem fazend turnês por dinheiro?

Não, nunca. É extamente por isso que cancelamos a turnê. Nós não vamos sair em turnê só pra tocar músicas antigas. Nós queríamos permanecer vitais e atuais, nunca quisemos ser essas bandas que saem em turnê para tocar músicas antigas. Para mim e pros outros caras da banda, isso não seria animador e nem os shows. Acredite, quando falamos em cancelar a turnê, as pessoas ficavam gritando pra gente, “simplesmente toquem as músicas antigas, as pessoas não vão ligar”, mas colocamos os pés no chão e dissemos que queríamos o melhor para nós e para as pessoas que fossem aos shows. 

O que você mais sentia falta durante esses anos longe da banda?

Eu acho que o que eu mais sentia falta era do que o Tom e o Travis traziam para o Blink-182, eu sentia falta da tensão entre nós três, da criatividade que tínhamos devido ao fato de trazermos coisas diferentes para banda e de sermos muito diferentes uns dos outros. E toda vez que eu ia escrever uma música sem ser pro Blink, eu sempre pensava, “como Tom tocaria guitarra nessa parte?” e eu nunca poderia imaginar o que ele iria fazer. Então essa troca de idéias foi que eu mais senti falta.

Qual é a sensação de saber que vocês tem sido uma grande influência para a nova geração de bandas?

É uma grande honra. Quando as pessoas dizem que nós influenciamos a banda de alguma forma, é maravilhoso. Eu ainda acho que nós estamos tentando encontrar nosso próprio som, então se inspiramos outras bandas, isso é um grande elogio.

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