Nem Festa, Nem Fossa

Autor Por Fernando Belucci em 25/08/2009

Atitude você não compra, não vende. Atitude é algo que nasce em você, seja hoje, seja amanhã. Tudo que é cultural nos ajuda a definir isso dentro de nós… Ou não.

Falei que essa seria uma coluna musical, e será. Pois, atitude tudo tem com música. O ato de ritmar sons já foi de muitos fodões com atitude. Tocar, escrever é fácil, difícil é fazer esse trabalho bem feito.

O mundo tá perdido mesmo. Os aviões caem, o Dólar cai… Só o Sarney que não. E isso porque ele é o mais velho dos três. O Gugu ta na Record, O Justus virou funcionário, Os porcos nos matam e Edir Macedo precisa de R$100.000 pra manter o blog… Que dó!

A tevê, a música, a moda… O que vemos, o que cantamos, e o que vestimos… Não nessa ordem. Estamos vestindo tevê, cantando moda e assistindo música. Acho (ACHO) que o primeiro estilo que se focou principalmente em mostrar atitude na mescla de tudo foi o punk. Se atualmente andar com esse cabelo diferente AINDA é diferente, imagina esse mesmo cabelo moicano no começo dos anos 80, quando nem eu pensava em nascer? É, isso é atitude. Não, não digo que não tenhamos… Leia bem: se alguns de nós temos atitude, imaginem aqueles caras! Eles torciam por mundos com pessoas seguindo seus ideais. E cá estamos nós, certo? ERRADO.

Eu já não sei mais diferenciar bandas, Fresno parece Nxzero, Strike é um Charlie Brown jr. novo… (a patricinha que adora um vagabundo) Cine, revelaram no twitter que é na verdade os Menudos (mas também parece MUITO uma outra banda do momento).

Criativas (não boas, já que bom e mal é relativo… aprendam isso) são aquelas bandas que você não consegue explicar em uma frase ela por inteira e no final solta: “ahhh só ouvindo!” Hoje esse estilo ta perdidamente confuso no mundo, todo mundo usa um moicano até pagodeiros do Cabral em, São Paulo. Ok, eu não uso mais nenhum artefato assim (o piercing na língua tirei esses tempos) mas os ideais permanecem. Dá medo quando alguém se veste como tal e nem sabe o que realmente significou tudo aquilo no passado. É como ver os Teletubbies discutindo geopolítica: não se encaixa no conceito proposto! Antes de roupas, vem pensamentos! Não dá pra se vestir como tal e ganhar a inteligência de tal. As roupas de Einstein venderiam horrores se assim fosse.

O que será lembrado daqui anos da gente? As milhares de correntes com cifrões e a Black Music? Os topetes, olhos pintados e a palavra proibida: Emo (que, quando citada acompanha sempre uma discussão banal sem um fim lógico)?

Resposta: Não sei. Pois se eu soubesse não teria a curiosidade de perguntar. Mas peço que primeiro de tudo, essa geração se mostre um pouco solidária e menos prepotente. Ganhemos pensamentos, não só bandanas, munhequeiras e cortes de cabelo. Músicas tristes são boas pra fossa, músicas de putarias são bons pra festas. Mas são momentos, e sua vida não é só festa ou fossa. Na verdade ela nem é isso, isso você cria pra se aliviar das verdadeiras preocupações. É quando vemos que a imagem nossa não é nada se dentro da caixa de isopor que vestimos não há nada de novo pra ser dito. Nós somos a linha tênue entre “o que ME agrada” e “o que LHE agrada”. Se quiséssemos nos levantar hoje e tirar o Sarney, tiraríamos… Somos muito mais, somos a massa. É como o rebanho de 180.000.000 de ovelhas se rebelando contra o pastor. Nada pára. Aí você decide. Chorar ou curtir em excesso não resolve o problema de ninguém. É levantar a cabeça e seguir de cara no caminho de pedras.

Me diz aí: o que você ouve e fala: “letras inteligentes, ritmo marcante e ainda consegue ser uma trilha sonora da minha vida, independente que alguém mais curta” Não vale Blink porque essa resposta eu já sei, né?

Fernando Belucci tem 24 anos, estuda Jornalismo, é  escritor e roteirista de quadrinhos, um blog de contos… E procurando se há algo mais depressivo que cantar em turma: “Perdoa por eu não poder te perdoar… Dói muito mais em mim não ter a quem amar.”