Memória de Peixe

Autor Por Fernando Belucci em 19/02/2010

Chacrinha já dizia: No Brasil nada se cria, tudo se copia! Seja os programas de auditório, os “reality-shows”, tudo que é enlatado e alterado o nome! Isso é ruim?

Depende. Até que ponto isso ajuda a gente a crescer?

Criatividade é algo que todos temos… Uns menos, outros mais (uns muito menos, outros muito mais). Só que a industria cultural mundial, e principalmente a brasileira, não tem interesse em acentuar nisso, claro. Somos mais maleáveis burros, isso é um fato para qualquer um que olha no twitter pessoas perdendo o tempo xingando fulano porque beijou cicrano em BBB’s da vida (tá eu gostei só do boquete da Tessália, traidora do movimento twitteira). E agora a nova onda é: O Rebolation! É ou não é?! …NÃO É! Se todos aí lendo ainda tem cérebro humanóide e não de peixe, lembra que até alguns anos atrás Rebolation era uma dança de variações eletrônicas, Psy, Techno Trance, Electro house… digitem no You Tube!

Aí aparece uma menina sem dente na tevê no Ratinho e fala que vai ensinar o Rebolation pro apresentador e ela nem tira o pé do chão, só coloca a buzanfa na câmera (ou o próprio câmera faz o trabalho).

Essa hora é a hora de me agredir, por que defender uma coisa tão banal? Simples, porque nós brasileiros temos essa mania de modificarmos tudo. Hardcore Emo que antes era bem aceito com CPM22 e Hateen, com bermudões, bonés e mochilas, se tornou franja, roupa preta e androginia.

Entendam, o mercado cultural gosta de nos tratar feito idiotas, não é de hoje. Eles acham uma chance no mercado, tudo se muda. Quantas bandas trocaram o estilo, quantas bandas aí foram demitidas dos selos por não quererem se “adaptar” a tendência. Por que andam tão preocupados em manter a industria falida do CD físico? Porque perderiam o controle autoral. O artista decidiria o que fazer, a Rihanna queria fazer um álbum de rock e a gravadora vetou, o cara quer fazer um duplo, a gravadora nega. Os artistas são quem? Então resumindo, existem pessoas não-criativas fazendo música e existem gravadoras querendo limar o que aparece. Pra sair algo de qualidade tem que ser uma peneira. Imagina os fãs de eletrônico o que acham desse tal (“novo”) Rebolation? Vamos tentar nos encaixar, é como se hoje, você ligasse a sua tevê e tivesse o Frank Aguiar (AU!) ensinando como é a dança do Bate-Cabeça, e soltando um forró assim: “BATE CABEÇA ÇA, BATE CABEÇA ÇA”!

Já basta termos que ver filmes com roteiros originais a conta gota no cinema (tudo se resume em Remake, Continuação ou Adaptação) ainda tem isso na música? Vamos todos é chacoalhar essa peneira bem para achar algo bom, mas também ir ler um livro, estudar. Se depender do Gugu, Faustão e Ratinho, você vai viver de bolsa-família.

Fernando Belucci tem 25 anos, estudante de jornalismo, diretor e apresentador do ActionCast, escritor,responsável também pelo podcast Na Latrina, e acha sim que podemos sim ainda escrever músicas e roteiros de filmes sem “homenagens autorais”.