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Matt Skiba: “a entrevista mais honesta de todos os tempos”

Autor Por Márcio Medeiros em 09/07/2017

O blink-182 e "as entrevistas mais honestas de todos os tempos"

A edição do dia 1º de julho da Kerrang! conta com uma matéria de 8 páginas com o blink-182. A publicação inglesa está chamando de “as entrevistas mais honestas de todos os tempos” do trio.

Publicamos aqui a tradução da parte com Mark. Abaixo você confere a tradução da conversa com Matt. Nos próximos dias vamos soltar a parte com Travis.

Matt Skiba na Kerrang - 2017

“O Alkaline Trio tem sido minha família por 20 anos. Eles não foram substituídos”

Matt Skiba na Kerrang - 2017

Quando Matt Skiba trocou a catarse emotiva de sua própria banda pelas piadas sobre pinto do blink-182, você seria perdoado por se perguntar o que aconteceria. Mais do que você poderia imaginar, agora vem a resposta…

Quando Matt Skiba tentou “não pensar” pela manhã, durante um momento de introspecção no ônibus da turnê, ele viu raios [de uma tempestade]. “Eu acordei e disse: ‘Oh, eu estou em Frankfurt’, e meu primeiro pensamento foi: ‘Eu tenho um grande show hoje à noite, está um belo dia lá fora…’. Então eu fechei meus olhos e eu estava uma bagunça. Eu nem percebi”.

Tal é o caos mental que pode acompanhar o novo membro do blink-182 – às vezes, durante a vida na estrada com sua última banda, e, anteriormente, com seu projeto solo, como líder punk do afiado e direto Alkaline Trio. “Eu sou uma tempestade elétrica”, diz ele. “Meus amigos diriam: ‘Ele pratica como se fosse uma pessoa zen, mas ele é um maníaco maldito’. Por isso, eu preciso de calma, pois a minha cabeça é uma bagunça”.

Entrar em uma arena com duas tumultuadas rupturas em, antes, seus 23 anos, talvez não tenha sido a coisa mais inteligente a ser feita, mas Matt se alinhou ao seu novo papel. A meditação transcendental ajuda a mantê-lo nivelado, ele explica, uma técnica que ele aprendeu depois de “gastar 300 dólares em um curso de três dias”. Com os olhos fechados, ele pode buscar uma sensação de calma interior. “No final disso, há céus azuis”, diz ele. Isso significa que ele é capaz de viver com o medo e “com o mínimo de ego humanamente possível”. Ele não é o único.

“Travis faz exercícios, ele se fecha, isso é meditativo”, diz Matt. “Para mim, escrever músicas, gravar, pegar o carro, ou caminhar são formas de meditação. Travis e eu somos parecidos nisso. Eu acho que provavelmente tenho um pouco mais de TOC e Distúrbio do déficit de atenção do que Travis, eu sei que eu tenho. Eu não me importo… Vinte minutos de meditação são o mesmo que oito horas de sono. Isso me acalma”.

Isso teria sido a chave: no Alkaline Trio, Matt é o cara principal. Suas músicas foram a liberdade catártica de “loucura pessoal e luta contra drogas, bebidas e outras merdas”. Felizmente, ele teve liberdade criativa no blink-182, uma banda que já teve um membro para colocar piadas sobre pinto nas suas letras. “Com o Alkaline Trio e esse estilo catártico de escrita, eu não a comecei para ser uma banda incrível”, diz ele. “É uma banda de punk, um veículo para as emoções reais. Existem histórias verdadeiras, narrativas. Com o blink, não é diferente. Mas não pode ser muito o estilo do Alkaline Trio”.

Ainda assim, entrar no blink-182, tocar uma série de grandes sucessos em uma turnê e depois entrar no estúdio com uma dupla de trabalho solidificada como Mark Hoppus e Travis Barker, teria sido uma perspectiva assustadora. “Havia dúvidas? Ah, sim”, diz ele. “Quando Mark e Travis me pediram para me juntar, eu pensei: ‘Isso realmente vai funcionar?’. Essa dúvida durou alguns minutos. Eu lembro de pensar: ‘Se eles acham que eu posso fazer isso, então eu posso fazer isso”.

Matt Skiba na Kerrang - 2017

Matt Skiba na Kerrang - 2017

Então, a dúvida deu lugar ao aprendizado… “Uma das grandes diferenças ao entrar na banda de alguém é que eu realmente quero fazer um excelente trabalho em todas as músicas. Todas as noites em lembro-me exatamente onde eu fiz merda”.

“Por muito tempo, eu me chamaria de perfeccionista, mas através da meditação, você se torna realmente consciente de si mesmo”, ele acrescenta. “Isso tira as merdas de vocês. Eu meditei para esta entrevista hoje. Isso não é estressante, mas isso me ajuda a escolher minhas palavras com cuidado, isso me ajuda a pisar nos freios”.

É fácil esquecer que tem sido um período de transição. Matt já está no blink-182 há dois anos, substituindo Tom DeLonge, que saiu em 2015. Depois, ele escreveu California, o disco Número Um e o catalisador do ressurgimento da banda, que resultou em uma turnê pelo Reino Unido com 100 mil ingressos vendidos. E, no entanto, a despeito desta conquista e das boas vibrações que emanaram do Festhalle em Frankfurt, o espectro de seu antecessor não vai sumir. As questões relativas à permanência de Matt ainda não se dissiparam. “Quero dizer, qualquer coisa pode acontecer”, ele diz quando perguntado sobre sua posição no blink-182. “Eu não quero pensar nisso”.

Ele não teve ajuda de Tom, que tem falado de longe. Durante uma entrevista recente, ele disse que na sua antiga banda “tem alguém fazendo meu trabalho por mim. É só que estou muito ocupado. Se eu quisesse, eu poderia estar de voltar em alguns dias”. Os comentários não desestabilizaram Matt. Ele simplesmente os encerra. “Eu realmente não tenho nada a dizer sobre isso”, diz ele. “Tom e eu sempre fomos amigáveis, eu acho – conhecidos amigáveis. Estou me concentrando no que é meu papel na vida e, em um sentido menor, qual é meu papel nesta banda. O papel de Tom na banda é entre ele e os outros caras”.

Você falou com Tom? “Oh não, não”, ele diz.

E por que ele iria? Apesar das recentes afirmações de Tom de que ele é o coproprietário da banda, há uma forte sensação familiar para a posição de Matt, o blink-182 parece sólido, feliz. “Ele é ótimo”, concorda Mark Hoppus. “Um grande amigo, um grande colega de banda, um grande compositor e um grande cantor”. A amizade deles vem de 15 anos e agora, mais recentemente, Matt e Mark já falaram sobre fazer um álbum infantil com o nome Cereal Killers. “É Ramones, um disco punk rock para criança”, explica Matt. Essa ocupação toda não diminui a importância do Alkaline Trio.

“O Alkaline Trio tem sido minha família por 20 anos, então não é que eles tenham sido substituídos”, diz ele. “Está parado agora, mas estamos fazendo alguns planos. Eu não quero dizer nada ainda. Eu faço uma coisa de cada vez”. Ele descreve como estando no blink-182 e na banda em que ele tem com Dan Andriano e Derek Grant como “tendo encontrado um pote de ouro duas vezes. É uma coisa familiar bem especial que eu não achava que iria encontrar duas vezes nesta vida. E bandas são como casamentos, elas são complicadas, nem sempre funcionam. Estar em ambas é uma benção”.

Matt está certo: ele tem sorte. Se tudo sair como o planejado, sua sorte com o blink-182 e o Alkaline Trio vão se estender para o futuro. E se o pior acontecer, ele sempre poderá fechar os olhos: e aí ele encontrará os céus azuis.

Cabeça nos motores

Como qualquer um que o siga no Instagram saberá, longe da música, Matt tem uma obsessão que domina sua vida…

“Eu amo motocicletas. Sou um purista da Ducati. Claro, eu gostoa de outras motos, como as Triumphs, mas há algo na Ducati. É algo dos Italianos e eles têm esse estilo com carros e motos, como a Ferrari e a Ducati. Todo o resto pode explodir. Eu gosto de todo tipo de coisa, mas com motocicletas, a menos que seja italiana, não vou olhar duas vezes. Todas as coisas boas vêm da Itália. Eu amo as mulheres italianas. Eu amo a cultura italiana e o cinema e todos os grandes pintores italianos.

Quando essa obsessão começou? Quando criança, com os filmes de James Bond. Eu amava as corridas entres os antigos cafés quando os filmes de Bond eram feitos nos anos 60 e 70, e [o famoso diretor italiano, Federico] Fellini filmava os carros e as motocicletas. Eu tenho três motos, duas Ducatis e uma Triumph, que vive na casa de um amigo. Eu mal ando nela. Eu comprei e não gostei dela, pois não é uma Ducati. Não soa da mesma forma e não parece a mesma coisa.

Eu sou um nerd e eu amo isso. Por conta das motos, eu comecei a frequentar os Grand Prix. Eu até usei uma camisa da Le Mans em um show na França dia desses. Todas as minhas guitarras têm Ducati… está em tudo! Quem vê de fora, alguns jovens dizem: ‘O que é isso com essa motocicleta? É como a NASCAR…’. Eu digo: ‘Oh, como você pode dizer isso?! Não é como a NASCAR – ela tem dois pneus, não quatro!”.