Mark Hoppus: “ser um papai punk rock é demais!”

Autor Por Danilo Guarniero em 03/12/2011

The Insider fez uma entrevista com o Mark sobre como lida a paternidade — o baixista está no documentário The Other F Word, sobre astros do punk que se tornaram pais — sobre o blink-182 e sua rotina antes de subir nos palcos. Leia abaixo a conversa na íntegra.

Então você se mudou para Londres?

Mark Hoppus: Sim. É demais, é muito diferente de onde nasci. Eu cresci no meio do deserto da Califórnia, e Londres é o oposto daquilo. Eu moro em Mayfair agora. Não é um lugar ruim, estamos muito felizes.

Como você se envolveu com o The Other F Word?

Me perguntaram há alguns anos se eu queria fazer parte. Não sei exatamente como foi, mas sei que era baseado no livro que o Jim Lindberg escreveu, chamado Punk Rock Dad. Parecia, nos últimos anos, que os caras de bandas que tinham filhos estavam orgulhosos disso, e eu conversava com Dave Smalley do Down By Law, sobre formar uma banda de pais que foram punks, então eu definitivamente quis fazer parte do documentário assim que soube dele.

Como o estilo de vida punk mudou quando você virou pai?

Esse estilo de vida realmente foca sua visão de mundo para um ponto bem pequeno. Você quer que a vida seja algo legal, quer ser uma boa pessoa e um bom exemplo. Crescer na cena punk rock te faz querer dizer “vá se foder!” para o mundo e fazer barulho. Daí quando você tem um filho, você quer dizer “cai fora!” e fazer muito barulho de uma maneira muito melhor e positiva. É interessante ver como as pessoas são diferentes quando pais, mesmo que tenhamos saído da cena punk. É interessante ver como as pessoas são diferentes como pais, mesmo que tenhamos saído da cena punk rock.

É renovador ver que todos são diferentes.

Acho que ser um papai punk rock é demais! Ser pai e sair da cena punk, que não é necessariamente “foda-se tudo”, acho que o caráter que eu tirei do punk foi questionar as coisas. Encontre seu caminho na vida e acredito que se você tem uma boa base… — é o que eu ensino ao meu filho.

Você apresenta o programa Hoppus On Music. Como você se envolveu com a TV?

A Fuse me ligou há um ano e meio e disseram que queriam produzir um talk show sobre música. Algo que fosse engraçado, irreverente e eu suspeitei no começo, não sabia o que aquilo significava. Eles queriam fazer coisas diferentes, legais e desafiadoras, e eu achei que iria dar certo, então aceitei. Desde então, vou para NY semanalmente durante o último ano, mais ou menos.

Como você encontra a transição entre ser um músico e continuar fazendo isso, para entrevisar outros músicos?

Adoro isso porque é tão diferente do que eu faço no meu trabalho normal, e eu amo promover bandas novas e conversar com artistas sobre música, ser bobo e engraçado. Sempre temos ótimos convidados e performances. Ontem recebemos The Joy Formidable que arrebentaram tudo.

Fale sobre o álbum do blink-182, Neighborhoods.

Está demais, todos reagiram muito bem a ele. A turnê acabou e é uma das melhores que já fizemos. Estou muito animado para fazer a turnê pela Europa e Reino Unido ano que vem. Amanhã à noite nós sairemos, eu vou filmar o programa aqui, voar para Los Angeles para filmar o clipe de After Midnight e nós continuaremos a trabalhar em coisas novas do blink também.

Como o novo álbum mudou em relação aos anteriores? Houve um processo diferente?

Neste álbum nós não tivemos um produtor, pois nosso amigo e produtor Jerry Finn faleceu há alguns anos, e não havia realmente ninguém que pudesse substitui-lo. Por isso, acho que foi necessário que produzíssemos por conta própria, como parte da nossa conciliação interna como banda. Gravamos juntos em um estúdio e também em estúdios diferentes. O Tom mora em San Diego e tem seu próprio estúdio lá, Travis e eu (na época) morávamos em Los Angeles e tínhamos um estúdo lá, então nós nos reuníamos para pensar em idéias para músicas e arranjos, nos separávamos e trabalhávamos em coisas diferentes. Depois voltávamos e comparávamos os resultados. Coisas ótimas saem quando estamos juntos no mesmo lugar, mas ao mesmo tempo sinto que precisamos de um tempo sozinhos para explorar ideias diferentes. Então foi diferente de antes, onde era, basicamente, todo mundo sentado no estúdio esperando por sua vez de tocar.

Você tem um ritual antes dos shows?

Antes de subir no palco eu escovo meus dentes. É a última coisa que faço antes de entrar. Começo a alongar uma hora antes, começo a aquecer minha voz, a ouvir música, bebo alguma coisa uma hora antes do show. Essa é minha rotina.

Que tipo de música você ouve antes de subir no palco?

Ouço Ministry, porque preciso de algo para me deixar pilhado. Ouço uma banda chamada Far, estava ouvindo The Naked and Famous nessa última turnê, às vezes Genuine, às vezes Ned’s Atomic Dustbin, ou The Descendents. Música rápida que me faz querer subir lá e fazer barulho e ser esquisito.

Tatuagens são comuns na cena punk. Você se sentiu pressionado a se tatuar?

Não tive nenhuma tatuagem por um bom tempo, e hoje tenho apenas duas: o nome do meu filho em um pulso e o da minha esposa em outro. Já pensei em fazer mais, mas sou tão inconstante com as coisas que eu gosto que dependendo da época da minha vida que eu estivesse, eu teria apenas tatuagens do Star Wars, navios piratas, casas assombradas, arte estranha. Seria uma bagunça. É interessante quando você olha para uma pessoa e nota que ela tatuou um braço inteiro em um ponto de sua vida e um monte de coisas diferentes em outros momentos. Deve ser uma ótima maneira de preservar memórias para eles, mas para mim parece que não pensaram nem um pouco sobre isso.