Mark Hoppus na Alternative Press

Autor Por Mona em 06/01/2013

Mark Hoppus está na capa da última edição da revista Alternative Press, e contou alguns detalhes sobre o futuro da independência do blink-182 e sobre o processo de gravação de Dogs Eating Dogs.

Abaixo, você confere a tradução completa da matéria:

mark hoppus alternative press

Já são quase quatro horas após a hora marcada para a nossa entrevista. O baixista e vocalista do blink-182 pede muitas desculpas, dizendo que estava em Los Angeles finalizando o novo EP Dogs Eating Dogs, e que perdeu a noção do tempo. Sinceramente, tudo bem quanto ao atraso, pois isso significa que o blink-182 estava ocupado fazendo música em um mesmo estúdio – uma experiência amplamente ausente no processo de gravação do álbum anterior, Neighborhoods. Como Mark nos contou, essa não foi a única coisa que mudou.

Quando nós fizemos primeiro contato para realizar esta matéria, você ficou preocupado em falar sobre o novo trabalho do blink-182, pois não sabia ao certo como ele iria soar. Você ainda sente isso neste momento, como se não soubessem em qual direção seguir?

Ah, claro. Nunca sabemos onde as coisas vão parar até começarmos a gravar. Por exemplo, eu posso ter uma ideia para uma música acústica calma, e aí eu me encontro com Tom e Travis e ela se transforma em uma música punk rock rápida e cheia de guitarras, ou então toma outro rumo e toma a forma de uma música dançante com efeitos eletrônicos. Nunca sabemos até terminar o álbum, e nem sabemos ao certo se será um álbum completo. Isso porque vamos gravar durante 2013, mas tivemos algumas conversas a respeito de lançarmos vários EPs ou um full-length. Podemos fazer o que quisermos. Podemos ter uma ideia na quinta-feira e na segunda-feira eu acabar voando para Los Angeles para gravá-la. É demais. Todos estão muito animados e soltando ideias uns para os outros, e parece que não há barreiras no caminho para fazermos o que achamos divertido. E é o que queremos como uma banda, afinal.

Você disse que não há nada no caminho, mas na verdade há um continente no meio do caminho. Você vai ter que voar de Londres para Los Angeles toda hora. Isso deve ser exaustivo. 

Claro, é difícil, mas eu não durmo e fico acordado umas 40 horas, às vezes para gravar um álbum, e depois fazer algum trabalho. Mas esse é meu emprego, e eu amo meu emprego. Não trocaria por nada. Adoro morar onde moro agora com a minha família e ter a oportunidade de experimentar culturas diferentes. É uma ótima vida, estou feliz assim.

Na última vez que falei com o Tom, uma citação na qual as pessoas se apegaram muito foi “era uma completa diarreia de burocracia”, referindo-se a como o blink-182 funcionava nos bastidores graças à grande equipe de administração. Isso deu certo por conta própria?

São necessários vários e-mails para fazermos as coisas. Mas agora eu, Tom e Travis nos reunimos e conversamos entre nós para tomarmos as decisões, o que é melhor do que deixar os nossos empresários nos intermediarem.

As coisas boas acontecem quando nós três estamos reunidos e conversamos, e isso acontece muito ultimamente. Há muito mais e-mails, ligações e conversas sobre a banda de uma forma geral. Não é tipo “Ei, olha essa ideia,” mas sim “Para onde queremos levar esta banda? O que queremos fazer ano que vem? E nos próximos dois anos?” Nós tomamos o controle da banda e gostamos de onde estamos indo.

Essa é a primeira vez que vocês têm liberdade contratual em duas décadas. Você se vê voltando para uma gravadora?

O futuro está totalmente aberto e eu consigo nos visualizar como uma banda independente pelo resto da nossa carreira. Estamos nos reunindo com gravadoras e tentando resolver qual será o melhor caminho. É muito bom ser independente neste momento e saber que qualquer coisa a respeito da banda está nas nossas mãos. E, junto com tudo isso, também vem um enorme sentimento de  responsabilidade, por que tudo que acontecer é por nossa conta. Não podemos culpar a gravadora, não podemos esperar que ninguém faça algo por nós. Isso nos inspira a nos focarmos em todos os aspectos da banda.

Quais gravadoras mostraram interesse para assinar com o blink-182?

Estamos falando com todos, desde a Mercury Records até a Epitaph, RedBull Records e Warner Bros. As pessoas estão vindo até nós e estão animadas ao falar do Blink. Isso é sensacional, principalmente no atual cenário da industria musical. Quando anunciamos que éramos uma banda independente, recebemos uma enxurrada de ligações de pessoas querendo conversar com a gente. Foi um ótimo sentimento ter pessoas tão interessadas assim.

Isso deu uma inflada no ego ou vocês já esperavam que aconteceria?

Encheu totalmente nosso ego, porque os tempos estão difíceis, sabe? A música como uma indústria e um negócio está obviamente procurando o que precisa. Ter gravadoras que já não crescem com tanta facilidade vindo até nós e dizendo que querem conhecer o blink-182 é uma confirmação e tanto para a banda.

Qual é a mensagem que vocês querem passar com o novo material do blink-182?

Mais que letras e mais que ideias, quero voltar à pegada do álbum Self-titled (2003). Quero voltar com aquele sentimento que tínhamos no estúdio quando ele era como um laboratório de ideias, onde tudo era possível e todos se apoiavam. Foi um período de criação intensa com aquele álbum que, eu acredito, mudou completamente nossa banda de uma forma positiva, e eu quero voltar para aquele tipo de energia. Quero voltar para quando nos trancávamos no estúdio, tentávamos um monte de ideias diferentes e escrevíamos coisas legais. Aquela época foi muito inspiradora para mim como compositor. Quero voltar com aquilo.