Fãs tiveram a oportunidade de entrevistar Mark Hoppus para a Kerrang! (entrevista traduzida)

Autor Por Danilo Guarniero em 22/01/2014

Cópia de tumblr_mzggilbeEu1sz8tdfo1_1280 Mark Hoppus foi um dos destaques da edição especial de número 1500 da revista britânica Kerrang!, que trouxe entrevistas com diversos artistas. Mas a proposta foi diferente para essa edição comemorativa: ao invés de perguntas dos editores/jornalistas, os artistas deviam responder a questões feitas por fãs. Como prometido aqui, conseguimos as scans e fizemos a tradução na íntegra.

Quer ver as páginas originais da entrevista? Clique aqui. A seguir, a entrevista completa traduzida:

Quer ver uma conversa estranha? Fácil. Pegue um dos padrinhos do pop punk e o coloque em uma sala cheia de super fãs. Isso é exatamente o que aconteceu quando Mark Hoppus encarou os leitores da Kerrang e todas as perguntas que vinham na cabeça deles.

Se você pudesse subir em qualquer coisa para uma batalha, o que seria?

Hm… Eu provavelmente subiria no Travis. Ele malha bastante e faz MMA, então eu subiria nele em uma batalha. Ele iria lutar por mim.

Se você pudesse ouvir somente uma música para o resto da sua vida, qual seria?

Nenhuma. Prefiro nunca mais ouvir nenhuma música do que ficar somente com uma pra ouvir o resto da vida. Se eu pudesse escolher alguma banda, escolheria os Beatles pois todos os álbuns são demais e há uma grande variedade de ideias.

Então, a música “Family Reunion” foi escrita realmente por causa de uma reunião em família?

Na verdade, não! A gente tocava essa música como uma piada no palco durante alguns meses e bem nessa época o Fat Mike (NOFX) veio falar com a gente. Ele estava fazendo uma compilação de bandas com músicas de menos de 30 segundos [Short Songs For Short People – 1999]. Esse era o critério, então nós a gravamos.

Se você pudesse mudar qualquer coisa na sua carreira, o que seria?

Nada. Me sinto muito sortudo por estar onde estou! Nós erramos muito no meio do caminho, mas no fim tudo sempre deu certo. Eu não mudaria nada. Talvez teria corrido pelado um pouco menos, porque esse vai ser nosso legado. Fazem 15 anos que fizemos aquilo e as pessoas ainda chegam perguntando “vocês vão tocar pelados hoje?” e eu respondo “tenho 40 anos! Não era engraçado quando eu tinha 25, e definitivamente não seria agora!”

Se você pudesse estar em qualquer banda que quisesse, nova ou antiga, qual você escolheria?

Provavelmente Beatles ou The Cure. The Cure foi minha banda favorita na adolescência e são completamente meus ídolos. Estar nos Beatles poderia ser interessante pra ver como o mundo mudou ao redor deles. Eles influenciaram muitos artistas e mudaram uma cultura, com estádios cheios de pessoas gritando tão alto que você mal os podia ouvir tocando no palco.

Como vocês se preparam para tocar em grandes eventos como o Reading & Leeds?

A longo prazo, ensaiamos muito. A curto prazo, bebendo antes de subir no palco. Hm… não tem como se preparar, na verdade. Os shows são tão lotados que o ideal é ir e não pensar no tanto de gente que tem lá.

É difícil compor e ficar junto da banda enquanto você está em Londres?

Sim. É muito trabalho, faz as coisas ficarem difíceis. E estamos prestes a entrar no estúdio, então eu sei que vai envolver meses onde eu terei que ficar em hotéis para ir até lá, mas é a vida. Estou animado!

Comparando com outros álbuns da banda, quão desafiador será o novo CD?

Todos os discos são desafiadores por si próprios. Cada um deles você dá entrevistas e fica tipo “Esse vai ser nosso melhor álbum!” e nós, como banda, estamos tipo “Isso vai ter que ser o melhor que já fizemos até agora!”. Então, é a mesma pressão de sempre. Tudo tem que ser melhor do que você já fez, que vai explodir a cabeça das pessoas e mudar o mundo. Então, sem pressão.

Voltando para o EP Dogs Eating Dogs (2012), você acha que a banda trabalhou mais efetivamente do que no Neighborhoods?

No geral, sim. Por que compusemos tudo na pressa em umas duas semanas, então ficamos muito focados naquilo. Para o Neighborhoods, nós nos reuníamos e gastávamos alguns dias discutindo umas ideias, e aí o Tom ia gravar em San Diego enquanto eu e Travis ficávamos em Los Angeles. Mas quando gravamos o Dogs Eating Dogs, nós ficamos no mesmo estúdio trabalhando em conjunto, então foi muito mais uma coisa de banda do que individual.

O blink-182 começou antes da internet e redes sociais. Como você acha que fariam hoje em dia, se estivessem nascido em outra geração?

Não sei… nós somos péssimos com internet hoje em dia. Na época foi trabalhoso. Gravávamos fitas cassete, eu cortava e embrulhava cada demo individualmente e levava até a loja de música. Ainda tenho algumas cópias por aí. E eu tenho o original que nós levamos até o lugar que faz as cópias. É bom que seja impossível de encontrar, porque não é um bom trabalho em gravação e performance/técnica. Nem uma remasterização salvaria aquilo!

Se pudesse fazer uma turnê com qualquer artista de um gênero diferente, quem você escolheria?

Eu escolheria o Kanye West, só pra testemunhar tudo. Só para ver o que acontece nos bastidores. O cara é um gênio.

Se você tivesse direito a apenas um tweet, qual seria?

Na verdade, seria inapropriado dizer aqui. Eu tenho um tweet nos meus rascunhos que está lá há um ano e meio.  Algum dia desses eu vou mandá-lo, fechar minha conta e desligar meu celular para sempre.

Se vocês três do Blink disputassem um braço de ferro, quem venceria?

Travis. Eu queria dizer que seria eu, mas eu estaria mentindo.

Vocês tocaram “First Date” no programa do Conan O’ Brien em 2001 e parecia que tinham acabado de levar uma surra. Foi uma pegadinha? Ninguém nunca explicou!

Foi uma brincadeira! Pouco antes de entrarmos, eles estavam “Tá certo, Blink, vocês entram em 10 minutos — vão se arrumar.” Então fomos lá atrás onde a maquiadora tinha algumas fotos na parede das coisas que ela tinha feito e algumas delas envolviam efeitos especiais. Ela colocou um olho roxo em mim! Na manhã seguinte, todo mundo ligou perguntando “O que aconteceu com eles? Que porra é essa que aconteceu com  esses caras?”

Blink 182 – First Date – live on Conan por Consommateur_74537
Onde você se vê daqui a 20 anos?

Vinte anos? Espero que ainda fazendo o que nós fazemos. Eu ainda amo fazer música e não quero fazer outra coisa. Não sei se o blink-182 ainda vai existir até lá. Mas não acho que o blink-182 nunca vai sumir; eu nunca iria querer mudar isso. Eu vou continuar tocando baixo e cantando. Não vejo a gente se separando, acho que todos nós amamos o blink. Acho que está em nossa essência do que somos; algo que passamos 20 anos construindo e mantendo, e fazendo crescer. Isso é o que eu sou — não quero fazer mais nada além disso!