Mark Hoppus fala sobre o FUCK em chamas: “pensei que seria realmente engraçado”

Autor Por Danilo Guarniero em 12/08/2014

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O site esquire.co.uk fez uma entrevista com Mark Hoppus antes de um dos shows da banda em Brixton na última semana. Ele falou um pouco sobre como é tocar em locais pequenos de novo, músicas antigas que gostaria de tocar, sobre o clássico letreiro escrito FUCK em chamas que está de volta, o melhor conselho que já ouviu, comida mexicana, entre outras coisas.

Confira a entrevista traduzida na íntegra:

Brixton Academy está virando um local comum para o blink-182 tocar quando vocês vêm para o Reino Unido. O que vocês curtem nessa casa? 

Eu amo a atmosfera aqui; é como se fosse uma caixa suja, suada e com manchas de cerveja. Tem muita história aqui e é um excelente local para fazer esses shows que são mais sobre a emergência de tocar na frente das pessoas antes de tocarmos no Reading and Leeds.

A última vez que o Blink tocou em Brixton, vocês tiveram uma parte dos shows em que tocavam músicas antigas acústicas. Tem mais músicas antigas que você queria tocar mais?

Eu queria que a gente pudesse tocar ‘Apple Shampoo’ mais vezes, mas essa música é muito difícil de cantar e é longa. Para uma música rápida, ela é longa. Tem tipo umas 5 seções diferentes nela.

O letreiro “FUCK” em chamas está de volta. Por que vocês pensaram nisso?

É tipo fazer um “throwback Thursday” no palco. Foi o centro das atenções por toda a nossa turnê mundial em 2002. Lembro de estar dirigindo pra casa depois das gravações do Take Off Your Pants And Jacket e eu tive essa ideia de começar o show com aquele letreiro. Era tão ridículo e tão sem noção começar o show com um letreiro enorme pegando fogo dizendo apenas “Fuck” que eu pensei que seria realmente engraçado. Tom e Travis acharam legal, então fizemos acontecer.

O Reading and Leeds desse ano vai ser a segunda vez que vocês são atração principal. Como vocês conseguem fazer crescer e ficar melhor a cada vez? 

É a quarta vez que tocamos e a segunda como atração principal mesmo. Dessa vez nós temos o letreiro com o “fuck” em chamas, temos pirotecnia, temos um monte de coisa. Acho que temos um bom set que engloba tudo do Chesire Cat até o Neighborhoods. Acho que é um setlist forte e que as pessoas curtem.

Qual é o melhor conselho que alguém já te deu? 

Eu estava na faculdade e o Blink estava apenas começando a se dar um pouco bem. Tocávamos em San Diego em uma sexta-feira à noite, daí em San Diego e Los Angeles no próximo fim de semana e essas pequenas corridas estavam começando a ficar cada vez mais longas, e ficou difícil conciliar estar na faculdade e também sair em turnê do jeito que o Blink precisava. Nós não não tirávamos grana disso – era tipo 50 dólares por noite – então eu não conseguia me sustentar e morava com a minha mãe. Um dia eu falei pra ela, “essa coisa de banda tá começando a ir pra frente, mas eu não sei o que fazer com os estudos,” e aí ela disse “você tem o resto da vida para voltar pra faculdade. Essa é a sua única chance de estar em uma banda”, então ela é o motivo pelo qual eu faço isso hoje.

Conte-nos sobre o seu projeto solo Nothing And Nobody.

Estou trabalhando com o Chris Holmes e possivelmente mais uma ou duas pessoas. Não posso dar dicas. Até que esteja confirmado, não quero dizer nada. É sempre constrangedor quando você fala “Ah sim, Eddie Vedder vai fazer parte disso” e aí chega na hora e todo mundo “e cadê o Eddie Vedder?”, ele não está lá. Vai ser um projeto eletrônico misturado com guitarras. Meio pop, obscuro e esquisito.

Quando você está compondo, como decide se é para o Blink ou para outra coisa?

Nunca experimentei isso até agora. As coisas que eu componho para o Blink são para o Blink, e as outras coisas eu compus especificamente para elas. Eu não componho uma música e fico “isso vai aqui, isso vai ali”. Eu gosto de escrever para cada projeto.

Para compor o Self-Titled do blink-182, vocês ficaram juntos em uma casa na Califórnia por oito meses. Você consegue ver a banda fazendo isso novamente para o próximo disco? 

Não sei como vamos fazer. Acho que poderíamos fazer isso uma semana de cada vez. Ainda estamos conversando. Eu e o Tom estávamos falando sobre isso mesmo na noite passada, como vamos fazer acontecer, mas eu acho que o melhor trabalho sairá se o blink-182 estiver todo no mesmo estúdio e ao mesmo tempo.

Como é o processo de composição como banda?

A coisa com o blink-182 é assim… eu pego uma direção, o Tom pega uma direção completamente oposta e o Travis é tipo o fator “x” – você nunca sabe com o que ele vai aparecer. Então o Tom tende a compor essas músicas meio teatrais e estilo staduim rock e ele literalmente diz, “imagina entrar no palco do Reading Festival, com essa batida começando e as luzes estão piscando…” Então é assim que o Tom compõe – pensando em como elas soam ao vivo. Eu só quero escrever uma música punk rock concisa, rápida, nervosa. Travis tem o hip-hop, rock e rock clássico. Ultimamente ele está ouvindo bastante The Misfits e essas coisas. Eu não sei como o próximo disco vai sair, mas espero que seja legal.
Existe alguma previsão de lançamento para o próximo álbum? 

O ideal é que ele fosse lançado no próximo verão americano para que a gente pudesse fazer uma turnê de verão ano que vem. Não sabemos por enquanto por onde vamos passar. Espero que seja em todos os lugares.

Depois de 22 anos em uma banda, a forma como você compõe e se relaciona com a música mudou muito?

Nem tanto. Digo, eu ainda começo a compor uma música no violão, como sempre fiz. Mas acho que minha cabeça está mais aberta agora em relação a influência, sons e essas coisas. Quando começamos, só queríamos saber de tocar shows mais agitados possível até onde aguentávamos. Era ótimo e divertido. Agora queremos tocar rápido às vezes, tocar mais calmamente em outras, e também tocar, sei lá, de forma inteligente de vez em quando. Mas ainda acho que nossa essência está lá. Ainda existe esse combustível adolescente com angústia, esquisitice, usando sarcasmo e energia do punk rock.

Qual a pior parte de estar em uma banda?

Não tem pior parte. Eu teria que pensar muito em coisas pra reclamar e ainda soaria idiota porque seria idiota. Estar em uma banda é a melhor coisa no mundo. Não consigo me imaginar mais feliz fazendo outra coisa.

E finalmente, quando foi a última vez que você comeu a comida mexicana do Sobrero?

Sombrero? Faz um tempo. Provavelmente um ano atrás quando eu estava em San Diego, mas eu comi comida mexicana muito boa em Los Angeles há umas duas semanas. Todo mundo diz que achou o melhor lugar em Londres, mas nunca é a mesma coisa que a comida mexicana da Califórnia do Sul.