Mark Hoppus fala sobre Dogs Eating Dogs e o futuro do blink-182

Autor Por Mona em 11/12/2012

Em uma semana o blink-182 fará seu primeiro lançamento como banda independente em quase 20 anos. A Alternative Press entrevistou Mark Hoppus depois de uma dia cheio no estúdio, finalizando músicas para o EP “Dogs Eating Dogs”.

Scott Heisel conversou com o baixista sobre o que está por vir, o fim de seu programa de televisão e o cover de Neighborhoods feito pela banda Future Idiots que circula pela internet.

Abaixo você confere a tradução da entrevista completa:

 

 

No que você estava trabalhando em estúdio hoje?

Hoje, estávamos trabalhando na finalização de algumas músicas para enviar para a mixagem. Tom gravou alguns vocais, e eu terminei todas as minhas partes vocais. Toquei baixo em uma música. Estamos concluindo tudo e deixando preparado para mixagem, então hoje tomamos todas as decisões difíceis.

Então é como uma confusão de coisas para fazer?

Sim, apenas finalizando os últimos detalhes que temos trabalhado nas últimas semanas.

Então, o EP se chama Dogs Eating Dogs. O que você pode contar sobre as músicas?

Posso dizer que existe uma música chamada “Dogs Eating Dogs”. Uma música chamada “Disaster”, mas isso pode mudar. Uma música chamada “The Day After Christmas” (agora chamada Boxing Day) e ela é uma coisa meio folk, com guitarras acústicas. É diferente de qualquer coisa que o Blink tenha feito antes. Travis tocou em seu kit eletrônico, então será algo meio indie, estranho, uma vibe muito legal. É cativante e te faz querer dançar. “Dogs Eating Dogs” é bem punk rock, com guitarras agressivas. Tom escreveu uma música chamada “I Got My Eye On You” que é sobre sua esposa; é uma música de amor. O EP tem um pouco de todos os estilos, mas disso nós sempre gostamos.

Então não é necessariamente um lançamento natalino?

Sim, não existe nenhuma música especial para a época. O mais perto disso é Boxing Day, mas sua letra é triste, “I’m empty like the day after Christmas”, como o dia depois do natal. Depois de toda sua ansiedade para abrir seus presentes no natal, no dia seguinte você fica, ‘Oh, tenho que esperar outro ano inteiro por isso. Abri todos os meus presentes e agora não há mais nada para esperar. Tudo está tão longe agora'”.

Vocês lançarão apenas a versão digital ou também estará disponível em formato físico?

Agora estamos tentanto disponibilizar o formato físico também. Originalmente, seria apenas digital, mas a resposta no Twitter e em todos os lugares é que as pessoas querem segurar o EP em suas mãos e colecionar, então estamos conversando com nossos empresários para descobrir uma maneira de produzir cópias físicas. Não acho que conseguiremos isso para 18 de dezembro, mas estamos tentando conseguir isso para um futuro próximo.

Tenho certeza de que você está ciente de que os discos de vinil do blink-182 tornaram-se muito desejados no último ano,  já que grande parte das gravações antigas foram relançadas. Então ocorreu um problema com a versão do Take Off Your Pants And Jacket que a Mightier Sword Records lançaria. Muita gente ainda está se perguntando o que houve, e sei que você já havia dito que procuraria saber mais a respeito. Você tem alguma novidade para os fãs que compraram o disco?

A empresa que tinha a licença para venda desse álbum em vinil ficou sem dinheiro, então eu entendi que outra empresa entraria em seu lugar e assumiria a situação, mas já não sei de mais nada há meses. Honestamente, é algo que está fora de nosso controle e não estamos nem um pouco felizes com isso. É uma droga.

Já que vocês completaram o contrato com a Interscope, vocês tem menos controle sobre as gravações anteriores? Vocês poderão lançar suas próprias edições deluxe se quiserem, ou é algo que eles ainda controlam?

É algo que teremos que trabalhar com a Interscope no futuro. Eles ainda possuem os direitos dessas músicas, e não deixamos a gravadora com uma relação ruim. Apenas seguimos nossos caminhos, e se quisermos relançar algumas coisas, tenho certeza de que a gravadora não criará problemas para isso acontecer.

Quais os planos do blink-182 para 2013?

Vamos continuar escrevendo ótimas músicas (assim espero). É emocionante. Tem sido tão bom, pelo fato de a banda estar em seu melhor lugar desde que nos conhecemos, todos no estúdio e trabalhando juntos como uma banda. Para o Neighborhoods, os reuníamos, trabalhávamos e nos separávamos. Isso foi legal para nos dar espaço para fazer o que queríamos. Neste EP, passamos muito tempo juntos, e acho que isso faz toda a diferença. Todos estavam super empolgados, com muitas ideias, e foi como se não houvesse barreiras em nosso caminho para que fizéssemos o que quer que achássemos divertido. É isso que queremos fazer como banda, de qualquer forma. Quando começamos o Blink, não tínhamos ambições ou objetivos além de escrever músicas e nos divertirmos fazendo isso, e agora estamos fazendo isso novamente.

Voltando ao processo de gravação e ao lançamento desse álbum, você está feliz com o Neighborhoods? Você acha que atingiu o que vocês queriam que atingisse, ou foi decepcionante de alguma forma?

Não. Eu amo o Neighborhoods. Acho que me orgulhoso dele. Me orgulho das músicas que escrevemos para ele. É uma documentação de como nos reformulamos como uma banda depois de cada dificuldade que passamos nos cinco anos que haviam passado. Escuto ao álbum agora e ouço coisas que poderiam ser diferentes, mas sou feliz com cada um dos álbuns que fizemos, e acho que tudo faz parte de ser um músico. Uma vez que você deixa as coisas passarem, você sempre quer voltar atrás e mudar alguns detalhes. Mas não, eu amo o Neighborhoods. Acho que é um aprendizado para nós comparar as músicas gravadas no fim do álbum, com o EP atual – como nós trabalhamos. A banda está em seu melhor momento.

Você acha que o álbum recebeu a atenção que merecia em sua turnê?

Absolutamente. Eu não crio ilusões de que as pessoas querem ouvir músicas novas nos shows, pois sempre querem ouvir “The Rock Show”, “What’s My Age Again” e “All The Small Things”, “Dammit” e “Carousel” e todas as outras músicas de nosso catálogo – e isso é ótimo. Quando vou ao show de uma banda que sempre gostei, não quero ouvir só suas músicas novas. As pessoas sempre querem ouvir músicas novas, mas quando vão aos shows, querem ouvir as coisas que cresceram ouvindo, e gosto disso na nossa banda. Gosto de poder tocar “After Midnight”, que escrevemos ano passado, e depois tocar algo que escrevemos há quase 20 anos atrás.

Qual você acha que é a sua responsabilidade para manter a história do Blink viva?

Não sei. Não penso exatamente assim. O que sempre foi importante para mim é que nossa banda sempre fez o que sentiu vontade, o que achou que era certo. Não tentamos adivinhar do que as pessoas vão gostar e nem tentamos ser o que as pessoas esperam de nós. Sempre fizemos nosso melhor trabalhando em coisas que nós mesmos gostamos, e gosto do fato de que não escrevemos o mesmo álbum sete vezes diferentes. Cada álbum soa de uma maneira. Cada álbum faz algo diferente. Cada um expressa algo diferente, e gosto disso na nossa banda. Apenas quero continuar escrevendo músicas novas e me divertindo. Acho que a destruição de nossa carreira aconteceria se nos sentássemos e pensássemos “Tudo bem, vamos fazer turnês a cada dois anos, com um setlist específico”. Isso não é empolgante para mim. Isso seria degradar tudo que já fizemos, que para mim é tocar todas as nossas músicas enquanto gravamos coisas novas e relevantes. Não existe nada como o sentimento de terminar uma música e ir embora do estúdio pensando “Wow, tem algo muito legal nisso”. Não existe nada como isso, e não quero parar de me sentir assim nunca.

A outra banda de Tom DeLonge, Angels & Airwaves está lançando um EP no mesmo dia do lançamento do Ep do blink-182. Isso foi combinado?

Foi uma coincidência total e algo que o Tom nem percebeu que aconteceria. Ele me ligou há uma semana e falou, “Hey, eu acabei de perceber que o Angels vai lançar algo exatamente no mesmo dia que o Blink, e fiquei confuso. Alguém me alertou sobre isso, e eu não quero ofender você ou Travis, ou que isso fique estranho de alguma maneira”. E eu disse “Cara, faz o que você tem que fazer. Não é estranho para mim. Não é estranho para o Travis. Está tudo bem”.

Você planeja comprar uma cópia?

Pretendo pedir uma para o Tom, de graça. (risos)

Você esteve bastante ocupado com o blink-182 no último ano, mas você tem um estúdio e já produziu outras bandas no passado. Você está trabalhando com alguém no momento ou planejando algo para o futuro?

Não, não exatamente. No momento estou me divertindo, focado no Blink. Eu adorava fazer o programa de TV com a Fuse. Não vou mais fazer isso. Não estou produzindo nenhuma banda. Quando não estou com o Blink, fico com minha família e passeando pelo Reino Unido, experimentando coisas. Estou muito feliz. Gosto do ritmo como as coisas estão acontecendo, gosto do tempo que tenho para passar com minha família e o tempo que tenho para me focar na banda que eu amo há 20 anos.

Você mencionou o programa na Fuse. Então o Hoppus On Music acabou ou é só um hiato?

Não, ele acabou. Não faremos mais o programa.

Foi decisão sua, ou deles?

Foi decisão deles, mas eu entendo completamente. Era um programa caro e tinha uma proposta difícil. A equipe era grande, com escritores e produtores, eu tinha que viajar para as gravações, ficar em hotéis, mais o estúdio completo com câmeras, engenheiros de som e tudo mais. Acho que ficou caro demais manter o show no ar, mas o pessoal da Fuse é incrível. São pessoas maravilhosas, que amam música e fazem um ótimo trabalho. Ainda os apoio independente de qualquer coisa.

Há algumas semanas, uma banda chamada Future Idiots lançou um álbum cover de Neighborhoods. Você está ciente disso?

Oh, não, isso é maravilhoso. É bom?

Eles realizaram covers de cada música do álbum como uma música antiga do Blink – tocaram no estilo “old school”, de maneira mais rápida, como um skate-punk. Não sabia se você estava familizarizado com isso, e estava curioso para saber, o que você acha de ter fãs reinterpretando seu trabalho?

Eu acho que isso é o máximo. Muito legal. É uma honra que as pessoas passem tanto tempo recriando algo que nós criamos. É demais. Quero ouvir isso agora.

Algumas pessoas ficaram chateadas, por achar que tenha sido algo desrespeitoso com a banda.

Não posso comentar sobre isso, porque não ouvi, mas pelo que você disse, não me ofende de maneira alguma. Parece legal. Honestamente, fico assustado que nossa banda tenha se tornado algo com múltiplos gêneros musicais. Algumas pessoas vão aos shows porque ouviam nossas músicas há 20 anos, e outras estão lá pela primeira vez. É uma honra enorme que as pessoas ainda queiram nossos shows, e também músicas novas. É tão maravilhoso, e se uma banda nova usa nosso trabalho, acho que é maravilhoso.

Existe algum álbum que você está ansioso para ouvir?

O da Future Idiots.