Mark Hoppus, blink-182 e o cenário musical

Autor Por Mona em 29/01/2013

Durante essa semana, aconteceu em Cannes, a MIDEM (Marché International du Disque et de l’Edition Musicale), basicamente um evento onde pessoas se reúnem para falar sobre música.

Mark Hoppus foi entrevistado por Glenn Miller, e as perguntas foram feitos pelo mesmo, por fãs da platéia e pelas redes sociais. O baixista contou mais sobre o blink-182 e sua opinião sobre o atual cenário da música, assim como o porquê a gravação de Neighborhoods demorou tanto, e como é difícil para uma banda ser paga por sua música.

A tradução da entrevista você confere abaixo, assim como o vídeo do evento.

 

mark hopps - midemmark hoppus - midem

 

Como você e o blink-182 mantiveram o sucesso e a importância no cenário musical, de 1992 até hoje? A banda passou por um hiato, e vocês continuam quase tão grandes como sempre.

Não faço ideia de como isso aconteceu. Sempre fizemos nosso papel, mantivemos nossas cabeça baixas e escrevemos nossas músicas. Nunca tentamos adivinhar o que as pessoas queria ouvir, e sim o que nos agradava. (…)”

Existe um possível futuro para o +44?

Espero que sim, mas no momento estou focado apenas no blink-182, e não gostaria de ter de escrever uma música e ficar dividido se ela iria para o blink-182 ou para um projeto paralelo. Caso o blink-182 resolvesse tirar um ano de folga, então eu gostaria de fazer algo com o +44.

Vocês pretendem lançar o EP fisicamente?

Bom, nós nos concentramos em gravar, masterizar e lançar o EP dentro do prometido e nos esquecemos de pensar em sua forma física. Não somos bons homens de negócios.

Como vocês farão turnês agora que não tem mais uma gravadora?

Para nossa sorte, nunca dependemos de gravadoras para fazer nossas turnês. Começamos independentes, então não tínhamos dinheiro, dormíamos no chão da casa de conhecidos, pegávamos muitas coisas emprestadas, e me lembro que depois que nos pagavam, fazíamos os cálculos de quanta gasolina gastaríamos para chegar ao próximo show, e racionávamos os gastos com comida para que desse certo. Sempre fizemos as turnês por conta própria (…). O EP que lançamos recentemente foi feito por conta própria, e foi uma coisa fascinante de se fazer como banda; tivemos a ideia de lançar algo até o natal, nos falamos por telefone e em dois dias eu estava voando para Los Angeles, três dias depois demos início ao processo de gravação. Fizemos tudo isso em um mês e meio, sem patrocínio, gravadora, ou apoio de alguma rádio.

Ao longo dos anos sempre tivemos apoio de rádios e revistas, então por conta própria liguei para alguns amigos quando recebi o primeiro mix do EP, e na mesma noite, a música estava em todas as rádios ao redor do mundo. Isso sem a ajuda de nenhuma gravadora. Mas ao mesmo tempo, percebemos que não temos uma cópia física do EP porque somos muito preguiçosos para descobrir como fazer isso.

Vocês pretendem lançar o EP em vinil ou algo do tipo?

Sim, na verdade, estou começando a pensar nisso enquanto estou aqui.

Vocês farão turnê pela Austrália em um mês, como funcionarão as coisas?

Eu vou até Los Angeles na próxima semana para ensaiar com Tom e Travis no estúdio, depois voaremos até a Austrália, voltaremos para Los Angeles e então volto para Londres. Será uma viagem ao redor do mundo para mim.

Ao lançar coisas novas, a concentração de vocês está na música ou na marca blink-182?

Sempre nos perguntamos algumas coisas antes de lançar coisas novas: o que as pessoas querem? Com o que elas se importam? Querem um álbum completo ou apenas algumas músicas, que podem ser lançadas com mais frequência? O que queremos fazer? (…) E quando fazemos shows, as pessoas ficam empolgadas para ouvir músicas novas, mas também querem ouvir What’s My Age Again e outras músicas que tocamos há 15 anos. (…)

Gostaria de saber quais bandas você tem ouvido atualmente, e como se sente tocando os mesmos hits há 15 anos?

Tocar músicas como Dammit e What’s My Age Again é maravilhoso. Mesmo sendo músicas de 10 ou 15 anos atrás, eu lembro porquê escrevemos essa música, o que ela significou no momento e como nos sentimos; e ao mesmo tempo não posso descrever a sensação de estar no palco e ver pessoas sorrindo pra mim e cantando junto, é uma das melhores sensações do mundo. Sem ofensas à minha esposa. Nunca parece que é um trabalho. E tenho ouvido bandas chamadas Fantagram e Say Hi.

Como vocês tiveram a ideia, ou qual o conceitos das caçadas aos coelhos do blink-182?

Nós vamos fazer uma turnê na Austrália, e temos uma série de coelhos colecionáveis do blink-182, que foram pintados por diferentes artistas, e estamos os escondendo pelo país. A ideia veio de nosso merchandiser, que trabalha com nossa banda há décadas, e foi uma ótima ideia, é um jeito diferente e divertido de interagir e usar a nossa banda. Nós deixamos pistas nas redes sociais, e as pessoas vão atrás deles até o encontrarem.

Uma das ótimas coisas da musica nos últimos 10 anos é a diferenciação. Na minha época, você ouvia apenas um tipo de mísica: punk rock, heavy metal, country, e não cruzava os limtes desses estilos musicais. Eu cresci como punk e nunca ouvi Metallica, porque era heavy metal. Isso era idiota, e agora musica é só música. As pessoas já não se importam, ouvem Carly Rae Jepsen, Sepultura, blink-182 e Ice Cube, e diferentes tipos de músicas estão nos iPods de todo mundo. Isso também acontece com as bandas; nós já não somos mais uma banda de punk rock; começamos assim, mas agora somos uma banda de rock, temos Yelawolf em uma de nossas novas músicas. Nós ouvimos todos os tipos de música, e isso nos faz melhores como músicos, e faz o mundo  melhor: existe tanto talento por aí e você se restringe a ouvir um único tipo de música.

Existe uma grande diferença entre as mentes criativas e as mentes que pensam nos negócios da banda. Como é esse relacionamento?

Nós somos muito problemáticos quando o assunto é a administração da nossa banda. Quando o blink-182 se separou, seguimos caminhos diferentes, e cada um de nós tinha um manager. Então agora temos três managers diferentes, o que é impossível. Então o que fazemos é reunir nossas ideias e então falamos: ‘isso é o que queremos fazer, agora vocês podem fazer acontecer’.

Você acha que alguma vez os negócios foram mais importantes que a criatividade?

Não, não para nós. Já fizemos escolhas que nos custaram dinheiro, muito dinheiro, porque para nós é mais importante estarmos felizes com o que criamos, do que sermos pagos. Somos muito sortudos de estarmos na posição para fazer isso. No último álbum, Neighborhoods, decidimos que iríamos gravar o álbum, fazer uma turnê na Europe, e depois nos Estados Unidos. Tudo estava programado, mas chegamos ao fim do prazo de gravação do Neighborhoods e descobrimos que não tínhamos um bom álbum ainda, não estávamos prontos para lança-lo. A gravadora queria o CD, e tínhamos turnês agendadas, mas nós não tínhamos tempo. Então cancelamos a turnê européia, o que foi um gasto monstruoso para nós, e um desastre para os fãs, que ficaram bravos. Mas nós não queríamos lançar o álbum, nem deixar para depois, não somos uma banda de hits, gostamos de lançar coisas novas. No fim, lançamos um álbum muito melhor, fomos para a Europa no último verão e fizemos uma turnê maravilhosa, e dois anos depois as pessoas nos falaram que agora entendem nossa decisão”.

Muitas bandas criam parcerias com marcas. Mas vocês foram muito bem sucedidos em criar suas prórpias marcas de roupas. Como foi isso?

Tom e eu começamos nossa primeira marca, Atticus, mas não fazemos mais parte dela. Tom tem a Macbeth, Travis tem a Famous Stars & Straps e eu tenho a Hi My Name Is Mark. É algo completamente paralelo a estar em uma banda. Isso começou em 1999, bandas estavam trabalhando com outras marcas, mas sempre tivemos nosso próprio estilo e quisemos fazer isso nós mesmos.

Existe alguma chance de vocês re-lançarem os álbuns antigos em vinil?

Sim, com certeza. Tenho frequentado algumas reuniões para decidir sobre isso. É interessante como o vinil voltou, tem esse ar de colecionável do qual eu falei antes. Mesmo com a era digital, as pessoas gostam de segurar algo em suas mãos.

Sem ter uma gravadora, você acha que existe algum rejuvenescimento por estar se sentindo livre? Muitas bandas parecem sentem isso.

Sim, definitivamente. Mas sempre tivemos um bom relacionamento com nossa gravadora, sempre pudemos fazer o que queríamos. Eles acreditaram em nós e nos colocaram onde estamos, nas rádios, nas revistas e etc. Ainda não acho que gravadoras são tão ruins quanto dizem, essa não foi minha experiência. Trata-se de uma parceria, eles tem contatos em rádios e revistas, e dinheiro, e assim esperam que você faça algo em troco disso tudo.

Eu dou aulas de música para adolescentes de 16 à 19 anos, e todo ano, novos alunos sempre querem tocar suas músicas.

Deve ser porque nossas música são muito fáceis. (…) O que eu digo é que não é preciso ser difícil para ser bom, mas tem que ser bom.

A tradução foi feita baseada no vídeo abaixo, e em algumas perguntas foram traduzidos apenas os trechos relevantes.