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Mark Hoppus: “a entrevista mais honesta de todos os tempos”

Autor Por Márcio Medeiros em 03/07/2017

O blink-182 e "as entrevistas mais honestas de todos os tempos"

A edição mais recente da Kerrang! conta com uma matéria de 8 páginas com o blink-182. A publicação inglesa está chamando de “as entrevistas mais honestas de todos os tempos” do trio.

Abaixo você confere a tradução da introdução e da conversa com Mark. Nos próximos dias vamos soltar as partes de Travis e Matt.

Bolas no desfile

Enquanto o blink-182 se prepara para uma grande turnê em arenas pelo Reino Unido, Matt Allen juntou-se a Travis, Mark e Matt na Alemanha – e as lendas do pop-punk despiram-se como nunca fizeram antes…

Bastidores do Festhalle, em Frankfurt, na Alemanha, o blink-182 encontram-se em um momento calmo. Primeiramente, há outro disco de sucesso na carreira: os ganchos de guitarra instantaneamente memoráveis de California deram ao trio o Número 1 na América e no Reino Unido. A banda tem algumas datas com ingressos esgotados nos próximos meses, incluindo um retorno ao Reino Unido nesta semana. E seus três componentes – o membro fundador, compositor e baixista Mark Hoppus, o baterista Travis Barker e o novato e recém-estabelecido guitarrista Matt Skiba – carregam um humor confortável e otimista sobre eles. Nada mal para uma banda que fez o rascunho de sua primeira música 25 anos atrás.

“Tem sido uma aventura incrível”, diz Mark, em pé ao lado de seus companheiros de banda em um corredor nos bastidores. “De longe, muito mais longo e mais incrível do que eu já imaginei um dia”.

E, no entanto, apesar disso, tem havido muitos percalços no caminho, como qualquer história que tenha durado um quarto de século poderia ter. A saída do baterista original Scott Raynor em 1998 daria uma nota interessante de rodapé; as saídas do guitarrista Tom DeLonge exigiriam um ou quatro capítulos. A luta de Travis contra vícios e sua sobrevivência no acidente de avião. E Matt? Bem, ele tem que lidar com as perguntas aparentemente intermináveis sobre seu lugar na banda.

Através de tudo isso, Mark tem sido a cola que mantém o blink-182 junto, mesmo durante a última saída de Tom. “Não havia parte de mim que quisesse dizer: ‘Isso é o fim'”, diz ele. “Eu sinto que temos mais a dizer e a fazer. Eu amo essa banda e tudo o que eu sempre quis é tocar no blink-182 e tocar música com meus amigos e me divertir. Eu me considero sortudo por estar fazendo isso por tanto tempo que tenho feito”.

Enquanto eles vão para seus camarins – alguns para conversar com a família, outros para meditar e treinar – a Kerrang! passou um tempo para conversar com todos os três membros sobre a vida, rock’n’roll e, como sempre com o blink-182, sobre um pouco de caos interno. E em suas entrevistas mais aberta e honesta de todos os tempos, há muito o que desempacotar…

Mark Hoppus na Kerrang - 2017

“De alguma forma, o blink teve esse ressurgimento de uma maneira que nunca esperaríamos…”, Mark Hoppus.

Mark Hoppus na Kerrang - 2017

Vinte e cinco anos no pop-punk ensinaram a Mark Hoppus algumas lições. Mas, acima de tudo, ele aprendeu como ele não pode viver sem a banda que ele ama.

Tente imaginar um tempo sem Mark Hoppus e blink-182. Tente, é complicado. Vinte e cinco anos atrás, quando o Nirvana e o grunge dominavam o mundo, o baixista compositor de hinos do blink-182 e seus companheiros, o guitarrista Tom DeLonge e o baterista Scott Raynor estavam ensaiando em uma garagem em Poway, Califórnia. Três anos depois, tudo tinha mudado: eles lançaram seu primeiro disco em 1995, Cheshire Cat, Kurt Cobain tinha se matado e o Britpop estava gigante. Em 1999, e com o blink-182 como apenas a banda eletrizante do pop-punk, Dave Grohl estava vestido como um piloto de avião no single “Learn To Fly”.

O tempo passa rápido; para alguns fãs, o surgimento do blink-182 aconteceu há uma vida.

Um quarto de século depois, e com 50 milhões de álbuns vendidos, Mark está revivendo os altos e baixos da tumultuosa carreira de sua banda. Os altos ele pode lista em um piscar de olhos. “Ouvir ‘M+M’s’ em uma rádio de San Diego pela primeira vez”, ele diz, relaxando nos bastidores de uma casa de shows na Alemanha. “Dude Ranch ganhando Disco de Ouro foi algo grande; o Enema of the State foi surreal…”. Suas ambições no início do blink-182 eram bastante modestas, ele relembra. Naquela época, o único objetivo do trio era vender 1200 ingressos para o “mais sujo e excelente clube de punk rock” de San Diego. Todo o resto foi um bônus inesperado.

“Nós fazíamos nossas próprias cassetes”, diz ele. “Nós fazíamos cópias da arte. Eu cortava as capas e dobrava com minha mãe, irmã e amigos na nossa sala de estar. Então eu deixava nas lojas de discos locais em consignação. Todos os finais de semana eu ia. De repente, os álbuns não estavam mais lá. Eu pensava: ‘Eu não conheço ninguém que comprou, então, isso significa que alguém que eu não conheço está comprando nosso álbum…’. Isso foi um verdadeiro choque”.

O sucesso seguinte do blink-182 – os Discos de Platina do Enema of the State e do Take Off Your Pants and Jacket; o Número 1 nos Estados Unidos e no Reino Unido com o disco mais recente, California – não mudou o ego de Mark de forma negativa. Pergunte a Matt Skiba e ele descreverá seu companheiro de banda como alegre e muito bonito, um cara muito amável, excitante, muito bom com as palavras e brilhante. Nos bastidores, enquanto Travis se aquece, Mark e Matt costumam mergulhar em um clube de livros lendo os trabalhos do escritor norte-americano Erik Larson, autor de The Devil In The White City e Dead Wake: The Last Crossing Of The Lusitania. Este tempo de descanso é preenchido com momentos de tranquilidade, algo que nem sempre foi assim, principalmente na fatídica turnê de 2004 pelo Reino Unido.

“Foi logo antes de Tom sair pela primeira vez”, diz Mark, descrevendo isso como um dos pontos baixos de sua carreira. “Em cada show  nós estávamos tendo momentos terríveis nos bastidores. Nós estávamos tocando em locais gigantes, a banda estava bem-sucedida, mas nós éramos uns miseráveis, gritávamos uns com os outros antes de entrar no palco. Era horrível – horrível para todos – e era uma dicotomia, pois os bastidores eram tão tensos, irritantes e com embates, mas você ia para o palco e havia 12 mil pessoas esperando para ver nossa banda tocar. Não conseguia entender como a banda poderia ser tão bem-sucedida e tão problemática ao mesmo tempo”.

Mark Hoppus na Kerrang - 2017

Embora seja frustrante que o nome de Tom ainda apareça com tanta regularidade nas conversas do blink-182 – ele deixou a banda dois anos atrás – sua presença se apresenta grande em aniversários marcantes como este. O punk do blink completa 25 anos, mas, desde que Tom saiu, Mark falou com ele apenas uma vez há um ano atrás com algumas mensagens. No entanto, não há animosidade. “Ele está fazendo suas coisas, nós estamos fazendo nossas coisas com o blink, e está indo bem. Eu acho que o tempo de sentimentos ruins se foi”.

A saída de Tom, diz Mark, não impactou tão fortemente como na primeira vez em 2005, “talvez porque passamos por isso antes”, ele argumenta. Enquanto isso, Matt entrou perfeitamente na vaga e com uma sensação de permanência. “Ele foi a primeira e única pessoa com quem conversamos”, diz Mark. “Ele é um ótimo amigo, um grande companheiro de banda, um grande compositor e um grande cantor. São tempos emocionantes. E, de alguma forma, o blink teve esse ressurgimento em 2016 e 2017 de uma maneira que nunca esperaríamos. As conversas que tínhamos durante a gravação de California vinham da alma, eram honestas sobre o que a banda é para nós, e o que era importante sobre a banda. Talvez seja por isso que essa reconstrução foi mais fácil do que a primeira vez”.

Então, Tom poderia voltar para a banda se ele quisesse? “Eu não sei”, diz Mark, “Essa é uma pergunta difícil… eu não sei”.

Você pode estar se perguntando: “Quem se importa?”. Com um álbum Número Um e uma turnê no Reino Unido no horizonte, este é um período de planejamento para Mark e para o blink-182. As lições foram aprendidas ao longo de quase três décadas. “Aproveite cada segundo como sendo o único”, diz ele. Houve momentos de reflexão também, de forma dramática, quando Travis Barker sofreu o acidente de avião que quase o matou em 2008. “Travis e eu ficamos juntos quase desde o primeiro dia”, diz Mark. “Seu acidente foi um grande momento de sobriedade e reflexão, penso que para todos, sobre o que era importante na vida – foi definitivamente para mim”.

Mark Hoppus na Kerrang - 2017

Junto com experiências de vida como essas, vêm mais estabilidade. Não há nada que impeça Mark Hoppus de fazer shows com o blink-182 por 10, 20 ou mesmo 25 anos. Certamente, há uma sensação de que sua vida provavelmente ficaria bem vazia sem isso. “A diversão é o que eu amo, é o que eu preciso do blink”, ele diz. “Trata-se de angústia, liberação de energia e dos problemas em sua vida; saindo com seus amigos. Poderíamos facilmente ter acabado com o que fizemos. Nem eu, nem Travis queríamos isso. Eu amo essa banda”. Aqui temos mais 25 anos de amor, turbulências, aprendizados e sucesso inesperado, então. O momento está com o blink-182 ainda. Imagine um mundo com Mark Hoppus nele, 25 anos depois, realmente não poderia ser tão fácil.

Mark faz um ranking do trabalho da vida do blink do melhor, para o não tão melhor…

1º) California (2016)

“É o Número 1 agora, pois é o álbum mais novo e eu estou muito orgulhoso. Eu acho que nós voltamos a tudo o que o blink-182 se tratava. Nós o escrevemos com uma energia feroz no estúdio, trabalhando das 9 da manhã até às 2 da madrugada, todos dando ideias sem parar, escrevendo três músicas por dia”.

2º) blink-182 (2003)

“Esse foi o oposto. Demorou um ano para fazê-lo e foi um experimento gigante. Nós desconstruímos as músicas, superamos tudo e tentamos todas as ideias. Eu amo este disco por sua criatividade e por nós saindo do lugar comum”.

3º) Enema of The State (1999)

“Eu acho que esse foi a declaração do que o blink-182 é. Foi insano, estávamos na MTV o tempo todo, nas rádios e estávamos tocando para muitas pessoas repentinamente. Nós definitivamente tivemos uma grande trajetória a partir do Enema of The State, mas nós construímos tudo para alcançar isso”.

4º) Take off Your Pants and Jacket (2001)

“Nossa primeira tentativa de sair do lugar comum, do que o blink-182 era. Eu mostrei uma ideia para Travis e eu disse: ‘Esta é a melodia, eu acho que a bateria pode ser assim…’. Ele balançou a cabeça e depois transformou a música em algo maravilhoso”.

5º) Dude Ranch (1997)

“Esse foi muito divertido. Nós aprendemos como escrever músicas nesse. Eu acho que depois do Cheshire Cat ter se saído bem, nós assinamos com a MCA, eu podia comprar uma casa por conta própria. Foi quando eu pensei: ‘Bem, eu posso me manter com a música – isso é legal”.

6º) Cheshire Cat (1995)

“Um jovem e malcriado ‘foda-se’ para o mundo. Nós baixamos nossas cabeças e fizemos nossas próprias coisas. Eu nunca achei que o sucesso viria para nós, mas fomos bem sortudos que ele veio”.

7º) Neighborhoods (2011)

“Eu acho que eu coloquei esse por último por eu esqueci completamente dele de primeira quando fui perguntado, então isso diz algo sobre o disco. [Quando conversamos com Mark na Alemanha, ele esqueceu-se de mencionar Neighborhoods em seu ranking]. Eu ainda amo esse disco e foi um tempo de reconstrução, mas gravá-lo de forma separada minou alguns dos imediatismos que são importantes”.

Scans da Kerrang! disponibilzados pelo tom-de-longe.tumblr.com.