Luzes acesas

Autor Por laisizzle em 20/09/2011

Esperei um certo tempo pra tentar (vejam bem, eu disse “tentar”) falar do NeighborhoodsSerá que é isso tudo mesmo? Eu não to exagerando? Será que eu deveria pelo menos tentar tirar esse álbum do repeat, meu Deus? Até que finalmente encontrei o que dizer.

Vocês não tem com o que se preocupar, a coluna vai ser rápida (até porque, rly, o que muito mais eu poderia dizer depois da coluna do Pan, que foi tão boa que me deu vontade de pregá-la em todos os postes da minha cidade?). Depois de ficar horas e horas matutando sobre como traduzir o que eu senti ouvindo o CD, eu me dei conta que nada ia ser mais preciso e forte do que o sentimento que eu conheci quando as músicas do Neighborhoods começaram a ecoar nos meus ouvidos (pobrezinhas, mal sabiam elas que aquelas seriam as primeiras vezes de muitas).

Desde que o blink-182 voltou – ou até mesmo nas vezes que eu fantasiei que eles voltariam, quando esses três bastardos ainda estavam nos torturando -, eu achei que, assim que pudesse ouvir o novo CD, pensaria em todos nos anos que passei (aliás, que nós passamos) . Pensaria em toda tristeza e inconformismo que senti e poderia dizer “é, finalmente, tudo isso acabou. O Blink realmente está de volta”.

Achei que essa constatação viria com Up All Night — mas não, a euforia foi grande demais pra isso. Viria com Heart’s All Gone, talvez — muito menos, eu estava encantada demais com a música pra isso. After Midnight, quem sabe — nah, também não, eu preferi me preocupar em aprender a cantá-la a plenos pulmões antes de qualquer coisa. Ghost on the Dancefloor? Ah, sério, eu tava feliz demais com os vocais do Tom nos vídeos pra conseguir focar em qualquer outra coisa.

Foi só com o CD inteiro, música por música, uma após a outra, que eu pensei em todos esses anos — mas, para a minha surpresa, não lembrei de nenhuma angústia, nem de nenhum rancor, tampouco nenhuma negação. O que apareceu na minha memória de forma bem vívida, quase como se estivesse tatuado, foi essa parte de uma entrevista do Tom Delonge:

 

I miss Mark and Travis.

(na minha tentativa porca de tradução bem educada: “Eu sinto falta do Mark e do Travis. Eu não sinto nem um pouco como se quissesse mandá-los irem se foder porque eu os amo. Eles são caras incríveis demais. Tocar com eles novamente é uma coisa na qual eu penso todos os dias.”)

Ter lido isso na época que a entrevista foi publicada fez meus olhos encherem de lágrimas (sou mulherzinha, gente, desculpa) e, hoje em dia, me provoca arrepios. Não existe rancor, angústia, inconformismo ou tristeza quando se lê algo assim – só havia espaço para esperança quando eu li pela primeira vez, e agora só consigo sentir uma satisfação tão grande que me dá vontade de sair gritando por aí, uma satisfação que eu só senti igual quando ouvi Mark Hoppus gritar “blink-182 is back!” em um microfone de um Grammy já longínquo.

Eu tentei, juro, lembrar das partes tristes desses quatro anos. Dessa vez minha mente chamou minha atenção para outra frase.

The past is only the future with the lights on, cantava o mesmo Mark Hoppus há tempos mais longínquos ainda.

“Eu não entendo essa sua fixação com essa frase”, dizia minha amiga. “Tem tantas outras nesse cd do +44 tão mais profundas…”

“Laís, nem pense nisso. Eu aguento um poster do Blink na parede, mas isso, nem pensar”, disse minha mãe quando eu levantei a hipótese de tatuar tal frase em mim. Na pele, eu digo.

“Laís, você acha que dinheiro dá em árvore? Temos que estabelecer prioridades”, disse meu pai quando eu pedi tinta pra pintar essa mesma frase na parede o meu quarto.

“O passado é apenas o futuro com as luzes acesas?”, indagou outra amiga minha após eu traduzir esse verso que estava escrito na capa do meu caderno. “Como assim? Que sentido você tá vendo nisso?”

“Eu não sei explicar”, respondi pra ela, desconversando. “É metaforicamente bonito, vai dizer que não é?”, eu respondi na época.

Semana passada, o momento que esses dizeres do Mark voltaram a aparecer na superfície da minha memória foi o mesmo no qual eu me dei conta que a vontade de chorar (de alegria!) já tinha tomado conta de mim. O sentido se explicou sozinho.

As luzes do futuro finalmente se acenderam.

 

 

Laís Cerqueira Fernandes tem 18 anos, é estudante de Jornalismo há mais de seis meses, ainda insiste nisso de ser escritora e espera que essa coluna tenha sido, ao menos, metaforicamente bonita pra vocês.