Love

Autor Por brunobld em 13/02/2010

Do início do hiato do Blink 182, em 2003, até a data provável do lançamento do novo álbum da banda, em 2011, haverá um intervalo de aproximadamente oito anos. E, talvez, nada para sentir saudades. Os integrantes da outrora extinta banda pop-punk se dispersaram após o término da mesma, iniciando novos projetos e prometendo mundos e fundos aos órfãos do trio californiano. Entretanto, pode-se dizer que os três pouco entregaram do prometido. Travis Barker e Mark Hoppus, um pouco mais pés-no-chão do que Tom Delonge, criaram o (+44), lançando um álbum muito influenciado por seus trabalhos anteriores, mas que não que cativou o grande público. Delonge, que não poupou palavras para dizer o quão grandioso e surpreendente seria o som de sua nova banda, a Angels and Airwaves, foi bom publicitário para um produto fraco que, apesar da bela embalagem, não tinha condições de emplacar. No fim, foi o talento de Barker, juntamente com o falecido DJ-AM, que criou algo diferenciado e digno de boas críticas: os dois volumes do projeto Fix Your Face, onde a dupla assinou como TRV$DJAM.
Na sexta-feira passada, dia 12 de fevereiro, Delonge e sua trupe lançaram o mais novo trabalho da Angels and Airwaves, intitulado Love, de forma gratuita pela internet. Em poucas horas, milhares de fãs, principalmente do Blink 182, fato inegável, correram para fazer o download das novas músicas. Ao todo, são 11 faixas, todas extremamente elaboradas – e não no melhor sentido da palavra. Love é, por esse motivo, um grande álbum escondido por trás de muitos artifícios. Diferentemente de bandas como Radiohead, que utiliza de sintetizadores, teclados e computadores para criar sua música e transformá-la em arte, que cativa e surpreende, Angels and Airwaves soa excessivamente desajustada. É possível sentir ascos de cafonisse em alguns trechos mais desesperadamente elaborados.
Delonge, anteriormente conhecido por ser mestre em melodias simples, sujas e grudentas, peca agora pelo excesso de seus arranjos. Resumidamente, pode-se dizer que o grande pecado de Love, e aquilo que pode acabar crucificando-o é, como dito, o excesso. Não há como passar despercebido pelas faixas do álbum. Em muitos momentos chega a ser maçante a sinfonia de sintetizadores e efeitos gerados por software. No fim, a grandiosidade pretendida por Delonge nos três álbuns do Angels and Airwaves, além de não ter sido alcançada, acabou por tornar ainda mais evidente a falta que sua eterna banda punk faz.
Como anunciado, Delonge quis inovar na mídia e na distribuição de sua música. Entretanto, não conseguiu atingir o que com tanta ênfase se propôs. Não há inovação em Love, pelo menos nenhuma grande inovação como tentou Tom Delonge. A distribuição gratuita pela internet, por exemplo, já é realidade para muitas bandas famosas, embora seja sempre bem-vinda. Quem sabe o filme, prometido há muito tempo, elucide as escolhas desse disco. Talvez, assim, consigamos enxergar melhor a arte de Love.
Entretanto, há grandes momentos em Love, mais destacadamente três, e em sequência. Estou falando das faixas Hallucinations, The Moon-Atomic (… Fragments and Fictions) e Clever Love, esta última de uma sensibilidade digna de grandes artistas. Assim, ainda na primeira audiência de Love, fica claro que nesses anos todos de hiato é o dom de letrista de Tom Delonge que se revelou inegavelmente melhor do que de seu companheiro Mark Hoppus.
Para os fãs mais assíduos do Blink 182, Delonge sempre deverá agradar. Mas, caso seja possível, aconselho ao leitor tentar ouvir com atenção a música por trás da música que há em Love. Abstraia todos aqueles efeitos “oitentistas-new-wave” e curtam o que Delonge sabe fazer de melhor: a simples melodia de três ou quatro notas, pegajosa e divertida. Desso modo, um álbum totalmente diferente acabará por se desvelar aos seus ouvidos. No fim, esperamos todos ansiosos o novo álbum da velha banda de San Diego.

Leandro Dani / @leandrofeh