[LISTA] 4 curiosidades sobre o “Buddha”, demo de 1994 do Blink

Autor Por Danilo Guarniero em 02/09/2015

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E estamos de volta com alguns fatos sobre os discos do blink-182. Após falarmos sobre algumas curiosidades do Flyswatter, a primeira demo tape da banda, continuamos com esse lançamento que começou a dar mais visibilidade para os três garotos californianos.

Após o Flyswatter, o blink-182 lançou uma segunda demo chamada “2nd Demo”, mas aqui vamos direto ao que interessa que é a terceira demo: Buddha (que antes não teria nome, mas devido à repercussão, acabou sendo denominada por conta da capa que tem um boneco do buda na frente).

A propósito, Buddha começa com a letra “B” e é o sucessor da ordem alfabética nos discos do blink-182 que começou com a letra “A” na capa do Flyswatter. Saiba mais sobre isso aqui.

Pode ser difícil de acreditar, mas Tom DeLonge e Mark Hoppus levaram muito a sério a composição das letras desse lançamento. Na verdade, eles buscaram a perfeição na hora de escrevê-las, para que alguém pudesse sentir que as músicas se encaixavam nas suas vidas. Ironicamente, o disco também tem várias canções com piadas porque, segundo eles era também importante fazer as pessoas rirem. Era tão importante, que eles gastaram mais tempo para aperfeiçoar as piadas do que as músicas sérias.

Essa fita demo, como pode ser fácil notar, tem uma grande influência de Descendents. E Tom DeLonge admite isso em uma entrevista dada em 2012, quando disse que ele estava “tentando emular a banda, com guitarras fortes e rápidas misturadas a rimas clichês para criar músicas de amor.”

Conheça abaixo mais alguns fatos sobre esse lançamento do Blink

Era uma fita demo que foi re-lançada depois

Buddha foi a terceira e última fita demo do blink-182, lançada em janeiro de 1994 pela Filter Records. Essa gravadora era, na verdade, de Pat Secor, então chefe de Mark Hoppus quando o baixista trabalhava na loja de música The Warehouse. Secor financiou a gravação da fita cassete de Buddha, que foi gravada com todos os instrumentos sendo tocados ao mesmo tempo, e as vozes foram adicionadas depois. Tudo isso foi finalizado em 2 dias.

(versão original da fita cassete demo)

 

Em novembro de 1998, a Kung-Fu Records lançou a versão remasterizada e remixada de Buddha, já com a banda sob o nome de blink-182 e com uma tracklist um pouco diferente.
(versão remasterizada da demo, pela Kung-Fu Records)

 

A foto da capa original foi feita na casa do Scott

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A fita demo de Buddha tem uma capa diferente da versão conhecida, apesar de ser um conceito igual (o Buda em um jardim). Essa foto foi tirada na casa do antigo baterista do Blink, Scott Raynor, e é atribuída ao amigo da banda Cam Jones. Ele e Hoppus passaram uma tarde tirando fotos “artísticas” ao redor do quintal de Raynor, e uma delas foi a foto de uma miniatura do Buda que Mark pegou em casa – era de sua irmã, um presente que ela ganhou do padrasto.

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Foi o primeiro lançamento do Blink a ser de fato vendido e distribuído

Depois de finalizar as fotos do encarte, eles escreveram todas as letras das música à mão e tiraram diversas Xerox. Mark e sua família passavam horas dobrando os encartes e colocando nas caixas das fitas cassete, para que depois o baixista pudesse colocá-las em seu carro e distribuir nas lojas de música da cidade.

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Mark Hoppus relembra:

“Lembro muito bem de parar em todas as lojas para deixar as fitas para vender. Era legal porque as fitas estavam mesmo vendendo, então eu tinha que ficar voltando toda semana. Music Trader vendia uma cópia, Off The Record vendia duas, mas enfim… significava que as pessoas estavam mesmo entrando em uma loja de música e comprando algo que nós tínhamos escrito e gravado. Era demais.”

Em 2001, a versão remasterizada pela Kung-fu Records vendeu 300,000 cópias. Até hoje, Buddha é única demo do blink-182 disponível no mercado para venda (inclusive foi prensado em vinil em 2013)

O Blink recorreu à justiça por causa dessa fita

Houve controvérsia ao redor dessa fita demo que precisou envolver a justiça. A banda começou a desconfiar que Secor, produtor da fita e dono da Filter Records, estava escondendo dinheiro deles. Assim, o Blink recorreu ao seu advogado Joe Escalante (ninguém menos que baixista do The Vandals e dono da Kung-Fu Records). A banda tinha dito para Secor não vender mais as fitas, mas desconfiaram que ele ainda estivesse. Escalante, então, fez um pedido para ele anonimamente e Secor vendeu uma fita para ele, confirmando que ele estava vendendo. O Blink dizia que não estava recebendo os royalties por essas fitas, mas Secor diz que eles já tinham sido pagos e que ele se sentia no direito de guardar algumas fitas e vender o estoque que tinha sobrado (em torno de 25). No fim, a Kung-Fu Records recebeu os direitos de lançar Buddha em CD e Secor não é mencionado em nenhum lugar, não há créditos a ele sobre esse lançamento.

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Mark e Tom em 1993