Inconstantes

Autor Por brunobld em 17/12/2009

Tive uma ideia! Não, não se desespere. Juro que ela é interessante – ao menos foi pra mim. Escute bem. Certa madrugada, numa dessas madrugadas de primavera, estava eu em frente ao computador com um copo de cerveja pela metade. Enquanto batia furiosamente com os dedos na mesa, uma ideia tomou minha mente por assalto. Por que não escrever o que vem à cabeça, sem filtrar nada? Bem, isso não daria muito certo – aliás, nem um pouco certo. Embora eu tenha certa liberdade para criar as colunas, não posso simplesmente me entregar a qualquer insanidade minha. Não, acho que posso. Aliás, talvez eu até deva. Mas a falta de criatividade estava me deixando um pouco nervoso, e meus dedos já estavam vermelhos de tanto batucar. Foi aí que, em um espasmo de criatividade inovadora (que suprimiu minha humildade), surgiu a ideia de escrever o que vier à mente enquanto escuto músicas do Blink-182. Pra ficar mais divertido, decidi que teria apenas o tempo da música para escrever algo – ou seja, cerca de três minutos para criar. Sem medo, apertei o botão ‘play’ e estiquei os dedos. O resultado você verá a seguir, música por música, frase por frase.
Para a sua experiência ficar completa, experimente ler cada texto – ou textículo, embora não soe muito bem – ouvindo sua respectiva música. Lembrando vocês de que as músicas e os significados de suas letras não foram levados em conta na produção dos “textículos”. Pelo menos, não conscientemente.

– A new hope:
Qual seria a verdadeira trilha do amor senão a nascida do toque? A sensação da tez suave e escorregadia, o calor da respiração ofegante esquentando o pescoço. Qual seria a verdadeira razão de amar senão sentir? Teria motivo preocupar-se com o amanhã sem a possibilidade do gozo? Como ser inconstante que sou, às vezes esbarro na delícia e encontro o sentido e o fim do viver no simples sentir. Amém – ou, amem.

– Anthem, Pt. 2:
De eleição em eleição celebramos o bem maior do nosso Estado. Entre dossiês, acusações, falastrões, desinteresse público e pesquisas forjadas, a democracia encontra seu caminho para obter, mais uma vez, glória. A glória dos analfabetos e dos famintos. Nossa democracia não é democrática. É hipócrita.
P.S.: 2010 está aí e, ao contrário do que muitos pensam, não é o ano apenas da copa do mundo de futebol. Sim, crianças, 2010 tem eleições e precisamos ser conscientes ao escolher nossos representantes.

– I Miss You:
Adeus, minha querida! Hoje estou de partida. Vou pra bem longe, onde os teus olhos não conseguem alcançar. Não sinta a minha falta. Quando o vento bater na tua porta, abra. Será um pedaço meu que voltará com um recado. Abra a porta e feche os olhos, sinta o vento. Escute com muita atenção. Limpe a sua mente, não pense em mais nada. Agora, você consegue escutar? É uma canção que eu fiz especialmente pra ti. Ela fala de amor, de solidão. Fala de saudade, de impossibilidade. E ela fala, acima de tudo, de uma pessoa que te ama. Que canta ao vento, esperando que a canção chegue ao seu destino. Que canta o destino, que nos afastou tanto. Preste bastante atenção, sou eu chorando. Mas não chore, minha pequena. Eu tenho esperança! Abra os olhos, vê o horizonte? Eu estou lá, de braços abertos, com o coração acelerado, correndo em tua direção.

– Stockholm Syndrome:
Consequência de anos no exílio, vindo dos subúrbios fétidos e úmidos do coração de uma antiga paixão, renasci das cinzas do que um dia foi um homem. Carne e ossos separados para sempre. Um facho de luz inabalável. O cerne de todo um ser na mais imponente casa do conhecimento. Sou aquele que ousou despertar na hora de dormir. Incrível besta dos sete chifres. Incansável curandeiro das trevas. Eu sou aquele que está por trás do seu fracasso. Sou a causa do seu eventual sucesso. A única esperança para o seu futuro. Sou a enfermidade e a cura. Sou o infinito e o nada. Enquanto os outros comem inércia, eu cuspo caos e excitação.

– Story of a Lonely Guy:
Ela passa sempre sem me notar, naquela quase negação da minha existência. Encolhe os passos pra se fazer vista e lança um sorriso malicioso que diz saber muito sobre mim. Meus olhos apontam o caminho, enquanto meus pés correm no sentido contrário. Preciso de um drink, um empurrão qualquer em sua direção.

– What’s My Age Again:
Ela sentiu que tinha falado demais. Calou.
Virou o rosto e escondeu os olhos atrás do cabelo.
Ele percebeu alguma coisa a mais. Sorriu.
Secou a palma da mão na calça jeans e disse:
– Eu sempre soube que seu irmão é gay.

– Not Now:
E quantos segredos traz o coração mais sincero? E quantas surpresas traz a vida mais monótona? E quantas belezas traz a estação mais fria? Quanta alegria traz apenas uma noite de carnaval? Se existe medição para o existir, que tragam a menor régua. Todo o resto é lucro.

– M+M’s:
O ponteiro do velocímetro marca 130 km/h. Abro a janela do carro, sinto o vento varrer minhas preocupações. Se existe liberdade, ela é uma pista livre que aponta ao infinito.

– M+M’s 2:
Um, dois, três goles e nenhuma consciência. Um, dois, três beijos e nenhuma preocupação. Três, dois, um dia a menos para curtir o verão.

Mural do Colunista:

P.S.: dependendo do retorno de vocês, pode vir mais.

P.S. 2: estou pensando em fazer uma versão para cada álbum. Claro, aí viraria um conto. Enfim, o futuro está por ser escrito – não por mim, mas por alguém mais caprichoso e onipresente.

Leandro Dani (leandro.feh) tem 22 anos. E, desde já, deseja um feliz natal a todos vocês! Curtam, bebam, façam festa. Só não esqueçam a prudência na gaveta das cuecas. Sigam-me os bons: www.twitter.com/leandrofeh